Postagens populares

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Refletindo sobre Uso Racional de Medicamentos e Prevenção de Deficiências

SITUAÇÕES PROBLEMAS NA COMUNIDADE ESCOLAR

SOUZA, Vera Lúcia Pereira de.

              Ilude-se quem ajuíza que saúde é somente ausência de doença. A Organização Mundial de Saúde[1] (OMS), em 1946, deliberou que saúde é “o estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença ou incapacidade, assim esta deve ser entendida em sentido mais amplo, como componente da qualidade de vida”.
              Assim, percebe-se que a procura por saúde não abrange somente a cura, mas todos os procedimentos que induzem a avanço na qualidade de vida. A saúde é um dos maiores recursos para o desenvolvimento social, econômico e pessoal, bem como uma importante dimensão da qualidade de vida. (Carta de Ottawa[2]).
Refletindo sobre Uso Racional de
Medicamentos e Prevenção de Deficiências


SITUAÇÕES PROBLEMAS


1) Medicamento: O que é? Para quê serve?
              Medicamentos[3] são produtos especiais elaborados com a finalidade de diagnosticar, prevenir, curar doenças ou aliviar seus sintomas, sendo produzidos com rigoroso controle técnico para atender às especificações determinadas pela ANVISA.
              Os medicamentos diminuem ou extinguem sintomas (dor, febre, inflamação, tosse, constipação, náusea, vômitos, ansiedade, insônia, e assim por diante), mas, não agem nas causas.
              Ao abrandar os sintomas, o medicamento pode disfarçar a doença, dando a falsa impressão de que o problema foi resolvido. Por isso, antes de usá-lo, é importante consultar o médico e o farmacêutico.
              Remédios e Medicamentos não são as mesmas coisas.
              Remédios estão associados a todo e qualquer tipo de cuidado empregado para curar ou acalmar doenças, sintomas, desconforto e mal-estar.
              Alguns exemplos de remédio[4] são: banho quente ou massagem para diminuir as tensões; chazinho caseiro e repouso em caso de resfriado; hábitos alimentares saudáveis e prática de atividades físicas para evitar o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis; medicamentos para curar doenças, entre outros.
              Enquanto que os medicamentos são substâncias ou preparações preparadas em farmácias (medicamentos manipulados) ou indústrias (medicamentos industriais), que devem adotar determinações legais de garantia, eficácia e qualidade.
              Logo, todo medicamento é um remédio, mas, nem todo remédio é um medicamento.

2) Quais seriam os prováveis problemas que poderiam ocorrer em conseqüência do uso indiscriminado de medicamentos?
              O uso indiscriminado de medicamentos ocasiona uma série de problemas para a saúde. Também se sabe que é cada vez mais freqüente e antecipada o uso indiscriminado de medicamentos pela população.
              Seriam vários problemas que ocorrem com o uso indiscriminado de medicamentos, tais como: Aspectos sócio-econômicos e Aspectos relacionados à saúde.

3) Como o trabalho com o Uso Racional de Medicamentos, em sala de aula, poderia colaborar para diminuir os problemas do uso indiscriminado desses produtos?
              A informação e a avaliação crítica, promovidos pela atuação educacional, podem ser os passos iniciais para a adoção de modos de vida mais benéficos em busca da qualidade de vida. E educar em saúde não carece ser uma ocupação específica do professor, mas, de toda a comunidade escolar. Entendo que não adianta ter conhecimento de algo; é preciso converter o conhecimento adquirido em ação.
              Portanto, é essencial informar, educar e alertar os alunos e as pessoas sobre o verdadeiro papel dos medicamentos na saúde, assim como sobre os riscos e os cuidados que se precisa ter no seu emprego, promovendo o seu consumo de forma conscienciosa e racional.

4) Quando uma pessoa apresenta um sintoma (por exemplo, febre, dor de cabeça, tosse) sempre é necessário o uso de medicamentos? E de remédios?
              Entre os medicamentos de venda aberta, recomendados para dor, tosse e febre, contam-se centenas de marcas, mas, diversos podem ocasionar reações alérgicas, intoxicações, interações medicamentosas e outras implicações adversas.        Portanto, antes de tomar qualquer medicamento livre de prescrição, procure o seu farmacêutico, ele é o profissional recomendado para dar uma orientação apropriada.

5) Na sua opinião, podem existir implicações a saúde de se usar um medicamento tarjado (tarja vermelha) sem prescrição médica?
              Medicamento de tarja preto ou de tarja vermelha com retenção de receita[5] - unicamente podem ser dispensados mediante preceito médico ou odontológico, com receita específica e retenção da mesma na farmácia ou drogaria. Por serem à base de princípios ativos que atuam no sistema nervoso central ou por terem efeitos colaterais graves, como a dependência física ou psicológica, esses medicamentos são sujeitos a controle específico.

6) Quais os centrais cuidados para garantir o uso adequado de medicamentos?
              Os principais cuidados são seguir a terapêutica prescrita pelo médico, tomar os medicamentos nos horários certos, manter uma boa alimentação, praticar exercícios físicos e comparecer ao serviço de saúde nos dias previstos são exemplos dos cuidados que os pacientes devem ter. Agregar o uso dos medicamentos à rotina diária e adequá-lo ao estilo de vida de cada pessoa facilita a adesão.

7) A automedicação é um costume comum na população. Mas quais as implicações desta prática?
              O uso impróprio de medicamentos pode levar desde a uma reação alérgica leve até a um quadro grave de intoxicação, além de disfarçar alguns sintomas de uma doença mais grave, atrasando o diagnóstico e comprometendo o tratamento.

8) Por que é importante trabalhar este assunto em sala de aula?    
              A facilidade de aquisição de medicamentos sem determinação médica, ou seja, a prática da automedicação, é a solução imediatista para minimizar seus problemas de saúde, contudo, essa prática deve ser repensada e corrigida. A automedicação é um fenômeno potencialmente danoso à saúde individual e coletiva, pois nenhum medicamento é inócuo ao organismo. (VILARINO, J. F. 1998[6]).
              Logo, é muito importante trabalhar este tema, pois, o mesmo causa vários danos à saúde de todos os envolvidos na educação.

9) Como podemos inserir o assunto o “Uso Racional de Medicamentos” e “a propaganda de medicamentos” para professores da Educação Especial, professores da APAE de Nova Aurora?
              Vários elementos publicitários sobre-estimam as qualidades dos produtos, às vezes imprecisas, e excluem seus aspectos negativos e perigosos, comunicando, muitas vezes, o falso conceito de que o medicamento divulgado é seguro, sem contra-indicações e/ou sem conseqüências colaterais.
              Exaltam, somente, os benefícios dos medicamentos e os colocam em uma posição principal na terapêutica, sem apresentar contextos com embasamento em informações científicas consideradas válidas.
              Assim, acabam levando ao uso impróprio de medicamentos, à automedicação e, em determinados casos, originam detrimentos financeiros pela obtenção de um produto impotente ou impróprio, o que pode intensificar gastos do Estado frente à gravidade de patologias ou pela ocorrência de reações adversas.
              De forma comum, as propagandas de medicamentos não alertam os consumidores para a ocorrência de que nenhum medicamento é imune de riscos e que, por isso, deve ser consumido com responsabilidade, mesmo os de venda isenta de prescrição médica.
              As demandas concernentes aos temas medicamentos e propaganda de medicamentos precisam ser trabalhadas no currículo, por meio de uma relação dos vários elementos curriculares, principalmente os de Língua Portuguesa, Ciências, Estudos Sociais, Artes e Educação Física. Esse trabalho favorece a “formação de atitudes e aquisição de conhecimentos, de valores que condicionem os comportamentos dos alunos, estimulando-os a tomar atitudes acertadas nesse campo”. (PCN’s, 1997[7]).

10) O que nós, professores, podemos fazer para mudar essa situação no ambiente Escolar, sobre o “Uso Racional de Medicamentos” na Escola da APAE de Nova Aurora?
              A Promoção da Saúde é uma metodologia educacional que conta com uma dimensão muito importante: a participação das pessoas envolvidas no processo, reforçando a responsabilidade e os direitos dos indivíduos e da comunidade pela sua própria saúde. (ANDRADE, V.; COELHO, M. A. S. M., 1997[8]).
              Neste argumento, a Educação em Saúde constitui-se em uma importante ferramenta de promoção da saúde.
              Portanto, a escola desempenha um papel destacado na formação dos cidadãos para a construção de costumes saudáveis, na medida em que o grau de escolaridade e de desenvolvimento cognitivo colabora para o nível de saúde da população, proporcionando a valorização da saúde, o discernimento e a participação de resoluções relativas à saúde individual e coletiva.
              Assim, na escola, educar para a saúde constitui promover saúde, desenvolvendo no aluno as competências imprescindíveis para o exercício da cidadania, da capacitação para o auto cuidado, bem como a apreensão de que a saúde é um direito e responsabilidade pessoal e social. (DISTRITO FEDERAL, 2002[9]).



[2]Carta de Ottawa - Documento resultante da Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada no Canadá (OMS, 1986).

[6] VILARINO, Jorge F. Perfil da automedicação em município do Sul do Brasi. Brasil. Rev. Saúde Pública, 32 (1): 43-9, 1998.

[7] PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: 1ª a 4ª série. Brasília: MEC/SEF, 1997. v. 8 e 9.
[8] ANDRADE, V.; COELHO, M. A. S. M. O processo educacional na promoção de ações comunitárias em saúde. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 43, n. 1, p.57-63, 1997.

[9] DISTRITO FEDERAL. Secretaria do Estado de Educação. Currículo da educação básica das escolas públicas do Distrito Federal; séries iniciais. 2º ed/Secretaria de Estado de Educação. – Brasília: Subsecretaria de Educação Pública, 2002.

SENSO COMUM NO COTIDIANO EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DA CIÊNCIA

SENSO COMUM NO COTIDIANO
EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DA CIÊNCIA

SOUZA, Vera Lúcia Pereira de.

              Considerando o dia de trabalho de um trabalhador do setor de construção civil é uma boa maneira para compreender como se processa o conhecimento vindo do senso comum. Esse trabalhador, comumente, começa seu dia muito cedo para poder se deslocar até o lugar onde a construção está sendo levantada. Para tanto, é necessário usufruir do serviço de condução pública, o que lhe demanda certa informação quanto aos trajetos de ônibus, trens e metrô, dependendo dos serviços à disposição.
              As atividades dentro da construção, também, são as mesmas feitas em construções anteriores, adotando um mesmo modelo de repetição, facilmente conseguido pelo trabalhador. Seu conhecimento profissional permite-lhe certo comando das técnicas de edificação, mesmo ignorado conceitos e termos técnicos corriqueiros a engenheiros e arquitetos.
              Por sua vez, a inclusão dessa ciência obtidas no dia-a-dia é imprescindível para que qualquer indivíduo da sociedade possa interatuar e viver socialmente. São essas repetições no cotidiano que compõem a rotina individual.
              Esses costumes prosseguem a repetir-se até que alguma transformação origine uma quebra nesse padrão. Quando isso ocorre, uma nova rotina logo é instaurada e vem substituir à anterior.
              Outro exemplo seria o ato de estudar, que faz parte do hábito semanal de muitas crianças e jovens de todo o mundo. A escola beneficia a convivência entre semelhantes, no que diz respeito à faixa etária e ao período do ciclo de vida, desde a infância.
              Mais tarde, a passagem do Ensino Fundamental para o Ensino Médio, e deste para o Ensino Superior, e deste para a Pós-Graduação, que é o nosso caso, fornece ocasiões para o estabelecimento de novos hábitos, condutas, relações e valores.
              Outra atividade prática do uso da ciência é ligar a lâmpada e colocar roupas na máquina de lavar são práticas que, ao serem apreendidas por nós, tornam-se parte do costume diário.



REFERÊNCIA


PERES, A. M.; KALINOSKI, C.; MEIER, M. L. Especialização em Saúde para Professores do Ensino Fundamental e Médio. Módulo I: Unidade 2: O Processo de Pesquisar e o Projeto de Intervenção. Curitiba: UFPR / CIPEAD, 2012. Disponível em .  Acesso em 02 set 2012.




A IMPORTÂNCIA DOS AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM NOS PROCESSOS COLABORATIVOS DE ENSINO-APRENDIZAGEM

A IMPORTÂNCIA DOS AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM NOS PROCESSOS COLABORATIVOS DE ENSINO-APRENDIZAGEM

SOUZA, Vera Lúcia Pereira de.

              O progresso tecnológico permitiu uma nova realidade educacional: a educação mediada pelo computador. A oferta de Educação a Distancia apoiada por Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs) tem se aumentado velozmente, como resposta à crescente necessidade de formação continuada, resultante das alterações dos meios e modos de produção.

              O simples emprego da tecnologia computacional no ensino, no entanto, não implica no sucesso do procedimento ensino-aprendizagem. Os softwares administradores, ou plataformas, têm características e funcionalidades próprias, que necessitam estar a serviço do desempenho global do procedimento de aprendizagem.

              Os benefícios da EAD no que concerne à crescente necessidade de desenvolvimento continuado são indiscutíveis. No entanto, há criticas relacionadas quanto ao emprego indiscriminado da EAD. A exagerada oferta de cursos que não apresentam os pré-requisitos mínimos de qualidade leva a uma “prevenção” sobre as reais potencialidades da EAD.

              Inserida no conjunto maior da educação, a EAD necessita considerar, no campo de sua prática, uma fundamentação teórica considerada fundamental em qualquer forma de ensino. Deste modo, refletir em EAD, segundo Neder (1999), implica refletir na educação em sua magnitude situando-a num conjunto sócio-politico-econômico-cultural.

              Para Freire (1979), o ensino não pode ser simplesmente um repasse de instruções ao aluno, a educação como prática do livre-arbítrio não é transferência ou a transmissão do conhecimento nem da cultura; não é a expansão de conhecimentos técnicos; não é a ação de depositar informações ou acontecimentos nos alunos; não é a perturbação dos valores de uma cultura produzida; não é o empenho de adaptação do aluno no seu ambiente. A educação como prática da liberdade é sobre tudo e antes de tudo uma circunstância realmente gnosiológica[1]. Aquela em que a ação cognoscente não finaliza no elemento cognoscível, visto que se comunica a outros sujeitos, do mesmo modo cognocentes.

              No que pertence à avaliação da aprendizagem, da mesma forma que as teorias gerais do ensino permanecem válidas no novo argumento, as teorias de avaliação são do mesmo modo aplicáveis nos contextos de educação presencial e de educação não presencial. A avaliação em Educação a Distância apresenta, no entanto, algumas especialidades; aparecem novos aspectos que carecem ao mesmo tempo ser analisados, como a logística de implementação, que abrange, do mesmo modo, avaliar os tutores, a avaliação da estratégia Instrucional e a avaliação do material didático. 

              O ambiente colaborativo de aprendizagem surgiu a partir da prática do que se denomina Trabalho Cooperativo Apoiado por Computador (Computer Supported Cooperative Work – CSCW) inventado por Geif e Cashman, em 1984.  Mais ultimamente, a expressão “Aprendizagem Cooperativa Auxiliada por Computador” (Computer Supported Cooperative Learning – CSCL) tem sido muito empregada e indica uma abordagem que busca expandir a visão do computador como uma ferramenta, conceituando-o como um ambiente facilitador da aprendizagem. (LUCENA, 1997).

              O Ambiente Colaborativo de Aprendizagem é um ambiente de intercâmbio que apóia a construção, entrada e intercâmbio de informações pelos participantes, visando à construção social do conhecimento.

              Para o desenvolvimento de cursos on-line, que contenham como desígnio o trabalho colaborativo, é essencial esquematizar as estratégias pedagógicas ambicionadas e eleger os recursos apresentados no software gerenciador, de maneira a se conseguir maior eficácia do método ensino-aprendizagem, valorizando a conhecimento do aluno na construção do conhecimento.

              Quando o aluno entra em contato com o conteúdo, por meio dos documentos e das atividades indicadas, estabelece-se um processo interno de construção de significados. Quando se realizam as discussões em torno dos pontos de vista e explanações individuais, a partir das ferramentas disponibilizadas pela plataforma, aparece um procedimento de ressignificação do conteúdo, onde as conclusões particulares são enriquecidas pelas conclusões, opiniões e discussões de todo o grupo.

              Para a produção e implementação de cursos, empregando a metodologia da educação a distancia, apoiado pelas novas tecnologias da comunicação e da informação, considera-se indispensável à formação de equipes multidisciplinares constituídas por especialistas das áreas de Psicologia, Pedagogia, Informática, Design, além do especialista do conteúdo a ser examinado. Essa equipe necessita ter, ao mesmo tempo, características de transdisciplinaridade, ou seja, suas atuações e os produtos da sua especialidade são exclusivamente sobrepostos para compor o produto final, mas combinados de tal forma que as ajudas individuais não são mais visivelmente identificadas no produto final, prevalecendo, portanto  o fruto da equipe.

              É importante estar informado que o desenvolvimento do aluno é um identificador de aspectos que abrangem o desenho instrucional do curso, o material didático, a adequação do conteúdo, o método de tutoria, entre outros. 

              A avaliação precisa ser sistemática e processual, fazer parte do dia-a-dia, levantando questionamentos. Necessita ter seu enfoco não exclusivamente na avaliação das plataformas e suas ferramentas, ou na avaliação do desempenho do aluno, mas ao mesmo tempo na avaliação do material didático, do método de tutoria, da infra-estrutura e da adequação do projeto instrucional.

Conclusão

              A EAD sem dúvida tem merecimentos, sendo o fundamental deles a democratização do conhecimento, que permite o ingresso a educação superior a muitas pessoas que, de outra forma não poderiam estudar. Mas, essa democratização não pode ser a perda de qualidade da educação.

              Deve ser considerado, igualmente, que o problema de qualidade de educação não está comprometendo apenas a educação à distância ou ao do terceiro grau, mas ao ensino de forma total, principalmente ao ensino fundamental, pois, muitos problemas do ensino de primeiro, segundo e terceiro graus são decorrentes de alfabetização mal feita, o que reflete em toda a vida acadêmica e chega a afetar o desempenho do indivíduo na sociedade, que visivelmente sabe ler; mas, de fato, não consegue apreender o que está escrito, analfabeto funcional, o que afeta a sua capacidade de conhecimento e capacitação para a tomada de decisões.

              Os problemas dos primeiros anos de estudo se tornam mais manifestos e acarretam maior perda quando o indivíduo passa a compartilhar de ensino à distância, sistema que demanda muita leitura, sobre assuntos em que as colocações de autores foram feitas e outras, corriqueiras no ensino presencial.

              O aluno de EAD, que já tiver desvantagens devido a problemas na educação básica - que se compõe em falha do Estado em prover ensino de qualidade - pode não ter consciência dos obstáculos do sistema EAD e das suas limitações pessoais, o que poderá levá-lo a desconhecer a desvantagem da sua formação quando em relação a aluno do sistema presencial. E isso constitui, ainda, desvantagens concorrentes na procura de melhor qualificação formal ou de ação profissional, o que não é ético nem moralmente admissível.

              Dado o exposto, clama-se a sociedade por demandar do Estado a concretização da modalidade EAD de forma não só a proporcionar a acessibilidade, mas especialmente, a qualidade. O desafio é fiscalizar a atuação da oferta dessa educação em todos os campos, ou seja, pública ou privada. E o papel de acompanhar o desenvolvimento desse procedimento é da sociedade civil por meio dos Conselhos.

              Refletir a respeito de como a educação do país está sendo posta e desenvolvendo constituirá viver em uma sociedade que prima pela cidadania, ética e desenvolvimento para presente e vindouras gerações.

              Inovar não é apenas a emprego de novas técnicas, é especialmente, o desenvolvimento de uma postura que envolve o modo de ser, atuar e pensar.


REFERÊNCIAS


DANSKI, M. T. R.; MAFTUM, M. A. Especialização em Saúde para Professores do Ensino Fundamental e Médio. Módulo I: Contextual: Ensino, Pesquisa e projeto de Intervenção. Curitiba: UFPR / CIPEAD, 2012. Disponível em <http://www.cursos.nead.ufpr.br/mod/resource/view.php?id=121030>. Acesso em 07 ago 2012.


FREIRE. P. Extensão ou Comunicação? 4 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.


LUCENA, M. Um modelo de escola aberta na internet: KIDLINK no Brasil. Braspot: Rio de Janeiro, 1997.



[1] Gnosiologia (também chamada Gnoseologia) é o ramo da filosofia que se preocupa com a validade do conhecimento em função do sujeito cognoscente, ou seja, daquele que conhece o objeto. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gnosiologia

SÍNTESE SOBRE A UAB

SÍNTESE SOBRE A UAB[1]

SOUZA, Vera Lúcia Pereira de.


              As transformações tecnológicas aparecem em vários âmbitos sociais, especialmente nas empresas e no mundo do trabalho e bem menos nas universidades e escolas. Percebem-se campos adversos e de conflito entre aqueles que já reuniram as tecnologias de informação e de comunicação (TIC) e aqueles que não o fizeram. Seguem alguns preconceitos, muitos deles resultados da falta de informação, do modismo, utilização imprópria, incoerências e confusões conceituais pautadas com a expressão “Educação a Distância”.


O Sistema UAB foi criado pelo Ministério da Educação no ano de 2005, em parceria com a ANDIFES e Empresas Estatais, no âmbito do Fórum das Estatais pela Educação com foco nas Políticas e a Gestão da Educação Superior. Trata-se de uma política pública de articulação entre a Secretaria de Educação a Distância - SEED/MEC e a Diretoria de Educação a Distância - DED/CAPES com vistas à expansão da educação superior, no âmbito do Plano de Desenvolvimento da Educação - PDE. (CAPES, 2012).



              Identifica-se uma extensa literatura originada em torno de assuntos concernentes à Educação a Distância. Verifica-se que têm muitas polêmicas a respeito desta temática, envolvendo a sua conceituação, terminologia, incoerências entre abordagens educacionais, propostas pedagógicas e curriculares de programas de EaD. De tal forma que no Brasil, quando se escuta a expressão “Educação a Distância” não se tem conhecimento e não se tem nitidez do que a pessoa efetivamente deseja expressar e a que tipo e modalidade de EaD ela se refere. Nota-se do mesmo modo, que têm experiências diversificadas nas instituições: algumas deixam a desejar, por exemplo, em relação à infra-estrutura, ao desenho pedagógico, aos recursos humanos, didáticos e tecnológicos seguidos; outras experiências com a Educação a Distância parecem importantes, expressivas e são referências no campo.
              Logo, tem-se como referência a UAB.



              Moran (1999) define educação a distância como o método de ensino-aprendizagem intercedido por tecnologias, em que professores e alunos ficam separados espacial e/ou temporalmente, mas podem estar conectados, interligados por tecnologias, tais como: telemáticas, a Internet, o correio, o rádio, a televisão, o vídeo, o CD-ROM, o telefone, o fax e diversas tecnologias.
              Já, García Aretio (2002) defende que a educação a distância se baseia em uma conversação didática mediada entre o professor (instituição) e o estudante que, situado em ambiente diferente daquele, estuda de forma autônomo, cooperativa, colaborativa, entre pares. Define a EaD como um princípio tecnológico de conversação bidirecional, que pode substituir o intercâmbio face a face entre professor e aluno como ambiente preferencial de ensino. Avalia a atuação sistêmica e conjunta de vários recursos didáticos, bom como o apoio de uma organização e de tutoria para propiciar a aprendizagem autônoma e flexível dos alunos.
              Nessa perspectiva, o pesquisador supracitado vem defendendo a utilização da expressão Educação a Distância e da sigla EaD. Crê que ambas juntam e representam por completo toda a heterogeneidade de denominações, de julgamentos e de significados que decorrem sendo adotados por vários autores, tais como, Michael G. Moore (1972), Börje Holmberg (1977), R. S. Sims (1977), Anthony Kaye e Graville Rumble (1979), Norman Mckenzie (1979), Desmond Keegan (1980), M. L. Ochoa (1981), Charles A. Wedemeyer (1981), Miguel Casas Armengol (1982), Hilary Perraton (1982), Otto Peters (1983), Gustavo Cirigliano (1983), Victor Guédez (1984), France Henri (1985), Miguel A. Ramón Martinez (1985), José Luis Garcia Llamas (1986), Ricardo Marin Ibáñez (1986), Dereck Rowntree (1986), Jaume Sarramona (1991), entre outros considerados expressivos no campo da EaD.
              Belloni (2003) explica que a expressão aprendizagem aberta e a distância (AAD) - open distance learning[2] - é a mais empregada desde os anos 90, segundo indica a Comissão da União Européia. Tal designação vem sendo avaliada a mais lógica com as alterações sociais, econômicas e da educação moderno, por juntar díspares formas e regimes de EaD. É diferenciada pela flexibilidade, abertura dos sistemas de educação e de aprendizagem, prevê a autonomia, a intercâmbio do aluno e a constituição de conhecimentos no processo educacional.
              Na legislação brasileira, o Decreto 5.622, de 19 de dezembro de 2005 regulamenta o Art. 80 da LDBEN, n. 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Em seu art. 1º define que a EaD caracteriza-se: “como modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos” (BRASIL. MEC/SEED. 2005).
              Na UAB a legislação é demandada por:


Portarias: Portaria n° 1.369, de 07 de dezembro de 2010; Portaria n° 7, de 9 de fevereiro de 2011; Portaria n° 318, de 02 de abril de 2009; Portarias n° 370 e 371, de 29 de março de 2010; Portaria nº 75, de 14 de abril de 2010; Portaria nº 79, de 14 de abril de 2010; Portaria nº 78, de 14 de abril de 2010; Portaria nº 77, de 14 de abril de 2010; Portaria nº 40 de 21 de janeiro de 2010; Portaria Normativa nº 2, de 10 de janeiro de 2007.
Leis: Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009; Lei nº 11 507, de 20 de julho de 2007; Lei nº 11 502, de 11 de julho de 2007;  Lei nº 11.273, de 06 de fevereiro de 2006.
Decretos: Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005; Decreto nº 5.800, de 08 de junho de 2006.
Resoluções: Resolução nº 49, de 10 de setembro de 2009; Resolução CD/FNDE nº 26, de 5 de junho de 2009; Resolução CD/FNDE nº 24, de 04 de junho de 2008; Resolução FNDE/CD/Nº 044, de 29 de dezembro de 2006. (CAPES, 2012).


              Deste modo, a EaD, por meio da UAB, permite o ensino, a educação, a auto-aprendizagem, por meio de recursos didáticos, pedagógicos e tecnológicos formados com atividades a serem desenvolvidas por docente e aluno afastados fisicamente, em qualquer período e ambiente.
              Protegidas as peculiaridades que abrangem cada um dos julgamentos e definições, apresentados percebe-se que em díspares níveis, podem ser identificados alguns dos princípios epistemológicos e educacionais que surgem se configurando como fundamentais na pedagogia atual. Ou seja, percebe-se o conceito de Educação a Distância numa ótica aumentada, baseada em desígnios que vêem as abordagens construtivistas e sócio-interacionistas.
              Deste modo, Moran, García Aretio, Belloni e o art.1º do Decreto 5.622 de 19/12/2005, especificam em suas considerações, as possibilidades de intercâmbio entre pares, a comunicação, a socialização, a conversação e a interatividade entre os envolvidos no procedimento educacional midiatizado por TIC. Eles consideram, do mesmo modo, a necessidade da aprendizagem expressiva, colaborativa, cooperativa, a autonomia, a independência nos estudos, a autogestão do aprendizado, a motivação de professor e aluno. Ainda, a responsabilidade do formador e do estabelecimento na oferta de cursos em EaD, a democratização do ingresso à formação, a abertura para vários tipos de concepção e métodos educacionais, a flexibilidade para os estudos no educação virtual e semipresencial.
              Perante o exposto, concebe-se a educação (e, por imediato, a Educação a Distância), baseada numa perspectiva humanista, emancipadora, reflexiva e crítica, segundo defendeu Freire (1974). Ou seja, o procedimento educacional tem por fim promover a mudança do homem no contexto em que habita em contraposição à educação bancária, do mesmo modo combatida pelo autor. (ibid. 1974, p.9).
              Na perspectiva da educação libertária e transformadora, entende-se que docentes e estudantes são seres articulados no período e no ambiente, num mundo complexo, dinâmico, em constante transformação. São sujeitos de relação de comunicação, de reflexão, de conversação, que decidem a partir de análise crítica e da ação de conhecer. A ação-reflexão permite a ambos, tomar consciência de si mesmos, compreender, interrogar, considerar, transformar a realidade, compreender dificuldades e possibilidades que a restringem, numa visão crítica do mundo e estimulante da criatividade humana. Imediatamente, são seres da práxis que atuam e modificam o mundo. Por isso, não podem ser restringidos a espectadores inertes da realidade, nem ser transportados por outros sujeitos. (FREIRE, 1974).
              Freire (1974) esclarece que a expressão práxis de origem grega, é empregada para nomear uma relação dialética entre o homem e a natureza, na qual, ao modificar a natureza com seu trabalho, o homem transforma-se a si mesmo. Deste ponto de vista, a prática se distingue por considerar como problemas fundamentais para o homem os problemas práticos de sua existência real. O termo prática, do mesmo modo de origem grega, decorre de praktikós, do prattein e indica atuar, cumprir, fazer. Refere-se à atuação que o homem desempenha sobre as coisas, aplicação de um conhecimento em uma atuação real, efetiva. Este conceito, de sentido prático-utilitário, sugere uma atuação do homem para resolver seus problemas imediatos do cotidiano, empregando-se de conhecimentos já obtidos em atuações concretas do dia a dia.
              Considera-se importante os subsídios freireanos, como princípios fundamentais para a prática docente e a formação de professores em EaD. Por exemplo, auxiliam a compreender que como um dos subsídios da práxis humana, a educação provoca o novo, produz significação e, como tal, expande as possibilidades formativas. Nessa definição, a EaD aparece como um novo componente educacional e formativo, como oportunidade de criação de novas relações, de estímulo à criatividade humana, à reflexividade, ao diálogo, à seqüência da formação e à promoção de rupturas no aparelho educativo vigente.
              Deste modo, defende-se nesta ocasião a EaD, numa perspectiva transformadora, que beneficia não só a construção de conhecimentos, mas a procura a identidade e o desenvolvimento individual e profissional do professor-tutor e dos cursistas, em concordância com o pensamento crítico, reflexivo e pesquisador recomendado por Freire. Uma EaD que destaca a reflexão na relação pedagógica, permiti ao professor-tutor e ao estudante um “refletir” profundo acerca do seu conhecimento e do seu fazer, com ambientes para a discussão, o intercâmbio e a análise de idéias com seus pares. Tudo isto, com vistas a promover a modificação dos aprendizados bancárias, opressores e violentos que por acaso seguem.
              É esta a educação à distância - sem extensões - que preocupou ser nesta ocasião considerada.
              A Educação à Distância mediada pela internet não precisa ser encarada como uma panacéia, pois unicamente ela não será à saída dos problemas educativos da população; todavia sim como um instrumento para ser empregado em conjunto com o ensino presencial.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BELLONI, M. L. Educação a Distância. Campinas, SP: Associados, 2003.

BRASIL. MEC. Secretaria de Educação a Distância. Decreto Nº 5.622, De 19 de Dezembro de 2005. Regulamenta o art. 80 da Lei no 9.394, o art. 84, incisos IV e VI, alínea "a", da Constituição, e tendo em vista o que dispõem os arts. 8o, § 1o, e 80 da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. In Regulamentação da EAD no Brasil. Disponível em <http://portal.mec.gov.br/seed>.  Acesso em: 08 ago 2012.

BRASIL. Lei no. 9.394, de 20 dez. 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996.

CAPES. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Diretoria de Educação a Distância Universidade Aberta do Brasil. Disponível em <http://uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6:o-que-e&catid=6:sobre&Itemid=18>. Acesso em: 06 ago 2012.

FREIRE, P. Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 28ª ed. 2005.

FREIRE, P. Papel da educação na humanização. In Uma educação para a liberdade. Porto: Porto ed. 1974.

GARCÍA, L. A. Digitais de ensino e aprendizagem (EAD) Notícias Educação a Distancia (BENED). E-newsletter. 2003, abril. Disponível em <http://www.uned.es/catedraunesco-ead/6>. Acesso em 08 ago 2012.    

GARCÍA, L. A. Resistência, de mudança e de melhores práticas em educação a distância do novo. Revista Ibero americana de Educação a Distancia Vol. 5, n. 2, dezembro, 2002, p.9-36. Disponível em <www.uned.es/catedraunesco-ead>. Acesso em 08 ago 2012.

MORAN, J. M. O que é educação à distância. Salto para o Futuro. Artigo disponível: <http://www.eca.usp.br/prof/moran/dist.htm>.  Acesso em 08 ago 2012.




[1] Universidade Aberta do Brasil. Fonte: <http://uab.capes.gov.br>. Acesso em 06/08/12.
[2] Abra o ensino à distância. Fonte Microsoft Translator.