sábado, 12 de maio de 2012

Mapas Conceituais na Educação Especial


Mapas Conceituais na Educação Especial

SOUZA, Vera Lúcia Pereira de

Para introduzir os alunos especiais, no meu caso, alunos com deficiência intelectual e múltipla, nos mapas conceituais, fizemos uma atividade de criação sobre um tema previamente estudado pelo nosso grupo. Nesta atividade utilizamos o computador para criar os mapas conceituais, pois, vários alunos, não dominam a leitura e escrita, mas conseguem jogar vários jogos da internet. Utilizamos o Inspiration. 

O Inspiration é um aplicativo que permite a criação de diagramas e mapas mentais. O programa oferece uma interface com diversas formas de criação e maneiras de arranjar as informações. No modo de diagrama, você pode organizar os balões em forma de árvore, como estrutura da web ou como árvore dividida em dois lados. O Inspiration oferece modelos pré-definidos de templates para que você possa criar mapas e diagramas simples sem perder muito tempo. Para as pessoas que preferem gastar alguns minutos com o programa, também é possível fazer a montagem dos balões desde o início até o fim, de forma personalizada. Fonte: http://www.baixaki.com.br/download/inspiration.htm#ixzz1tRnUQbat

Expliquei aos alunos que o mapa de conceitos é uma representação escrita da relação entre conceitos, opiniões, objetos e ou atividades. Depois simulamos a criação de um mapa:
- Fizemos uma lista de conceitos a serem colocados no mapa;
- Abaixo de cada um dos centrais conceitos, listamos os conceitos mais característicos para formar um aglomerado de idéias relacionadas;
- Traçamos as linhas de conexão entre as idéias centrais e as outras idéias;
- Escrevemos, sobre as linhas, as etiquetas (subsídios de ligação) especificando como os conceitos estão ligados;
- Traçamos as linhas das ligações cruzadas que relacionam conceitos de uma parte do mapa a conceitos de outra parte do mapa. As ligações cruzadas foram sob a forma de setas que indicavam o sentido da ligação;
Expliquei que podem existir várias formas, igualmente corretas, de "mapear" o mesmo conceito.

A atividade foi realizada assim:
- Os alunos foram divididos em pequenos grupos. Cada dois alunos ficaram em um computador;
- O nosso tema estudado foi o “Uso inteligente da água”. Cada grupo, de dois alunos, criaram conceitos importantes em relação ao tema trabalhado e registraram no computador, utilizando o software Inspiration. Logo em seguida, os alunos consideraram os termos mais importantes para se incluído no mapa em construção.
- Os alunos "supervisionaram" o meu trabalho que organizei e reorganizei os conceitos que os alunos escolheram e desenhei as linhas de conexão para mostrar a ligação entre os conceitos.
- Durante a atividade, encorajei a discussão acerca dos conceitos que podem ou não ser adicionados, da sua relevância relativa e acerca das formas como eles podem se relacionar.
-Após concluirmos o mapa, o mesmo foi gravado e impresso, para cada aluno.

Dificuldades
Uma das maiores dificuldades encontrada é que os alunos têm um pouco de dificuldade na leitura e escrita, devido o comprometimento intelectual, só que tudo foi superado, pois, os mesmos amam trabalhar no computador.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Curso direitos humanos_powerpoint_projeto_2011


Curso direitos humanos_powerpoint_projeto_2011 — Presentation Transcript

Vera Lúcia Pereira de Souza

  • 1. APRESENTAÇÃO PROJETO DE REABILITAÇÃO BASEADA NA COMUNIDADECursista: Vera Lúcia Pereira de SouzaPólo: IvaiporãTurma: 02Tutora presencial: Ivone da Silva BarretoTutora à distância: Roseneide Batista Cirino
  • 2. APRESENTAÇÃO PROJETO DE REABILITAÇÃO BASEADA NA COMUNIDADE A APAE de Nova Aurora enquanto parte da rede sócio-assistencial do município de Nova Aurora implanta e implementa o Programa de Reabilitação Baseada na Comunidade que se aproxima mais a nossa realidade enquanto entidade de atendimento Especializado a pessoa com deficiência. ANÁLISE INSTITUCIONAL Dentro da rede sócio assistencial se encontra a Escola de Educação Especial “Novo Amanhecer” – APAE de Nova Aurora, atualmente atende 117 pessoas com deficiência intelectual, realizando um trabalho nas áreas de Educação eSaúde voltado a habilitação e reabilitação física e cognitiva e agora executa um serviço tipificado pela NOB/SUAS, se enquadrando também como prestadora de serviços sócio assistenciais.
  • 3. ANÁLISE SITUACIONAL A APAE de Nova Aurora enquanto parte da rede sócio-assistencial do município de Nova Aurora implanta e implementa o Programa de Reabilitação Baseada na Comunidade que se aproxima mais a nossarealidade enquanto entidade de atendimento Especializado a pessoa com deficiência.Dentro da rede sócio assistencial se encontra a Escola de Educação Especial “Novo Amanhecer” – APAE de Nova Aurora, atualmente atende 117 pessoas com deficiência intelectual, realizando um trabalho nas áreas de Educação e Saúde voltado a habilitação e reabilitação física e cognitiva e agora executa um serviço tipificado pela NOB/SUAS, se enquadrando também como prestadora de serviços sócio assistenciais.
  • 4. PROBLEMATIZAÇÃOVivendo em uma sociedade inclusiva, as pessoas com deficiência podem direcionar suas aptidões físicas, sensório-perceptivas, cognitivas e psicossociais para as atividades educativas,profissionais, culturais, esportivas e espirituais, que compõem as áreas da atuação ocupacional. Assim, o Programa de Reabilitação Baseada na Comunidade defende a posição de que o desenvolvimento de um projeto de Reabilitação Baseada na Comunidade seja desenvolvido no sentido da eqüidade de oportunidades das pessoas com deficiência.
  • 5. PÚBLICO ALVOPessoas com deficiência, seus familiares e todos os alunos matriculados na Escola de Educação Especial “Novo Amanhecer” – APAE de Nova Aurora. OBJETIVOS GERAL- Promover integração da pessoa com deficiência na comunidade efortalecer as discussões para que a mesma busque sua cidadania eautonomia.
  • 6. OBJETIVOS ESPECÍFICOS- Realizar o diagnóstico junto aos participantes do projeto acerca das pessoas com deficiência no município de Nova Aurora eprosseguir no trabalho de busca das pessoas com deficiência no município de Nova Aurora;- Prosseguir no trabalho de busca das pessoas com deficiência nomunicípio de Nova Aurora;- Informar as pessoas com deficiência, suas famílias e comunidade emgeral sobre acessibilidade, direitos, orientações sobre diversasdeficiências e assuntos pertinentes à autonomia e cidadania;
  • 7. OBJETIVOS ESPECÍFICOS-Produzir e divulgar material informativo sobre a rede de serviço,legislação e direitos concernentes à pessoa com deficiência;- Promover ações que garantam o direito de convivência da pessoa comdeficiência com sua família e comunidade;- Mobilizar a comunidade para discutir e buscar os direitos da pessoacom deficiência.
  • 8. REVISÃO LITERÁRIAO Decreto Federal 5296/2004 define acessibilidade como “condiçãopara utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dosespaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida”.Assim, “a assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas”. (LOAS, Art. 1º)
  • 9. METODOLOGIAA instituição se propõe a fazer parcerias com órgãos do município comoassociações comunitárias, organizações de igreja, setores públicos ecomerciais.As reuniões terão duração de cerca de 40 minutos, uma vez ao mês eserão descentralizadas, com temas diferenciados e sem datas pré-determinadas.O Programa de Reabilitação Baseada na Comunidade pretende realizarum encontro mensal e assim atingir jovens, adultos, casais, famílias depessoas com deficiência, líderes e a comunidade em geral, não podendoassim anunciar um número a ser atingido, pretendendo apenaspotencialmente abordar o maior numero possível de pessoas.
  • 10. METODOLOGIASerão discutidos assuntos como:- Convívio da pessoa com deficiência na comunidade e na família;- Acessibilidade da pessoa com deficiência (adaptação de ambientes);- Inclusão Social;- Direitos da pessoa com deficiência;- Aspectos emocionais e a pessoa com deficiência;- O papel do cuidador;- Envelhecimento e Deficiência Intelectual – Desafios e perspectivas emabordagem interdisciplinar – Casa Lar;- Os diferentes tipos de deficiência.As reuniões e palestras acontecerão no período vespertino, terãoduração de 40 (quarenta) a 60 (sessenta) minutos, com utilização derecursos que levem os participantes a compreensão do tema abordado.
  • 11. RECURSOS – FINANCEIROSOs recursos do Piso de Transição de Média Complexidade(Portaria 440/2005 – MDS – Art. 1º), no valor mensal de R$1.425,71 (um mil quatrocentos e vinte e cinco reais e setenta e umcentavos), repassados pelo Fundo Nacional de Assistência Social –FNAS ao Fundo Municipal de Assistência Social – FMAS ao FundoMunicipal de Assistência Social – da aplicação em despesas decusteio nas rubricas de Materiais de Consumo (combustíveis emgeral, material de expediente, materiais para reparos emanutenção dos bens imóveis, gêneros alimentícios, materiaispedagógicos, folders e banners) outros materiais que se fizeremnecessário. Assim como contratação de pessoa física ou jurídicapara realização de exposição dialogada com o público alvo doPrograma.
  • 12. RECURSOS – HUMANOSPara desencadear este serviço disponibiliza-se da CoordenaçãoPedagógica e Vice-Direção e Direção da Escola Especial e profissionaisde Serviço Social, Psicologia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia eFisioterapia da Escola de Educação Especial - APAE de Nova Aurora.para realização de exposição dialogada com o público alvo do Programa. MONITORAMENTO E AVALIAÇÃOA avaliação e o monitoramento serão realizados através de formuláriosentregues as famílias, onde serão avaliados o impacto na vida cotidianados usuários.O serviço contará com avaliação anual a ser realizada pela APAE e suaequipe, acompanhado pelo Conselho Municipal de Assistência Social,através de relatório elaborado pela entidade executora.
  • 13. CRONOGRAMA ATIVIDADE MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ REUNIÕES E PALESTRAS X X X X X X X X BUSCA ATIVA X X X X X X X X VISITA DOMICILIAR X X X XIDENTIFICAÇÃO DA DEMANDA X X
  • 14. CRONOGRAMA DOS TEMAS A SEREM ESTUDADOS MÊS TEMA PROFISSIONAL MAIO Acessibilidade da pessoa com deficiência Assistente Social (adaptações de ambientes) JUNHO Inclusão Social Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupacional JULHO Direitos da Pessoa com Deficiência Toda a Equipe AGOSTO Aspectos emocionais da Pessoa com Psicóloga DeficiênciaSETEMBRO O papel do cuidador Assistente SocialOUTUBRO Envelhecimento e Deficiência Intelectual Vice-Direção e PsicólogaNOVEMBRO Os diferentes tipos de deficiência PsicólogaDEZEMBRO Encerramento Toda a Equipe
  • 15. REFERÊNCIASAPAE (2006). Estatuto da APAE de Nova Aurora, 2006.APAE (2009). Regimento Interno da Escola de Educação Especial “Novoamanhecer”, 2009.APAE (2010). Projeto Político Pedagógico da Escola de Educação Especial“Novo Amanhecer”, 2010.BRASIL. Constituição. Constituição da República Federativa do Brasil,1988. Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1988.BRASIL. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre as necessidadeseducativas especiais. Brasília, Coordenadoria Nacional para Integração daPessoa Portadora de Deficiência (CORDE), 1994.
  • 16. BRASIL. Lei Federal nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Dispõe sobre as Diretrizes eBases da Educação Nacional. Diário Oficial da União, Brasília, 23 dez.1996.Brasil, Ministério da Educação e do Desporto. Adaptações curriculares, estratégias para aeducação de alunos com necessidades especiais: parâmetros curriculares nacionais.Secretaria de Educação Especial - Brasília, 1998.FONSECA, Ricardo Tadeu Marques da. O trabalho da pessoa com deficiência e a lapidaçãodos direitos humanos: o direito do trabalho, uma ação afirmativa – São Paulo : LTR, 2006.LDB - Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. LEI No. 9.394, de 20 de dezembro de1996. D. O. U. de 23 de dezembro de 1996.LIMA, Niusarete Margarida. Acessibilidade – Brasília: Secretaria Especial dos DireitosHumanos, 2005.RIBEIRO, Lauro Luiz Gomes. Manual dos Direitos da Pessoa com Deficiência. São Paulo,Verbatim, 2009.
  • Fonte: http://www.slideshare.net/verinhapereira/curso-direitos-humanospowerpointprojeto2011-12893917

CONTRIBUIÇÕES DE PIAGET E VYGOTSKI PARA A EDUCAÇÃO


CONTRIBUIÇÕES DE PIAGET E VYGOTSKI PARA A EDUCAÇÃO

SOUZA, Vera Lúcia Pereira de

Asseguro que não é possível dar um caráter pragmático à teoria. Afinal, discorrendo-se em educação, alguém pode conhecer intimamente uma série de teorias pedagógicas, e, no entanto não ser um bom professor. Do mesmo modo todos nós conhecemos professores que não conhecem teorias, que atuam muito mais por instinto e são extraordinários na sala de aula.

O problema é que intuição não abona profissionalismo. Uma coisa é saber empregar metodologias didáticas adequadamente, outra é ter discernimentos claros e precisos que nos ajudem a avaliar e a eleger os procedimentos a serem empregados e igualmente a fazer escolhas referentes à sua adaptação.

Mas a constituição desses critérios não é algo que ocorre da noite para o dia, nem provoca transformações imediatas na nossa prática.

É neste sentido que a teoria não tem um emprego pragmático. Ou seja, não tem como instruir alguém a ser construtivista em um curso de 08 horas, do modo que ele saia dali como um professor radicalmente diferente, extrapolando todas suas carências de formação e todos seus vícios neuróticos que assinalam seu jeito de se relacionar na sala de aula.

As duas teorias, que são foco deste curso, têm ainda uma característica peculiar: não são teorias pedagógicas. Embora exerçam enorme influência na prática pedagógica no mundo inteiro, sua aplicação está longe de ser imediata.
 
Vygotski tem certa vantagem em relação a Piaget, pelo fato de ter delineado uma teoria psicológica, e há muito tempo a psicologia tem sido um dos temas de apoio da pedagogia. Às vezes até mesmo tornando-se quase que o núcleo do pensamento pedagógico.

Já a teoria de Piaget não pode ser vista como uma teoria psicológica, pelo menos não no sentido usual que damos à Psicologia. A ansiedade de Piaget era epistemológica, ou seja, esclarecer como pode se produzir o conhecimento científico e as ciências.
 
Para chegar a isso Piaget teve de fazer um caminho pela Psicologia, já que a sugestão dele era de uma Epistemologia científica, fundamentada em pesquisas experimentais e não em reflexões filosóficas. Por isso a escolha por fazer uma Epistemologia Genética.

Por outro lado Piaget leva uma vantagem sobre Vygotski por ter estabelecido uma teoria muito concreta, baseada em estudos realizados durante, aproximadamente, 50 anos. Tendo tido o período que Vygotski não teve, e sem a repreensão que este teve, para fazer as correções de rumo e construir um "edifício teórico" admirável.

Se essas teorias não são pedagógicas. Se as teorias, principalmente aquelas que se relacionam indiretamente com nossa prática, não têm proveito, então para que conhecê-las?

Costumo expor que uma teoria é como um par de óculos. Por se tratar de uma tentativa de esclarecimento da realidade nos faz enxergar de modo diferente essa realidade.

O diferencial dessas duas teorias em relação a outras tantas que foram consagradas nos meios pedagógicos é que se versam de compreensões dialéticas. Ou seja, as duas buscam extrapolar a visão linear que destaca o processo de desenvolvimento, ou mesmo de aprendizagem do sujeito, de fora para dentro ou de dentro para fora.
Isso quer dizer que são teorias interacionistas.

Alguém poderá estar se indagando se não estou distorcendo, afinal é costume falar-se que Vygotski é interacionista, enquanto que Piaget é construtivista. Trata-se neste caso de uma facilitação feita pelos marcadores de plantão que necessitam estar o tempo todo rotulando as teorias, as propostas, as políticas, e que às vezes nem sequer conhecem direito o que estão a marcar.

Verdadeiramente Piaget deu destaque em seus estudos ao caráter construtivo, ou seja, das constituições efetivadas pelo sujeito. Já Vygotski deu destaque aos processos de trocas, ou seja, de intercâmbio do sujeito com seu meio, especialmente seu meio social e cultural.

A apreensão da realidade de forma dialética (interacionista) nos demanda compreender que não se pode ficar buscando o vencedor na batalha entre o que é de dentro e o que é de fora. É por isso que Piaget indica outro questionamento que é como o de dentro e os de fora se relacionam.

Por isso que não apresenta nada de construtivista (muito menos de interacionista) a prática pedagógica que se funda em "permitir que o aluno construa sozinho, sem intermédio do professor". Deste modo como não tem nada de construtivista aquele que quer fazer com que os alunos se tornem alfabéticos até o final do bimestre, como se ficasse possível dominar-se a aprendizagem desses alunos.

Acredito que as contribuições dessas teorias para a prática pedagógica passam fundamentalmente pela possibilidade de se abranger melhor a dinâmica dos processos que incidem no ato de ensinar/aprender.

É neste significado que podemos imaginar a ajuda da teoria piagetiana, em primeiro lugar (em ordem temporal de ocorrência na educação e não em ordem de importância) a apreensão dos estágios do desenvolvimento cognitivo.

Piaget faz um esclarecimento subentendido de que a criança raciocina de modo desigual do adulto, explicando, de modo inclusivo, as estruturas de conjunto que diferenciam cada estágio, possibilitando que se possa apreender melhor como a criança pensa, sem fazer dela um adulto em miniatura, nem reduzi-la à categoria de um bichinho que necessita ser adestrado para se transformar (de fora para dentro) em um adulto.

Claro que uma leitura linear dessa teorização a respeito dos estágios fez com que se cometessem declarações incoerentes com a concepção piagetiana, como por exemplo, o que se pregou por muito tempo, de que não se pode educar a criança nem além nem abaixo do estágio em que ela está.
Transformava-se, deste modo, os estágios em uma camisa de força. Este tipo de declaração não considera a concepção dialética que tem como embasamento a dinamicidade dos procedimentos e que a criança, ou o aprendiz vai movimentar-se com as estruturas antecipadamente construídas por ele para compreender o novo, até mesmo, resgatando processos mais primitivos, se for o caso, mas por outro lado, se esse conhecimento ensinado não for de certo jeito além das competências do aluno, ele não ficará provocado a construir novas estruturas.

Quanto mais estudo Piaget, Vygotski, Paulo Freire e outros, e quanto mais discuto e converso com professores que estão no dia-a-dia da escola, lutando para que seus alunos não se tornem simplesmente repetidores de matéria, mas que aprendam a lidar melhor com o mundo (e não serem lidados pelo mundo) empregando os conteúdos ensinados na escola, mais me convenço de que o núcleo do trabalho educativo devem ser as relações e não os conteúdos.

Não estou expondo que os conteúdos não sejam importantes, mas a possibilidade da construção de conhecimentos novos está no estabelecimento de relações sobre relações ou coordenações sobre coordenações, o nosso aluno só poderá compreender o que lhe ensinamos se oferecermos oportunidade para que ele estabeleça relações diferentes (muito mais do que aquelas poucas que nós como professores podemos preparar para que ele faça) dos diversos aspectos que compõe o conteúdo e do conteúdo com outros conteúdos e circunstâncias.

Afinal, como Piaget confirma bem, por meio de conceitos como o da implicação significante, que são as relações que nos possibilitam dar significação. E essa significação esta sujeito, portanto, das atuações que o sujeito executa que são na verdade interações e não somente da significação assinalada pelos outros que o rodeiam.

Para terminar quero reforçar a ideia de que as teorias de Piaget e de Vygotski vão ser extraordinárias para a educação à medida que nos auxiliarem a ver de modo diferente os fenômenos que envolvem a mesma.

Elas não são de forma alguma a panaceia dos problemas da educação. No entanto não creio em nenhum caminho que se possa trilhar na educação, desde a Psicopedagogia, até a gestão escolar que não parta de princípios dialéticos, que apreenda que a realidade não é explicável a partir de um traçado simples de causa/efeito ou antes/depois, mas sim de uma apreensão de que essa realidade se forma como rede de relações, e que, portanto, toda ação necessita ter presente que não terá condições de mudar tudo, mas que não deixará de dar sua marca.

É neste significado que se faz necessário procurar um complemento para os apoios desses dois mestres do século XX, em outros não menos brilhantes como Freud e Paulo Freire, bem como em tantos outros que nos acendem a esperança de uma apreensão dialética dos fatos educacionais.

No processo ensino-aprendizagem compete ao professor como mediador interagir com seu aluno: explorando a sua Zona Desenvolvimento Proximal, as funções mentais superiores e a linguagem. A educação   se concretizará quando professor e aluno compartilharem significados, isto é, o desenvolvimento aguardado do pensamento elaborado.

Nossa procura, que a meu ver deveria se tornar missão, é a de beneficiar, sempre, a conservação da paz, compreendendo que o uso de valores éticos, da criatividade, das vivências e da reflexão constante de nossas atitudes pode levar cada um de nós a compreender os questionamentos de cada um como indivíduo.

Criando harmonia e significado para construção de um novo tempo é uma luta que devemos divulgar em nosso atuar, em nosso fazer, em nosso ser, estar num mundo em complexa interdependência.

Criar harmonia e sentido para construção de um novo tempo só será possível quando re-significarmos nossas vivências e compreendermos que é possível encarar as heterogeneidades com atitudes menos egoístas e mais altruístas.

É preciso procurar o encontro com o outro numa perspectiva de alegria, fé, esperança, renovação da própria vida.

Só assim, outro mundo será efetivamente possível.






terça-feira, 8 de maio de 2012

Seu filho tem discalculia?

 Seu filho tem discalculia?

Roberta Cerqueira


"Eu odeio matemática”. Muita gente já ouviu ou falou esta frase em algum momento. O horror aos números é algo comum, mas, que pode estar associado a um transtorno chamado discalculia. Um estudo dirigido pelo matemático Brian Butterworth, mostrou que das 1.500 crianças examinadas, de 3% a 6% apresentaram sinais do problema. Outros estudos desenvolvidos nos Estados Unidos, Europa e Israel mostram que a prevalência da discalculia nestes países varia entre 3% e 6,5%. Apesar da frequência significativa da doença no mundo, pouca gente ouviu a falar a respeito.

Discalculia é um transtorno que atinge as habilidades matemáticas, as quais incluem ainda as aptidões linguísticas, perceptuais e de atenção. Não decorre de uma lesão cerebral, mas de disfunções neurológicas ou imaturidade das funções neurológicas.

São falhas na representação dos fatos numéricos, na execução dos procedimentos aritméticos e impossibilidade de realizar cálculos mentais, de reconhecer a relação entre os diversos conceitos e utilizá-los na resolução de situações-problema.

De acordo com o médico, psicoterapeuta e educador, Antônio Pedreira, trata-se de um problema que merece atenção, principalmente na infância, entre sete e 10 anos, quando os sinais são mais evidentes.
“Quando uma criança tem discalculia ela tem dificuldade até mesmo de distinguir números de letras e consequentemente de executar operações simples como somar e subtrair, ou seja, são pessoas com dificuldade de memória relativa a números”, destaca.

Os discalcúlicos têm inteliquisição da linguagem (oral, leitura, escrita) acontece muitas vezes de forma mais acelerada, e em muitos casos apresentam habilidades poéticas.

Perder objetos frequentemente e passar uma imagem de distraídos é também comum entre os portadores deste transtorno. Podem ainda apresentar dificuldades para entender ordens e planejar estratégias em jogos, de lembrar regras e fórmulas. É comum demonstrarem dificuldades em dançar porque não lembram a sequência de passos de uma dança.

Eles parecem ter medo de lidar com números, sentem-se incapazes de realizar cálculos mentalmente, demonstram dificuldades de entender o conceito e o manejo das operações e até mesmo de fixar a tabuada. Demoram mais para compreender as operações inversas como subtração e divisão.

As noções de espaço e tempo também são comprometidas e demoram de aprender a ler as horas, saber a sequência dos meses, do ano, lidar com as noções temporais de dia, mês e ano, ontem, hoje, amanhã e outras.

Diagnosticando a discalculia

Não é um diagnóstico fácil. Na pré-escola, já é possível notar algum sinal do distúrbio, quando a criança apresenta dificuldade em responder às relações matemáticas propostas - como igual e diferente, pequeno e grande, muito e pouco, etc. “O diagnóstico nesta fase é complexo, pois a criança ainda não foi exposta ao processo de aprendizagem dos conceitos aritméticos, que, em geral, ocorre a partir dos sete anos, época em que os símbolos matemáticos e as operações são introduzidos e os sintomas da discalculia se evidenciam”, lembra Pedreira.

O médico destaca ainda que situações de constrangimento, em relação a esta limitação, podem desenvolver outros transtornos. “Se a criança é ridicularizada, taxada de burra pelos colegas na escola ou mesmo em casa, ela tem a sua autoestima abalada e o problema tende a ganhar uma proporção ainda maior”, diz.

O aluno discalcúlico pode adquirir o medo de enfrentar novas experiências de aprendizagem por desacreditar na sua capacidade. Pode também passar a apresentar problemas de conduta, tornar-se agressivo, apático ou desinteressado.

“Por isso, é importante que se tenha, o quanto antes, o diagnóstico, o qual poderá ser feito de forma multidisciplinar, incluindo avaliação psicopedagógica e neurológica e, assim, começar o tratamento adequado”, reforça.


Publicada: 26/02/2012 06:58| Atualizada: 26/02/2012 06:57 Tribuna da Bahia -  http://www.tribunadabahia.com.br/news.php?idAtual=107125

Livro: Aprendizagem e desenvolvimento humano: avaliações e intervenções

Livro: Aprendizagem e desenvolvimento humano: avaliações e intervenções


Segue em anexo o livro: Aprendizagem e desenvolvimento humano: avaliações e intervenções de VALLE, TÂNIA GRACY MARTINS DO (Organizador) contem 226 págnas. Este e-book é distribuição gratuito da editora Unesp. Segue abaixo - sinopse do livro.


Endereço: 

Sinopse do livro:

Os textos que compõem esta obra analisam importantes temas na área da Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Abordam diferentes aspectos e faixas etárias, tais como: estímulos textuais e palavra digitada na infância; variáveis demográficas e desenvolvimento infantil de crianças contaminadas por chumbo; treinamento de habilidades sociais em pré-escolares; contato físico em pré-escolares nas interações e relações sociais; percepções de mães e crianças sobre as relações familiares permeadas por violência sexual do pai contra a filha; conceito de família segundo adolescentes de zona rural e urbana; estereótipos sexuais no discurso de mães na educação de seus filhos; a relação entre ex-cônjuges e entre pais e filhos após a separação conjugal; processos de ensino e de aprendizagem profissionais da docência nas séries iniciais; concepções dos professores do ensino fundamental sobre TDAH. Os estudos são embasados em tratamentos metodológicos atualizados e discutem questões relevantes sobre processos de desenvolvimento humano em face dos avanços da pesquisa cientifica.






domingo, 29 de abril de 2012

Vídeo: Pedro Demo fala sobre Educação pela pesquisa

 Vídeo: Pedro Demo fala sobre Educação pela pesquisa

Fonte: http://youtu.be/Vra4hclt7kw

Pedro Demo, PhD em Sociologia e professor da Universidade de Brasília (UnB), defende a importância da prática da pesquisa científica na escola, desde os anos iniciais.

Ola Pessoal!
Como vão?
Tudo bem?
Acredito que Pedagogia da Pesquisa pode e deve funcionar como uma metodologia de pesquisa, pedagogicamente estruturada, permitindo tanto a produção de conhecimentos novos para o campo da educação, como igualmente formando sujeitos pesquisadores, críticos e reflexivos.
É importante, portanto, que durante uma Pedagogia da Pesquisa exista tempo e ambiente para que cada sujeito vá se apropriando das transformações que se operam em suas definições de mundo, que implicam, fundamentalmente, transformações em sua perspectiva como sujeito.
Um grande abraço a todos e que Cristo continue nos iluminando e habitando os nossos corações...
Verinha

terça-feira, 17 de abril de 2012

OMS - O Relatório Mundial sobre a Deficiência


OMS - O Relatório Mundial sobre a Deficiência


O Relatório Mundial sobre a Deficiência reúne informações científicas para melhorar a vida dessas pessoas 
(Versão em Língua Portuguesa do World Report on Disability – Relatório Mundial sobre Deficiência, publicação da Organização Mundial da Saúde e do Grupo Banco Mundial)

07/03/2012
São objetivos:

Prover aos governos e à sociedade civil uma análise abrangente sobre a importância da deficiência e as respostas oferecidas, baseada nas melhores evidências disponíveis.

Recomendar ações em âmbito nacional e internacional.
 


RECOMENDAÇÕES DO RELATÓRIO

Ainda que muitos países já tenham começado a realizar ações para melhorar as vidas das pessoas com deficiência, ainda resta muito a ser feito. As evidências elencadas por este Relatório sugerem que muitas das barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência são evitáveis e que as desvantagens associadas à deficiência podem ser superadas.

São nove as recomendações. A sua implementação requer o envolvimento de diferentes setores - saúde, educação, proteção social, trabalho, transporte, habitação - e diferentes atores - governos, organizações da sociedade civil (incluindo as organizações de pessoas com deficiência), profissionais, o setor privado, indivíduos com deficiência e suas famílias, o público em geral, o setor privado e a mídia.

É essencial que os países adaptem suas ações aos seus contextos específicos. Onde os países estão limitados por restrições em seus recursos, algumas das ações prioritárias, particularmente aquelas que requerem a assistência técnica e a construção de capacidades, podem ser inclusas em um contexto de cooperação internacional.

 

Confira abaixo, um resumo das recomendações:

Recomendação 1: permitir o acesso a todos os sistemas e serviços regulares. O processo de inclusão requer um comprometimento em todos os níveis- considerado através de todos os setores e construído no âmbito das legislações, padrões, políticas, estratégias e planos novos e existentes. A adoção do desenho universal e a implementação de adaptações razoáveis são duas abordagens importantes.

Recomendação 2: investir em programas e serviços específicos para pessoas com deficiência. Além dos serviços regulares, algumas pessoas com deficiência podem requerer o acesso a medidas específicas, tais como a reabilitação, serviços de apoio, ou treinamento. A reabilitação e o treinamento vocacional podem gerar oportunidades no mercado de trabalho.

Recomendação 3: adotar uma estratégia e planos de ação nacionais sobre a deficiência. Uma estratégia nacional sobre a deficiência estabelece uma visão consolidada e abrangente de longo prazo para a melhora do bem-estar das pessoas com deficiência, e deve cobrir tanto as políticas e programas regulares quanto os serviços específicos para pessoas com deficiência. O plano de ação operacionaliza a estratégia em curto e médio prazos ao estabelecer as ações concretas e os prazos para sua implementação, a definição das metas, a relação das agências responsáveis, e o planejamento e a alocação dos recursos necessários.

Recomendação 4: envolver as pessoas com deficiência. Pessoas com deficiência geralmente possuem uma visão singular de sua deficiência e sua situação. Na formulação e implementação de políticas, leis e serviços, as pessoas com deficiência devem ser consultadas e ativamente envolvidas.

Recomendação 5: melhorar a capacidade dos recursos humanos. A capacidade dos recursos humanos pode ser melhorada por meio da educação, treinamento e recrutamento efetivos. Uma revisão dos conhecimentos e competências dos funcionários em áreas relevantes pode oferecer um ponto de partida para o desenvolvimento de medidas apropriadas para sua melhoria.

Recomendação 6: oferecer financiamento adequado e melhorar a acessibilidade econômica. O financiamento adequado e sustentável de serviços públicos prestados é necessário para assegurar que eles alcancem todos os beneficiários pretendidos e serviços de qualidade sejam oferecidos. Para melhorar a acessibilidade econômica de bens e serviços para pessoas com deficiência e para compensar os custos extras associados à deficiência.

Recomendação 7: aumentar a conscientização pública e o entendimento das deficiências. O respeito mútuo e a compreensão contribuem para uma sociedade inclusiva. Portanto, é vital aumentar a conscientização sobre a deficiência, confrontar as percepções negativas, e representar a deficiência com justiça. Coletar informações sobre o conhecimento, crenças e atitudes sobre a deficiência pode ajudar na identificação de falhas na compreensão da opinião pública que podem ser corrigidas por meio da educação e da disseminação pública de informações.

Recomendação 8: aumentar a base de dados sobre deficiência. Internacionalmente, metodologias para a coleta de dados sobre as pessoas com deficiência precisam ser desenvolvidas, testadas em diversas culturas, e aplicadas consistentemente. Os dados precisam ser padronizados e internacionalmente comparáveis para estabelecer um ponto de referência e monitorar o progresso das políticas relacionadas à deficiência e da implementação da CDPD nacional e internacionalmente.

Recomendação 9: fortalecer e apoiar a pesquisa sobre deficiência. A pesquisa é essencial para o aumento da compreensão pública sobre questões relacionadas à deficiência, a oferta de informações para a elaboração de programas e políticas dedicados à deficiência, e para a alocação eficiente de recursos. Esse Relatório recomenda áreas para a pesquisa sobre a deficiência incluindo o impacto de fatores ambientais (políticas, ambiente físico, atitudes) sobre a deficiência e como mensurá-lo; a qualidade de vida e bem-estar das pessoas com deficiência; o que funciona para a superação das barreiras em diferentes contextos; e a efetividade e resultados de serviços e programas para pessoas com deficiência.
FONTE: Portal Nacional de Tecnologia Assistiva


Lumiy´s Visão e Percepção: http://lumiy.wordpress.com

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla 2012

Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla 2012




A campanha da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla 2012 está pronta.

Texto Base

Em busca de igualdade. Estamos aqui!

“Queremos uma igualdade que reconheça as diferenças e uma diferença que não reproduza desigualdades.”
No ano de 2012 a Fenapaes propõe para o movimento uma reflexão sobre o tema da igualdade social, muito difundido por movimentos de classes e minorias étnicas, mas também é pauta das questões que envolvem defesa de direitos das pessoas com deficiência intelectual e múltipla.
 
Igualdade social foi e é tema de debates nas mais variadas sociedades da tradição histórica, como é possível citar a revolta da plebe romana, que representa claramente a incidência da luta pelo direito de ser tratado como igual. Esta revolta resultou na formulação do primeiro código de leis escritas de Roma que ficou conhecido como as “Leis das Doze Tabuas” escrito em 450 a.C., que tinha por princípio assegurar a participação política dos trabalhadores livres nas decisões do governo romano. Posteriormente foram requisitados os direitos dos plebeus poderem casar-se com patrícios, conhecida como lei da Canuléia. Outra reinvindicação conquistada por esta classe pouco tempo depois foi à lei da Licínia Sextia, que proibia a escravização de trabalhadores livres por motivo de dívidas.

As conquistas destes direitos envolveram anos de lutas civis em forma de manifestos e conflitos sociais. Apesar de serem muitas as conquistas pleiteadas e garantidas neste período da história romana é possível afirmar que o objetivo último desta mobilização de classes era apenas um, a garantia de ser tratado como igual. 

Se fizermos uma incursão histórica sobre o tema da igualdade em suas diversas esferas, verificaremos que esta questão é ainda mais antiga, em Roma já tinha grande destaque social, posteriormente representou o sonho coletivo da revolução francesa cuja bandeira definia como princípios sociais almejados a “Igualdade, Liberdade e Fraternidade”. Porém, apesar da importância da análise histórica do tema, a proposta é que na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, seja feita uma análise conceitual dentro da realidade de cada município, que possa servir de orientação para futuros debates junto ao poder público e para os movimentos sociais, relacionando-a a atual condição da ação de defesa de direitos da pessoa com deficiência.

Conceitualmente igualdade social designa equivalência, um estado de paridade com os demais sujeitos que compõem o meio. Este estado exige uma harmonia entre os seres em relação ao meio, que consiga manter uma equiparação social na perspectiva de um estado macro, que consiga dar conta do crime bárbaro da marginalização e invisibilidade social e que expropria o sujeito de sua dignidade.

Em relação às pessoas com deficiência a busca pelo direito de ser tratado como igual não é tão antiga como as lutas de classes em Roma, tendo tomado força em nosso país somente no início do século XX com os movimentos sociais de defesa e garantia de direitos. Primeiramente formados por familiares e profissionais que conseguiam ter uma visão do ser para além da condição de deficiência e posteriormente contando com a participação do estado através de políticas públicas advindas das pressões sociais feitas pelos movimentos civis organizados. Dessa maneira tem-se início a luta social das pessoas com deficiência, sob o caminho da “superação de barreiras”, não só arquitetônicas, mas também culturais para que se torne possível o seu reconhecimento social, como cidadãos de iguais direitos e oportunidades. Este paradigma ganhou força após a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência ratificada pelo Brasil em 2008, juntamente com seu protocolo facultativo que conceitua a condição de deficiência da seguinte forma: “Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de natureza física, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade com as demais pessoas”. 

Então a deficiência não é mais a barreira que impede a pessoa de exercer uma atividade plena. Neste sentido a questão agora toma uma conotação coletiva, a situação não é mais tratada como a pessoa com deficiência em relação à sociedade, mas temos uma sociedade deficiente que não consegue agregar as especificidades de cada individuo. Dessa forma a sociedade estaria com a demanda de suprimir as deficiências do individuo através de suas estruturas. O trabalho para o segmento não deve ser entendido dentro de um parâmetro paternalista, mas sim no sentido de impulsionar o sujeito para frente, prezando seu desenvolvimento autônomo e independente, buscando sempre uma visão holística do individuo e de sua condição. 

O atual paradigma orientador da luta por direitos preconiza uma sociedade para todos que garantia um desenvolvimento positivo dos sujeitos, então nesta perspectiva a deficiência seria eliminada, pois cada sujeito estaria atendido em suas necessidades e teria garantiria de seu crescimento. Para isso é necessário acabar com as barreiras que estigmatizam as deficiências e não abrem espaços para o desenvolvimento de habilidades e competências, fortalecendo os movimentos sociais de defesa de direitos, o investimento na criação de locais especializados no atendimento e prestação de serviços para este público, levando-se em consideração a especificidade de cada deficiência e o investimento no monitoramento das políticas públicas nos estados e municípios.

Como plano de ação para conquista de igualdades o Governo Federal regulamentou por meio do Decreto 7.037 de 21 de dezembro de 2009 o Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH3), que contempla o tema da igualdade de direitos para as pessoas com deficiência dentro da perspectiva de uma sociedade para todos.

De modo geral o Brasil tem tido grandes conquistas legais para a população com deficiência, como podemos citar a Convenção, PNDH3, Decreto 32/96, Decreto 76/11 e o Plano viver sem limites. Porém o que ainda falta é a concreta efetivação das políticas públicas. Podemos então afirmar que ainda estamos longe de uma sociedade igualitária e justa, mas no caminho e com instrumentos corretos para perseguir este objetivo. 

Questões para debate
1. Analisando os documentos acima citados (Convenção, PNDH3, Decreto 32/96, Decreto 76/11 e o Plano viver sem limites), o grupo considera que estas medidas são suficientes para garantir uma sociedade para todos?
2. Na perspectiva do grupo, o que poderia ser feito para tornar a sociedade brasileira igualitária e justa para as pessoas com deficiência?
3. Qual é o impacto do tema igualdade em seu município?
4. Como a Apae na condição de entidade de defesa de direitos está atuando na conquista da igualdade da pessoa com deficiência Intelectual e múltipla?

Erivaldo Fernandes Neto