sexta-feira, 4 de novembro de 2011

DESENVOLVIMENTO COGNITIVO EM VYGOTSKY: “ENTRE OS IDEAIS DA MATEMÁTICA E A HARMONIA DA IMAGINAÇÃO”

DESENVOLVIMENTO COGNITIVO EM VYGOTSKY: “ENTRE OS IDEAIS DA MATEMÁTICA E A HARMONIA DA IMAGINAÇÃO”

Disponível: www.unimep.br/~mncruz/desenvolvimento-cognitivo-28-anped.pdf

Cruz, Maria Nazaré da – UNIMEP
GT: Psicologia da Educação / n.20
Agência Financiadora: Não contou com financiamento
Introdução
 
Na perspectiva da psicologia histórico-cultural de Vygotsky, o conhecimento do mundo é sempre mediado pelas práticas culturais, pelo outro e, especialmente, pela linguagem. Pela palavra, na relação com o outro, referimo-nos ao mundo, classificando, recortando, agrupando, representando, significando, enfim, o real. São, assim, múltiplas as funções da linguagem e os modos de seu funcionamento. Contudo, quando analisamos os textos vygotskianos (VYGOTSKY, 1987b, 1989, 1994) sobre a elaboração conceitual da criança e do adolescente, evidencia-se a ênfase nos aspectos lógico-conceituais desse processo e nos modos pelos quais os sujeitos avançam em direção à capacidade de abstração, em sua relação com o outro e com as palavras.

Neste ensaio, partimos da problematização desta ênfase e da visão teleológica do desenvolvimento cognitivo, aí implicada, cujo ponto de chegada seria o raciocínio lógico-abstrato. Tal problematização será feita no interior mesmo das concepções de Vygotsky, que construiu, através de sua obra, a possibilidade de compreensão do desenvolvimento humano como algo que se faz na relação concreta entre os homens e com a cultura e que, portanto, implica variabilidade, descontinuidades, oscilações. Terá como um de seus pontos de referência a argumentação desenvolvida por Wertsch (1995) sobre a existência, na obra vygotskiana, de marcas de uma racionalidade iluminista e de uma ambivalência, entre um funcionamento semiótico descontextualizado e outro contextualizado, em relação ao telos do desenvolvimento.

Tomaremos, como eixo central desta discussão, as concepções de Vygotsky - iluminadas pelas contribuições de Bakhtin – sobre a significação como processo, como produção de sentidos contextualizada historicamente, que se faz num “equilíbrio dinâmico entre os ideais da matemática e a harmonia da imaginação” (VYGOTSKY, 1987b, p. 253), encaminhando nossas reflexões em direção a uma melhor compreensão da tensão entre pensamento lógico-conceitual e imaginação. Procuraremos, assim, argumentar que é possível atribuir à imaginação uma força explicativa dos processos de conhecimento do mundo pela criança, desenvolvendo um modo de interpretar as relações que se estabelecem entre imaginação, linguagem e racionalidade abstrata que, segundo nos parece, têm importantes decorrências para a compreensão do desenvolvimento cognitivo, numa perspectiva histórico-cultural.


O processo de elaboração conceitual e a mediação pela palavra: estabilidade e transformação.


Em suas análises do processo de elaboração conceitual, Vygotsky destaca os diferentes tipos de organização lógica dos objetos que subjazem ao significado da palavra, valorizando as abstrações, análises e generalizações que a criança é capaz de articular, conduzida pela palavra, nos distintos momentos de seu desenvolvimento intelectual. Em sua perspectiva, o significado da palavra modifica-se durante o desenvolvimento da criança, modificando os modos pelos quais a realidade é refletida e categorizada pela palavra, bem como os níveis de generalização nele implicados. Assim, a palavra reflete e generaliza a realidade e o significado é concebido como uma unidade de generalização e interação social (VYGOTSKY, 1987).

Esta concepção parece implicar que, no processo de interação verbal, o mundo da experiência é recortado/categorizado de acordo com as significações que aí se produzem. O significado da palavra, enquanto unidade de generalização e interação social, pode ser tomado como o elemento que articula a realidade em categorias culturalmente elaboradas. No decorrer da história social, formas de percepção e de organização dos elementos do mundo físico e social foram elaboradas pelos diferentes grupos sociais, codificadas nos sistemas lingüísticos e difundidas socialmente e, como afirma Fontana (1996, p.13), “passaram a fazer parte do conjunto de funções psicológicas do homem, constituindo meios objetivos para a abstração e generalização”.

Para Vygotsky, os processos que conduzem à elaboração conceitual são, portanto, sempre mediados pela palavra e, conquanto iniciem precocemente na infância, o que encontraremos então são apenas “formações intelectuais que realizam funções semelhantes àquelas dos conceitos verdadeiros” (VYGOTSKY, 1989, p.50). Na elaboração conceitual, a palavra é, primeiro, mediadora do processo, para depois se tornar símbolo do conceito. A criança explora o real, o material sensorial, e opera intelectualmente sobre ele, orientada pela palavra em funcionamento nas interlocuções.

Por implicar a articulação de processos complexos, como a abstração e a generalização, a elaboração conceitual desenvolve-se, na infância, através do que Vygotsky (1987b, 1989) nomeou pensamento por complexos e conceitos potenciais. A principal função dos complexos é estabelecer elos e relações, é unificar, reunir, agrupar. Já a dos conceitos potenciais é isolar, abstrair. Assim, enquanto no pensamento por complexos o traço abstraído do conjunto dos elementos é instável e seu predomínio é sempre temporário, nos conceitos potenciais o traço abstraído não se perde facilmente entre outros, uma vez que “a totalidade concreta dos traços foi destruída pela sua abstração” (VYGOTSKY, 1989, p. 68). Deste modo, só há conceito quando os traços abstraídos são novamente sintetizados e, nesse processo, a palavra tem o papel fundamental de dirigir os processos mentais envolvidos.

A ênfase colocada em processos lógicos de abstração e de generalização, na explicação da formação de conceitos permite entrever, em Vygotsky, uma posição que Wertsch (1995) identifica como racionalista, bem como a postulação de uma direcionalidade intrínseca ao processo de desenvolvimento cognitivo, cujo telos seria a racionalidade abstrata. Considerando, como ponto de partida de sua argumentação, que em Vygotsky os conceitos abstratos são vistos como emergindo em um ponto adiantado do desenvolvimento histórico e individual, Wertsch entende ainda que a racionalidade dessas formulações relaciona-se à concepção de que um potencial semiótico para a descontextualização predominaria no processo de elaboração conceitual.


A noção de contexto

Em sua concepção (WERTSCH, 1985a, 1995), é possível identificar nos escritos de Vygotsky dois potenciais semióticos na organização da linguagem humana. A linguagem pode ser usada na reflexão abstrata, como indicariam as análises vygotskianas sobre o desenvolvimento dos conceitos e do raciocínio científico, nas quais ele teria focalizado processos de descontextualização do significado. Mas há também modos de funcionamento da linguagem radicados na contextualização, implicados nas concepções de Vygotsky sobre a função indicativa da fala, bem como sobre a fala interna e a noção de sentido.

A compreensão de Wertsch (1985a) sobre a idéia de contexto pode referir-se – como ele próprio destaca - tanto a um contexto lingüístico quanto extralingüístico. Este último pode ser explicado como o conjunto de objetos, ações e todos os eventos não lingüísticos co-presentes espaço-temporalmente com a palavra. Já o primeiro, é o contexto fornecido pela própria linguagem. Para Wertsch (op.cit.), a utilização que Vygotsky faz da noção de contexto é geralmente referida ao contexto lingüístico imediato da palavra. Os conceitos seriam, assim, um modo descontextualizado de funcionamento da linguagem, porque implicariam relações signo-signo que permanecem estáveis entre contextos.

Contudo, podemos problematizar esta idéia considerando que, se o contexto lingüístico pode ser definido como aquele fornecido pela própria linguagem, a concepção mesma da existência de relações signo-signo implicaria a noção de contexto. Além disso, a generalização – aspecto central do pensamento conceitual – é explicada por Vygotsky (1996, p. 189) como “a desconexão das estruturas tangíveis e a conexão nas do pensamento, nas do sentido”, o que nos faz inferir que o traço fundamental do conceito é a independência do contexto espaço-temporal e situacional, mas não do contexto lingüístico.

Assim, a descontextualização aludida por Wertsch (1985a, 1995), no caso dos conceitos, reduz-se à estabilidade, à constância das relações signo-signo. Porém, se considerarmos que, para Vygotsky (1987b, 1989), os conceitos e os significados das palavras – como formações históricas que são – estão em constante transformação, é preciso, ao menos, relativizar essas imagens de estabilidade e de constância.

Além disso, a noção vygotskiana de contexto parece poder ser ampliada pela incorporação das contribuições de Bakhtin a este respeito, como destaca Wertsch (1985b), já que alguns comentários de Vygotsky sugerem uma compreensão implícita de que o conjunto de textos que constitui a estrutura simbólica de uma cultura pode constituir o contexto mais geral de um enunciado e contribuir na determinação do sentido. Para Bakhtin (1990), a idéia de contexto implica a perspectiva dos interlocutores, o contexto ideológico e discursivo, e não apenas o situacional, concreto, relativo ao momento da interlocução. A noção bakhtiniana de contexto incorpora, então, o conjunto de opiniões, pontos de vista e julgamentos de valores.

Em nosso ponto de vista, esta noção de contexto está implicada diretamente nas concepções de Vygotsky e de Bakthin sobre a significação. Como já observamos, para Vygotsky, os significados das palavras são produtos da evolução histórica da linguagem e, como tal, não são necessariamente acabados e imutáveis. Ao contrário:


O significado da palavra é inconstante. Ele modifica-se durante o desenvolvimento da criança e com os diferentes modos de funcionamento do pensamento. Ele não é uma forma estática, mas dinâmica (Vygotsky, 1987b, p. 249).


Assim, não é só o conteúdo da palavra que se modifica com a evolução histórica do significado, mas o próprio modo como a realidade é refletida e generalizada na palavra. Como a generalização “torna-se possível somente com a interação social”, as transformações no significado da palavra devem relacionar-se ao contexto das dinâmicas interativas, de interlocução.


Em direção à “harmonia da imaginação”: processos de significação e elaboração de conhecimento.


Alguns autores têm assinalado, na interlocução de Vygotsky com teóricos como Bakhthin e Moscovici, a dimensão ideológica da elaboração conceitual (Fontana, 1996; Lisita, 1999), ultrapassando assim os limites da lógica racional-abstrata. Nessa dimensão, de nosso ponto de vista, está implicada a concepção sobre significação que, ao colocar em jogo processos que não podem ser reduzidos à racionalidade e à lógica e que não seguem necessariamente uma progressão linear, abre caminhos mais amplos do que aqueles apontados por Vygotsky em suas análises da elaboração conceitual.

A significação, em sua perspectiva, não se esgota no significado da palavra. Ele estabelece uma distinção entre sentido e significado que é fundamental para compreendermos sua visão da significação. O sentido é concebido como uma formação fluida e dinâmica, com várias zonas de estabilidade, que sempre se modifica, em função do contexto, enquanto o significado é a mais estável e precisa dessas zonas, permanecendo relativamente constante nas mudanças de sentido da palavra. Assim, o significado não passa de um potencial que só se realiza na concretude das situações de fala.

Para Wertsch (1995), é esta tensão entre sentido e significado que abaliza a compreensão de um outro (possível) telos para o desenvolvimento - a harmonia da imaginação. Ele baseia-se nas palavras de Vygotsky:


Apenas na matemática nós encontramos uma completa eliminação das incongruências, no uso de expressões corretas, comuns e inquestionáveis. Parece que foi Descartes quem primeiro viu na matemática uma forma de pensamento que tem suas origens na linguagem, mas que, não obstante, a superou. Nós podemos dizer apenas uma coisa: em sua oscilação e na incongruência entre o gramatical e o psicológico, nossa linguagem, em nossas conversações normais, encontra-se em um estado de equilíbrio dinâmico entre os ideais da matemática e a harmonia da imaginação. Ela está em um estado de movimento contínuo que nós chamamos evolução (VYGOTSKY, 1987b, pp. 252-253, tradução nossa).


Ainda segundo Wertsch (1995), ao apontar esta tensão, Vygotsky inclui outras formas de organização semiótica, em sua compreensão sobre o funcionamento da linguagem, como a que aparece em suas concepções sobre a reação estética, em Psicologia da Arte, e, especialmente, no último capítulo de Pensamento e Linguagem, em que o termo “pensamento” aparece relacionado a formas e significados maximamente abreviados e contextualizados, enquanto a idéia de “palavra” parece vincular-se ao potencial da linguagem para significados e formas maximamente explícitos, expandidos, sistêmicos e descontextualizados.

Esta oposição envolve as distinções, que Vygotsky (1987b, 1989) estabelece no decorrer do referido capítulo, entre fala interna e externa, entre aspectos fonéticos e semânticos da fala, entre categorias gramaticais e categorias psicológicas de sujeito e predicado, entre significado e sentido. A linguagem, a fala social/externa, a escrita, os aspectos fonéticos da fala, as categorias gramaticais e o significado correspondem a formas expandidas, explícitas, sistematicamente organizadas. Já o pensamento, a fala interna, os aspectos semânticos da fala, as categorias psicológicas e o sentido constituem-se em formas implícitas, condensadas, abreviadas. Assim, a possibilidade de compreender a “harmonia da imaginação” como telos do desenvolvimento do pensamento é justificada por Wertsch, pelo fato de Vygotsky referir-se às formas implícitas, abreviadas, internas e privadas da fala, como formas altamente desenvolvidas de funcionamento mental humano, como formas que se desenvolvem a partir da fala externa e social.

Fica claro, então, a que Wertsch se refere quando afirma a existência de uma ambivalência na compreensão de Vygotsky sobre o telos do desenvolvimento, já que num momento, as formas contextualizadas de funcionamento semiótico são tomadas como mais desenvolvidas e, em outro, assume-se que o desenvolvimento avançaria em direção a uma progressiva descontextualização dos significados.

No entanto, se partirmos de que a “harmonia da imaginação” é estabelecida em processos semióticos privados, como deixam entrever as concepções de Vygotsky (1987b, 1989) sobre a fala interna, talvez possamos redimensionar essas questões. Inicialmente, é interessante notar que na sua recorrência a obras literárias e textos dramáticos, para explicar as características da fala interna, como a abreviação, a condensação e a predicação, Vygotsky (op. cit.) se reporta, na maioria das vezes, a situações que envolvem pelo menos dois interlocutores, comparando fala interna e externa. Contudo é preciso reconhecer que, em seu discurso, estas questões não se reduzem a meras comparações. Assume-se, na verdade, que o potencial para a formação de todas as características da fala interna – formas implícitas, condensadas, abreviadas, altamente contextualizadas – já estão presentes na fala externa, sustentando a hipótese de sua origem social (VYGOTSKY, 1987b).

Assim, sua visão da articulação entre sentido e significado, embora não esteja bem explicitada em seus textos, dando margem a compreendê-la como ambivalência/ambigüidade, pode ser aproximada (e ampliada por ela) à concepção de Bakhtin, segundo a qual, a significação envolve sempre a relação entre a polissemia e a unicidade da palavra. A produção de significação é compreendida por Bakhtin como um movimento de articulação entre as condições concretas de interlocução e os significados, enquanto formas lingüísticas culturalmente estabilizadas.

Para ele (BAKHTIN, 1990), os elementos reiteráveis e idênticos entre enunciações – que ele denomina significação, em oposição ao tema da enunciação - são elementos abstratos, fundados sobre uma convenção e que não têm existência concreta independente; são formas lingüísticas que entram, como parte indispensável, na composição das enunciações e na realização do tema. Este último – enquanto sentido da enunciação completa – não se realiza sem a significação, da mesma forma que essa não tem existência concreta fora da enunciação e de seu tema. Nesta medida, é impossível traçar uma fronteira absoluta entre o que é reiterável e abstrato e aquilo que se produz nas condições concretas da interlocução.

Parece-nos, portanto, que é impossível delimitar de forma absoluta aquilo que Wertsch considera os potenciais semióticos para contextualização e descontextualização. Além disso, no caso da elaboração conceitual, é preciso lembrar que Vygotsky (1989) afirmou que, da mesma maneira que a criança não inventa o significado das palavras, ela também não tem um acesso direto aos seus significados convencionais: é apenas no contexto das interlocuções com outros membros de seu grupo cultural que as significações das palavras se produzem.

Além disso, podemos afirmar que uma das preocupações centrais de Vygotsky, ao discutir a formação de conceitos, é com o papel mediador do outro e da palavra. O conceito tem, portanto, uma origem social e seu desenvolvimento também se faz primeiro na relação com os outros e, depois, na própria criança. Primeiro, a criança é guiada pela palavra do outro, depois ela própria utiliza as palavras para orientar o seu pensamento. Como ressalta Fontana (1996), não é possível, numa perspectiva vygotskiana, pensarmos a atividade mental desvinculada das condições reais de interlocução, que são determinadas pelo contexto histórico-cultural mais amplo.

 Logo, a significação da palavra não existe em si mesma como algo já dado, nem é única, lógica, abstrata, descontextualizada. A produção de conhecimento sobre o mundo pela criança – enquanto processo mediado pelo outro e pela linguagem – não pode, então, ser coerentemente reduzida à sua dimensão lógico-racional. Como a própria linguagem, esta produção parece se fazer em “um equilíbrio dinâmico entre os ideais da matemática e a harmonia da imaginação”.


Conhecimento e linguagem: o lugar da imaginação

 É por isso que acreditamos que o estudo da tensão entre a racionalidade abstrata e a imaginação, apontada por Wertsch, pode produzir bons frutos no que diz respeito à compreensão dos processos de desenvolvimento cognitivo, em especial se considerarmos que, além da questão – que vimos abordando até aqui - dos modos de funcionamento da linguagem e dos processos de significação, tal tensão implica as concepções de Vygotsky sobre o lugar da imaginação no funcionamento psicológico humano e nos processos de elaboração de conhecimento.

A este respeito, é interessante lembrar que, no âmbito da psicologia do desenvolvimento, é freqüente a compreensão de que o pensar humano e o conhecimento racional da realidade tornam-se possíveis com o advento da capacidade de simbolização. Por sua vez, esta capacidade é, via de regra, relacionada a atividades que envolvem a imaginação. É o caso de Piaget, de Wallon e do próprio Vygotsky, que atribuem à imitação, ao jogo e ao simulacro e à brincadeira infantil, respectivamente, papéis essenciais na origem do pensamento lógico-conceitual. De modo geral, a imaginação é, neste campo, compreendida como a capacidade de produzir imagens mentais. Estas são a simples reprodução (ou o prolongamento) de percepções e sensações na ausência dos objetos que as provocaram (Piaget, 1989) ou, então, resultantes de um desdobramento entre o objeto e aquilo que se tornou seu sinal (Wallon, 1979). No caso de Vygotsky (1984), os processos imaginários envolvidos na brincadeira infantil são os que permitem à criança libertar-se das restrições perceptuais e situacionais.

A imaginação pode, assim, ser pensada como algo que mantém uma relação direta com a percepção ou, então, como emancipação do mundo sensível (Bernis, 1987). Aparece aqui uma “ambigüidade da função imaginativa” (op. cit., p. 9) que é encontrada de forma persistente nos diferentes sistemas filosóficos, conforme as posições que estes atribuirão à imaginação na formação do conhecimento. De qualquer modo, as relações entre o percebido, o racional e o imaginário são constantemente retomadas, quando se discute o problema da imaginação. Essas relações têm sido abordadas de modos diferentes, no decorrer da história da filosofia e da psicologia: ora a imaginação – enquanto reprodução do conteúdo da realidade sensível – é colocada, como intermediária entre sensação e concepção, a serviço da razão; outras vezes, distancia-se da razão, ao criar simulacros e ilusões, induzindo ao erro; ou, então, é aproximada das paixões e, como tal, deve ser submetida ao controle da razão; ora, ainda, é tomada como um talento da própria razão, ou – de maneira oposta - como uma capacidade que funda uma racionalidade encontrada não na abstração, mas na concretude das experiências humanas.

Em “La Imaginacion y el Arte en la Infancia” (VYGOTSKY, 1987a), a imaginação aparece como uma atividade que combina e cria, que assim como a memória – atividade reprodutora e de conservação da experiência passada – pode ser explicada pela plasticidade da nossa substância nervosa, pela sua capacidade de adaptar-se e conservar as marcas de suas modificações. Esta concepção de que a possibilidade de re-combinar fatos, impressões, imagens já vividos é o que caracteriza a imaginação e sua capacidade criadora, reaparece em outros momentos da produção de Vygotsky (1987b, 1994). Mas a sua idéia de imaginação incorpora também o distanciamento do imediatamente percebido e a possibilidade de resgate de imagens do anteriormente percebido: é a imagem, como cópia mais ou menos fiel do real, que serve de base para essa atividade que combina e cria.

É fundamental, no entanto, destacar que a imaginação, enquanto atividade que re-elabora, re-combina, dissocia e re-associa elementos, parece acabar presa à razão, ao pensamento conceitual, quando Vygotsky (1994, p. 269) postula que:

... Imaginação e criatividade estão ligadas a uma livre re-elaboração de vários elementos da experiência, livremente combinados, e que, como precondição, sem falta, requer o nível de liberdade interior de pensamento, ação e cognição que apenas quem tem dominado o pensamento conceitual pode alcançar.

Mas para avançarmos nossa compreensão das questões em pauta, é preciso, ainda, considerar que essa é uma visão parcial da imaginação tal como Vygotsky a concebe. Se tomarmos como referência suas formulações sobre a brincadeira da criança (1984), sobre a reação estética (1972) e sobre o desenvolvimento da imaginação na infância (1987b), encontraremos outros aspectos importantes para a compreensão de seu conceito de imaginação e de suas relações com a cognição. Para Vygotsky, há uma contradição inerente ao problema dessas relações: nenhuma cognição acurada da realidade é possível sem um certo elemento de imaginação e, por outro lado, os processos de criação artística ou de invenção demandam a participação tanto da imaginação quanto do pensamento “realista” - “os dois agem como uma unidade” (VYGOTSKY, 1987b, p.349). No entanto, não é possível identificar imaginação e pensamento sobre a realidade, negligenciando tudo aquilo que os opõem.

O aspecto essencial da imaginação é que a consciência afasta-se da realidade. A imaginação é uma atividade da consciência comparativamente autônoma, na qual há um distanciamento de qualquer cognição imediata da realidade... Em níveis avançados no desenvolvimento do pensamento, nós encontramos imagens que não são encontradas de forma completa na realidade... Uma penetração mais profunda da realidade demanda que a consciência alcance uma relação mais livre com os elementos da realidade, que a consciência saia dos aspectos aparentes e externos da realidade que são dados diretamente à percepção (VYGOTSKY, 1987b, p. 349).


Assim, a imaginação é compreendida como uma forma especificamente humana de atividade consciente que, enquanto base de toda atividade criadora, manifesta-se em todos os aspectos da vida cultural, possibilitando a criação artística, científica e técnica (VYGOTSKY, 1987a). Assim, todo o mundo da cultura é concebido como produto da imaginação e da criação humana. Ao possibilitar a reordenação dos elementos extraídos da realidade, organizando-os de maneiras novas, a imaginação não se caracteriza como uma atividade oposta àquela de domínio do mundo exterior, sendo ambas de natureza fundamentalmente social. Esta noção aparece claramente em sua concepção sobre a brincadeira infantil (VYGOTSKY, 1984), segundo a qual, ao criar uma situação imaginária, a criança também elabora seu conhecimento sobre o mundo físico e social.

No início do desenvolvimento do brinquedo, a situação imaginária é muito próxima da situação real, “é mais a memória em ação do que uma situação imaginária nova” (VYGOTSKY, 1984, p.117). Além disso, a atividade imaginária da criança pequena é ainda dependente de objetos concretos e das ações que estes objetos permitem. Na sua brincadeira, não é qualquer coisa que pode transformar-se em outra; é preciso que o objeto seja adequado ao gesto que o transformará. Assim, diz Vygotsky (op. cit., p.112), “devido a essa falta de substituição livre, o brinquedo, e não a simbolização, é a atividade da criança”. Gradualmente, no entanto, a fala passa a ocupar o papel inicialmente desempenhado pelo gesto e o simbolismo da brincadeira passa a se constituir com base nela.

Embora superficialmente a brincadeira se assemelhe muito pouco às formas de pensamento e comportamento a que conduz, para Vygotsky (op. cit., p.118), “a criação de uma situação imaginária pode ser considerada como um meio de desenvolver o pensamento abstrato”, uma vez que abre, para a criança, a possibilidade de agir independentemente da situação perceptual imediata e de operar – graças às transformações de objetos e ações e aos papéis que ela desempenha – no campo das significações. Para ele, a imaginação surge lenta e gradualmente, evoluindo de formas simples e elementares para outras mais complexas. Em cada fase dessa evolução, a imaginação adquire formas próprias de expressão, não se separando de outras formas de atividade humana e, em especial, permanecendo numa relação de estreita dependência da experiência acumulada.

É na brincadeira que, pela primeira vez no desenvolvimento da criança, os objetos perdem sua força determinadora e “é alcançada uma condição em que a criança começa a agir independentemente daquilo que vê” (Vygotsky, 1984, p.110). É através dos gestos e da linguagem que a significação da situação imaginária se produz. Ou melhor, a própria situação imaginária ganha forma quando um gesto ou uma palavra transforma um objeto em outro, uma ação em outra, produzindo novos sentidos. Ou ainda, é pela palavra que a criança assume seu lugar, em relação ao outro, dando forma à situação imaginária.

A este respeito, é interessante lembrar que Vygotsky se reporta, em diferentes momentos de sua discussão sobre a imaginação (1984, 1987b, 1994), a estudos sobre a afasia que demonstraram que certos pacientes eram incapazes de agir independentemente da situação imediata (e dos estímulos sensoriais) e de repetir frases que não correspondessem à realidade. Para ele, isto seria uma evidência de que a liberdade em relação ao contexto imediato e o desligamento das significações em relação aos objetos, que se encontra nas crianças, a partir de uma certa idade, e nos adultos, é resultado de um longo processo de desenvolvimento.

No entanto, é importante destacar que, em textos diferentes, Vygotsky dá às suas explicações sobre os resultados dos estudos da afasia nuances diferentes, que têm profundas implicações para a reflexão que vimos desenvolvendo. Num deles (Vygotsky, 1994), sobre a imaginação na adolescência, publicado pela primeira vez na URSS em 1931, ele destaca – como já vimos - o papel do desenvolvimento conceitual no desenvolvimento da imaginação. Em outro (1987b), uma conferência realizada em 1932 e publicada pela primeira vez apenas em 1960, o centro de sua argumentação é o desenvolvimento da linguagem. Revela-se, assim, uma certa duplicidade no tratamento dado à imaginação que, num momento, é entendida como atividade que re-elabora, em uma nova imagem, impressões da realidade imediata, numa espécie de generalização que, como tal, acaba submetida aos poderes do pensamento conceitual abstrato. Em outro, a imaginação aparece como distanciamento da realidade, como produção de imagens que não existem na realidade, ou seja, como criação, possibilitada graças ao poder da linguagem que nos liberta do imediato, do aqui-e-agora dos sentidos e das percepções.

Mas a criação, embora pressuponha a liberdade em relação ao já dado, não pode ser totalmente explicada por essa liberdade. Deste modo, se Vygotsky indica uma relação entre imaginação, como criação, e linguagem, esta relação não nos parece suficientemente explorada, explicitada, em suas formulações. É preciso, então, que busquemos em suas concepções sobre a linguagem e a significação, a possibilidade de atribuir à linguagem, além do poder de distanciamento do imediatamente percebido, um caráter de criação, de produção, para que possamos redimensionar as questões relacionadas à imaginação e à elaboração de conhecimento pela criança.

Como vimos, a significação para Vygotsky não pode ser reduzida à sua dimensão lógica: “o significado não coincide com o significado lógico (o desprovido de sentido tem significado)”. Embora a palavra sempre generalize, sua significação não se completa na generalização. Aliás, talvez nem sequer possamos falar em “completude” da significação da palavra, já que esta se apresenta como aberta ao contexto das interlocuções, ao jogo das motivações, dos desejos, das tendências e posições dos interlocutores. Vygotsky se pergunta:

O que é que move os significados, o que determina seu desenvolvimento? ‘A cooperação entre consciências’. O processo de alteridade da consciência (1996, p. 187).


O significado é móvel, aberto, incompleto e sua significação se constitui, se transforma e só pode ser explicada pela/na interlocução. A questão da significação se resolve no falar, atividade dos homens com e na linguagem, o que coloca a possibilidade de compreendê-la como produção. A linguagem, enquanto produto histórico e atividade humana, reveste-se, assim, do caráter de criação, de produção, que procurávamos encontrar na concepção vygotskiana.

Da mesma forma, o homem, para Vygotsky (2000) é o homem produtor. Produtor das condições de sua existência, das relações sociais, da história e da cultura. Produtor de sistemas simbólicos, de linguagem, de signos e de sentido. Produtor de si mesmo, na exata medida em que é também produto das condições que cria. Ao propor, no manuscrito de 1929, uma psicologia concreta do homem, ele defende a idéia de que o homem constrói a si próprio, abalando – em nosso modo de ver - qualquer pretensão de atribuir um telos ao desenvolvimento humano.

O mais básico consiste em que a pessoa não somente se desenvolve, mas também constrói a si. Construtivismo. Mas “contra” o intelectualismo (compare construção artística) e o mecanicismo (compare construção semântica) (Vygotsky, 2000, p. 33).


Em que pese o fato do texto citado não ser suficientemente explícito, podemos pensar nessa construção “artística e semântica” como algo que se faz no campo do simbólico e do imaginário, como nos aponta Pino (2000, p. 8):


Ancorado em uma concepção materialista da história e armado de um modo de pensar dialético, Vygotsky descobre no Homo o demiurgo de um mundo novo. Com efeito, a visão do homem que ele apresenta nos seus escritos é a de um ser que, emergindo da matéria e transpondo os seus limites no campo do imaginário e do simbólico, torna-se construtor do mundo e de si mesmo. Eqüidistante tanto de uma visão idealista quanto de uma visão materialista mecanicista, o homem que Vygotsky nos apresenta é um ser concreto que, criando suas próprias condições de existência, faz-se na história ao mesmo tempo que faz essa história.


É esta centralidade do simbólico e do imaginário que abre possibilidades interessantes para repensar as questões da elaboração de conhecimento e do telos do desenvolvimento cognitivo, uma vez que não permite que elas sejam reduzidas à perspectiva da lógica e da racionalidade abstrata. É por isso que, num olhar vygotskiano, parece-nos possível atribuir à imaginação um papel explicativo dos processos de conhecimento do mundo pela criança e re-elaborar suas relações com a racionalidade.


Em conclusão


Podemos dizer que o problema das relações entre razão e imaginação talvez seja tão antigo quanto o pensamento do homem sobre si próprio. As tentativas de enfrentamento dessas questões, principalmente na filosofia, mas também na psicologia, na psicanálise, nos estudos literários, etc. têm sido muitas e variadas, desenhando um vasto cenário, no qual as indagações, reflexões e argumentos desenvolvidos neste ensaio se inserem de modo muito modesto.

Procuramos aqui enfrentar essa problemática a partir das concepções sobre o desenvolvimento cognitivo, numa perspectiva histórico-cultural, levantando argumentos – no interior da própria teoria de Vygotsky – que possibilitam repensar a questão da racionalidade e da imaginação no desenvolvimento infantil. Tentamos vasculhar, parafraseando Vygotsky (1996), “no interior” e “em extensão e profundidade”, a lógica racional que predomina e que enreda, em muitos momentos, a visão de desenvolvimento e de conhecimento sobre o mundo, que se produziu no contexto de sua teoria. Nesta tentativa, puxamos alguns fios, tecidos na própria teoria vygotskiana, que começam a des-enredar as malhas da racionalidade, clareando outros caminhos.

Assim é que a visão de significação presente em Vygotsky foi retomada, no intuito de evidenciarmos o lugar atribuído à linguagem na produção de conhecimento e na atividade da imaginação e os seus modos de funcionamento, suas não-coincidências (entre pensamento e linguagem, sentido e significado, palavra e significação, etc.), seu caráter produtivo/criativo que permeiam as relações entre o homem e o mundo, alçando-as a uma dimensão simbólica e imaginária, que inviabiliza qualquer redução do conhecimento à lógica. Diríamos ainda que inviabiliza, dentro desta perspectiva teórica, qualquer possibilidade de, admitido um lugar à imaginação no processo de conhecimento, submetê-los – o conhecimento e a imaginação – ao predomínio da racionalidade.

É a visão do homem produtor (de sua existência material, de signos, de imagens e de sentidos) que permite articular esta argumentação que rompe com uma visão teleológica do desenvolvimento cognitivo. Afinal, este é sempre construção, melhor dizendo, criação: “artística e semântica”, de novas determinações que não se colocam antecipadamente. O que o desenvolvimento produzirá, a cada vez, é determinado e determina as formas que, num dado momento, os homens se deram para viver e interagir.  Neste processo de desenvolvimento, o conhecimento do mundo pela criança é inseparável de sua dimensão imaginária.



Referências bibliográficas


BAKTHIN, M. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo, Hucitec, 1990.

BERNIS, J. A Imaginação – do sensualismo epicurista à psicanálise. Rio de Janeiro, Zahar, 1987.

FONTANA, R. A. C. Mediação Pedagógica na Sala de Aula. Campinas, Autores Associados, 1996.

LISITA, V. M. S. S. Representações sociais dos alunos e aprendizagem de conceitos históricos. In Costa, C. B. & Machado, M. S. K. Imaginário e História. Brasília, Paralelo 15/Marco Zero, 1999.

PIAGET, J. & INHELDER, B. A Psicologia da Criança. Rio de Janeiro, Bertrand-Brasil, 1989 (10a. ed.).

PINO, A. Editorial. Educação e Sociedade. Campinas, Cedes n. 71, 2000.

VYGOTSKY, L. S. Psicología Del Arte. Barcelona, Barral Editores, 1972.

______________ A Formação Social da Mente. São Paulo, Martins Fontes, 1984.

______________  Imaginación y el arte en la infancia. México, Hispánicas, 1987ª.

_______________ Thinking and Speech. Problems of General Psichology. In Rieber, R. & Carton, A. (eds.) Collected works of L. S. Vygotsky. Nova Iorque, Plenum Press, 1987b.

______________  Pensamento e Linguagem. São Paulo, Martins Fontes, 1989.

______________ Imagination and Creativity of Adolescent. In Van der Veer, R. & Valsiner, J. The Vygotsky Reader. Cambridge, Blackwell, 1994.

_____________ Teoria e Método em Psicologia. São Paulo, Martins Fontes, 1996.

______________ Manuscrito de 1929. Educação e Sociedade. Campinas, Cedes n. 71, 2000.

WALLON, H. Do Acto ao Pensamento. Lisboa, Moraes Editores, 1979.

WERTSCH, J. V. Vygotsky and Social Formation of Mind. Cambridge, Harvard University Press, 1985a.

______________ La Médiation Sémiotique de la Vie Mentale: L. S. Vygotsky et M. M. Bakhtine. In Bronkhart, J. P. et. al. Vygotsky Aujourd’hui. Neuchâtel, Delachaux et Niestlé, 1985b.

____________ Vygotsky: The Ambivalent Enlightenment Rationalist. Worcester, Clark University, 1995, Mimeo.
 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

FILME O OITAVO DIA

FILME O OITAVO DIA
Filme que nos ensina uma grande lição de vida... Vale a pena amar...
Amor incondicional...

Fonte: http://youtu.be/3tBKLW_DDOU

sábado, 15 de outubro de 2011

15 de outubro: origem e o significado do dia dos professores


15 de outubro: origem e o significado do dia dos professores


No calendário brasileiro existe um dia dedicado aos professores, e sua procedência originou-se a muitos anos atrás. Ainda em 15 de Outubro de 1827, o então imperador do Brasil Pedro I deu origem a um decreto imperial, criando o Ensino Elementar em nosso país. Segundo o decreto “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. O decreto abordava questões fundamentais para o ensino, desde quais matérias seriam ensinadas para os meninos e para as meninas, até salário e a contratação de professores. E apesar das boas idéias, o decreto não foi cumprido nem de longe como deveria.
Após terem se passado 120 anos do decreto, mais precisamente no ano de1920 a primeira comemoração dedicada ao professor acontece. Foi no Ginásio Caetano de Campos, quando alguns professores perceberam que o segundo semestre do ano que ia de 1 de junho a 15 de dezembro era cansativo demais para os alunos, foi então que organizaram uma parada, dando descanso aos alunos e aproveitavam para direcionar como seria o resto do ano letivo.

Por sugestão do professor Salomão Becker o dia 15 outubro passou a ser comemorado como o dia do professor, e contou com o incentivo, e a presença dos alunos e seus pais na comemoração, e foi onde a sua frase ficou famosa: “Professor é profissão. Educador  é missão”. A celebração tomou grandes proporções, virando tradição na cidade de São Paulo e se espalhando pelo país, fato este que originou o feriado escolar através do Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963.
O dia dos Professores é comemorado em diferentes datas em outros países, e cada data por um motivo diferente, entretanto muitos países comemoram este dia, como Estados Unidos, Índia, Malásia, Turquia, Albânia, China, República Tcheca, Irã, Polônia, Rússia, Coréia do Sul e entre outros.

O professor tem a difícil missão de transmitir seus conhecimentos da melhor forma possível, sempre atentos a sua classe, e com a plena consciência que cada aluno absorve a informação que lhe é passada de formas diferentes, deixando os profissionais ainda mais atentos com a missão do qual são responsáveis.


ARTIGO - EDUCAÇÃO PROFISSIONAL PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL SIGNIFICATIVA

ARTIGO - EDUCAÇÃO PROFISSIONAL PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL SIGNIFICATIVA

EDUCAÇÃO PROFISSIONAL PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL SIGNIFICATIVA

Vera Lúcia Pereira de Souza1
Loraine Alcântara2 

Resumo 
O trabalho pedagógico com alunos que apresentam deficiência intelectual significativa compreende o desenvolvimento do indivíduo em sua totalidade, desde a interação social, exploração das potencialidades cognitivas e o aspecto emocional. A partir desse pressuposto desenvolveu-se um aprofundamento teórico acerca do tema, com pesquisa exploratória e descritiva. Assim, este trabalho tem como finalidade relatar as atividades desenvolvidas durante a participação no PDE - Programa de Desenvolvimento da Educação, Turma 2009, numa escola de Educação Especial do município de Nova Aurora. O relato apresenta fundamentação teórica condizente com a área e descreve as atuações desencadeadas durante a intervenção pedagógica em que se buscou compreender os desafios presentes na Escola Especial para a efetivação das Oficinas Pedagógicas para alunos com deficiência intelectual. Foram realizadas, com professores e alunos das Oficinas Pedagógicas, atividades relacionadas ao mundo do trabalho, visando compreender como se dão as relações entre professores, alunos com deficiência intelectual e pais. Realizou-se Grupos de Estudos em que participaram professores das Oficinas Pedagógicas, coordenadores pedagógicos, instrutor das Oficinas Pedagógicas, zeladoras, secretária e diretora, todos pertencentes à Escola Especial, com o propósito de refletir e aprofundar os conhecimentos sobre a Educação Profissional para alunos com deficiência intelectual significativa. Verifica-se que há limites para a efetivação de algumas atividades nas Oficinas Pedagógicas, mas, ao invés de se investir no ensino de uma atividade profissional peculiar, esta acaba se tornando uma atividade-meio para o ensino das competências e habilidades básicas. Portanto, ao planejar um programa de habilitação profissional, deve-se atentar para um planejamento curricular que possibilite o pleno desenvolvimento da pessoa com deficiência intelectual como ser humano.

CADERNO PEDAGÓGICO - OFICINAS PEDAGÓGICAS PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL SIGNIFICATIVA

CADERNO PEDAGÓGICO - OFICINAS PEDAGÓGICAS PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL SIGNIFICATIVA

APRESENTAÇÃO

São constantes as inquietações dos professores em relação às dificuldades de aprendizagem demonstradas pelos alunos com deficiência intelectual significativa das turmas das Oficinas Pedagógicas da Escola de Educação Especial “Novo Amanhecer”, do município de Nova Aurora. Tais inquietações sugerem certa insatisfação dos professores que ali atuam, o que pode estar relacionado ao sentimento de impotência em obter melhores resultados na inclusão desses alunos no processo produtivo.

Dessa forma, espera-se que o estudo da fundamentação teórica que ora se propõe, as discussões do grupo relacionando o estudo a sua prática nas Oficinas Pedagógicas e as atividades apresentadas possam contribuir para que esses profissionais consigam intervir qualitativamente no processo ensino-aprendizagem dos alunos.

A escola, além do papel fundamental de instrumentalizar o aluno com os conhecimentos científicos produzidos pela humanidade, deve oportunizar o desenvolvimento de suas potencialidades e promover a inclusão do aluno com deficiência na sociedade, através de ações conjuntas com a família e a comunidade. Portanto, é imprescindível a formação continuada dos professores, a fim de que estes possam compreender melhor a sua prática e buscar alternativas pedagógicas que visem atender as necessidades específicas de cada aluno.

Assim, este Caderno Pedagógico tem o intuito de subsidiar o professor das Oficinas Pedagógicas com fundamentação teórica relacionada ao tema, promover discussões sobre a prática docente e contribuir para a análise das estratégias de ensino-aprendizagem e atividades funcionais desenvolvidas com os alunos que possuem deficiência intelectual. Estas atividades visam oportunizar aos alunos, além da vivência de tarefas do cotidiano no espaço escolar, a aquisição de comportamentos adequados para a convivência social. Dentre outras atividades desenvolvidas, podemos destacar as atividades de vida prática - AVPs e as atividades de vida diária - AVDs.

Destaca-se que este material é dedicado a você professor e é produto de um trabalho de pesquisa à luz de Amaro, Gadotti, Estaban, Marx, Rosa, Sassaki, Iacono, Tureck, Kuenzer, dentre outros, além da consulta à legislação nacional e documentos internacionais que instituíram direitos às pessoas com deficiência em nosso país.

Não se tem a pretensão de esgotar o tema, tampouco apresentar respostas. Trata-se de um documento que oferece dados para a reflexão e sugestões de atividades a serem desenvolvidas com os alunos que apresentam deficiência intelectual significativa, matriculados nas Oficinas Pedagógicas.

PROJETO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NA ESCOLA - PDE - EDUCAÇÃO ESPECIAL

PROJETO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NA ESCOLA - EDUCAÇÃO ESPECIAL: OFICINAS PEDAGÓGICAS Educação Profissional para Alunos com Deficiência Intelectual 

JUSTIFICATIVA
A Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva (MEC, 2008) explicita a organização da educação especial como uma modalidade que perpassa todos os níveis de ensino e aponta para a necessidade da mesma constituir a proposta pedagógica da escola, atuando de forma articulada com o ensino comum para o atendimento às especificidades do seu público-alvo, os alunos com necessidades educativas especiais.

O referido documento destaca ainda a formação do professor, ressaltando que a mesma, seja inicial ou continuada, deverá ter como base os conhecimentos gerais para o exercício da docência e os conhecimentos específicos da área, visando aprofundar o caráter interativo e interdisciplinar desta modalidade em relação aos diferentes níveis de ensino.

1 Alunos com necessidades educativas especiais são os alunos com deficiência, alunos com transtornos globais do desenvolvimento, altas habilidades/superdotação e aqueles que apresentam transtornos funcionais específicos (MEC, 2008).

Ao lado das políticas públicas para a educação temos a legislação brasileira, seja a Constituição Federal (BRASIL,1988), seja a LDB, Lei nº 9.394 (BRASIL, 1996) ou outras leis esparsas, que determinam o atendimento especializado aos alunos com necessidades educativas especiais. Entretanto, a despeito dos documentos indicarem para que o atendimento dos alunos com necessidades educativas especiais se dê preferencialmente nas escolas regulares, deparamo-nos com toda uma estrutura de educação especial organizada de forma paralela, cujo atendimento apresenta historicamente um caráter substitutivo. Assim, a polêmica instaurada está relacionada ao locus desse atendimento, ou seja, se ele deveria se dar na escola comum ou na escola especial.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 10% da população dos países em desenvolvimento apresentam alguma deficiência. Porém, conforme o Censo Demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, em 2000, o percentual de pessoas com deficiência no Brasil é de 14,5%.

No contexto da sociedade atual, temos presenciado uma série de ações afirmativas do Estado que visam garantir tratamento igualitário às pessoas com deficiência no âmbito da educação, do trabalho e da sociedade em geral. Todavia, o processo histórico de exclusão imposto a este grupo requer profundas mudanças estruturais, de consciência e de comportamento.

Assim, buscando refletir sobre esse contexto e as implicações para que a pessoa com deficiência, em especial, a pessoa com deficiência intelectual significativa, consiga se inserir e participar ativamente da vida social propõe-se o presente estudo, fazendo um recorte para analisar a função social e o funcionamento das Oficinas Pedagógicas da escola especial Novo Amanhecer, de Assis Chateubriand.

Para acessar o Projeto na íntegra acesse o link: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/4800-10.pdf?PHPSESSID=2011101413051651

terça-feira, 11 de outubro de 2011

SUGESTÕES DE SITES DE JOGOS VIRTUAIS PARA O ENSINO DA MATEMÁTICA


JOGOS VIRTUAIS PARA O ENSINO DA MATEMÁTICA


Fundamentos em jogos virtuais:


Muito legal – jogos virtuais (educação dinâmica)


Outras opções


Jogos portugueses

Alguns jogos virtuais (muito legal)
http://mat.fc.ul.pt/mej/index.html

Cora Coralina: O que é viver bem‏

Cora Coralina: O que é viver bem‏

Um repórter perguntou à Cora Coralina o que é viver bem.
Ela lhe disse:

"Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice.
E digo prá você, não pense.

Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha.
Eu não digo.
 
Eu não digo estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
 
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida.
O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.
 
O bom é produzir sempre e não dormir de dia.
 
Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
 
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.
 
Eu não digo nunca que estou cansada.
 
Nada de palavra negativa.

Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.

Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos.

Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não.

Você acha que eu sou?
Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser.

Filha dessa abençoada terra de Goiás.
Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.

Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.

O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.

Digo o que penso, com esperança.
Penso no que faço, com fé.
Faço o que devo fazer, com amor.

Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.".


(_Cora Coralina_)

Fonte: Lumiy´s Blog Visão e Percepção - http://lumiy.wordpress.com

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Educação Inclusiva no Brasil

As desigualdade sociais no Brasil afetam diretamente as diversas condições de acesso à educação no país. Quase todos os indicadores educacionais brasileiros evidenciam este fato.
 
São percebidas desigualdades nas condições de acesso à educação e nos resultados educacionais das crianças, dos jovens e dos adultos brasileiros, penalizando especialmente alguns grupos étnicorraciais, a população mais pobre e do campo, os jovens e adultos que não concluíram a educação compulsória na idade adequada.

Grandes desigualdades raciais e étnicas continuam existindo na sociedade brasileira (especialmente com relação a alguns grupos específicos, tais como a população indígena, a população afrodescendente, os quilombolas, a população carcerária e a população rural).

A literatura especializada mostra que há forte correlação entre a origem étnica e as oportunidades educacionais. Estas coexistem lado a lado com desigualdades sociais e regionais, contribuindo, assim, para a exclusão educacional de um número considerável de jovens e adultos.

A UNESCO pretende apoiar o país na implementação de ações afirmativas para promover oportunidades iguais de acesso à educação de qualidade, incluindo todos os grupos da sociedade brasileira.

Anexo:

Novos Dados no Monitoramento da EPT 2010-2011 (PDF, 280 Kb): Esse artigo oferece informações básicas sobre os progressos da universalização da educação primária (ODM2) e da paridade de gênero na educação (ODM3) e descreve a contribuição vital da educação para a realização dos outros objetivos. Baseia-se em dados elaborados pela UNESCO para o período de 1999 a 2008 e em projeções para 2015.

TRANSTORNO DO D[EFICIT DE ATENÇÃO (TDA) OU TDAH ADULTOS

TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO (TDA) OU TDAH EM ADULTOS
 
Autoria: Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva

* Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva (Médica Psiquiatra, CRM/RJ 5253226/7 e CRM/SP 113.092-S)

O que é TDA ou TDAH?
Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ou TDA, trata-se de um transtorno caracterizado pela clássica tríade de sintomas que inclui: falta de concentração, impulsividade e hiperatividade ou excesso de energia.
Nos Estados Unidos cerca de 17 milhões de pessoas sofrem do problema. No Brasil, apesar das estatísticas precárias, calcula-se que 3 milhões de brasileiros tenham esta patologia, no entanto, a maior parte deles não sabe que a tem.

Qual a população atingida?
O TDA ocorre em crianças e adultos, homens e mulheres, rapazes e moças, abrangendo todos os grupos étnicos, camadas socioeconômicas, níveis de escolaridade e graus de inteligência.
Até pouco tempo atrás, achava-se que este transtorno era exclusivo da infância e que no decorrer da adolescência tenderia a desaparecer espontaneamente. Hoje, no entanto, sabemos que apenas 1/3 da população com o TDA a supera na adolescência e 2/3 conviverão com o transtorno por toda a vida.
A condição básica para o diagnóstico do problema em adultos é a história de TDA na infância (antes dos 7 anos). Por este motivo os relatos do paciente, como também o de seus parentes e amigos são tão importantes.
Sinais de alerta para o TDA em adulto
- Dificuldades em organizar as tarefas diárias;
- Tendência a ser desorganizado e a perder objetos;
- Irritação com tarefas repetitivas ou monótonas;
- Preferência por ambientes agitados;
- Numa conversa, começa a falar antes do fim de uma pergunta ou de uma resposta;
- Distração e "sonhos acordados" constantes, principalmente quando está lendo ou ouvindo por obrigação;
- Períodos de sonolência durante o dia;
- Falhas de memória;Comportamento impulsivo. Falar e agir sem medir consequências;
- Alterações rápidas de humor;
- Em alguns casos, envolvimento com drogas (álcool, cocaína e maconha).
 
O que causa o TDA?
O TDA deriva de um mau funcionamento neurobiológico (da bioquímica do cérebro). O dado mais informativo é que há uma alteração metabólica principalmente nas regiões pré-frontal e pré-motora do cérebro. Como a região frontal é a principal reguladora do comportamento humano, falhas na bioquímica desta região levariam às alterações encontradas no TDA (impulsos e inquietação). Devemos destacar ainda que há forte histórico familiar neste transtorno (carga genética), uma vez que é comum que várias pessoas da mesma família sejam acometidas pelo problema (pais, avós, tios, irmãos).

Tratamento do TDA
Podemos dividi-lo em cinco etapas:
1. Diagnóstico: fazer o diagnóstico é o primeiro passo, pois acarreta alívio considerável à medida que o indivíduo se sente amparado: "finalmente tem um nome para toda essa confusão na minha vida";
2. Educação (Informação): quanto mais a pessoa aprende sobre o TDA, mais eficiente se torna a terapia;
3. Estruturação: ferramentas práticas como listas, agenda, lembretes, metas, planejamento do dia etc., podem reduzir bastante o caos interior de alguém com TDA, aumentando a produtividade e senso de controle da pessoa;
4. Psicoterapia: consiste num tipo de encorajamento organizado para que as pessoas com TDA prosperem. É como se o terapeuta fosse um "técnico" de um atleta esportivo (coaching);
5. Medicação: o remédio funciona como um par de óculos para uma pessoa míope. Ajuda a reduzir a sensação de turbilhão interior e a ansiedade. Pode proporcionar um alívio profundo e é bastante seguro quando usado de maneira apropriada.

Onde procurar o tratamento?
Como o diagnóstico do TDA se baseia, antes de tudo, na história do indivíduo, é importante que ele procure serviços médicos familiarizados com este transtorno e que exerçam a medicina ao velho estilo (ouvindo o histórico do paciente com atenção e dedicação), pois só assim se fará um diagnóstico correto e um tratamento adequado.

Critérios diagnósticos sugeridos para o TDA em adultos
Para facilitar a identificação do TDA na população adulta, a Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva sugere uma lista com cinquenta critérios, os quais envolvem não somente os sintomas primários do TDA (desatenção, hiperatividade e impulsividade) como também as situações secundárias que habitualmente advêm das dificuldades crônicas enfrentadas nos diversos setores da vida desse indivíduo.
Nota: Para se caracterizar um funcionamento cerebral TDA é necessário considerar a frequência e a intensidade com que as situações ocorrem e que, pelo menos, trinta e cinco das opções abaixo sejam positivas:

1º Grupo: Instabilidade da atenção
1. Desvia facilmente sua atenção do que está fazendo, quando recebe um pequeno estímulo. Um assobio do vizinho é suficiente para interromper uma leitura.
2. Tem dificuldade de prestar atenção à fala dos outros. Numa conversa com outra pessoa tende a captar apenas “pedaços” soltos do assunto.
3. Desorganização cotidiana. Tende a perder objetos (chaves, celular, canetas, papéis), atrasar-se ou faltar a compromissos, esquecer o dia de pagamento das contas (luz, gás, telefone, seguro).
4. Frequentemente apresenta “brancos” durante uma conversa. A pessoa está explicando um assunto e, no meio da fala, esquece o que iria dizer.
5.Tendência a interromper a fala do outro. No meio de uma conversa lembra-se de algo e fala sem esperar o outro completar o seu raciocínio.
6. Costuma cometer erros de fala, leitura ou escrita. Esquece uma palavra no meio de uma frase ou tem dificuldade em pronunciar palavras muito longas.
7. Presença de hiperfoco, ou seja, concentração intensa em um único assunto num determinado período. Um TDA pode ficar horas a fio no computador sem se dar conta do que acontece ao seu redor.
8. Dificuldade de permanecer em atividades obrigatórias de longa duração, como ouvir uma palestra ou assistir a um filme, cujos temas não lhe despertem interesse ou que não o faça entrar em hiperfoco.
9. Interrompe tarefas no meio. Um TDA frequentemente não lê um artigo de revista até o fim, ou ouve um CD inteiro.
 
2º Grupo: Hiperatividade física e/ou mental
10. Dificuldade em permanecer sentado por muito tempo. Durante uma palestra ou sessão de cinema costuma mexer-se o tempo todo na tentativa de permanecer em seu lugar.
11. Está sempre mexendo com os pés ou as mãos. São os indivíduos que têm os pés “nervosos”, girando suas cadeiras de trabalho, ou que estão sempre com suas mãos ocupadas, pegando objetos, desenhando em papéis ou ainda ajeitando suas roupas ou seus cabelos.
12. Constante sensação de inquietação ou ansiedade. Um TDA sempre tem a sensação de que tem algo a fazer ou pensar, de que alguma coisa está faltando.
13. Tendência a estar sempre ocupado com alguma problemática em relação a si ou com os outros. São as pessoas que ficam “remoendo” sobre suas falhas cometidas, ou ainda sobre os problemas de amigos ou conhecidos.
14. Costuma fazer várias coisas ao mesmo tempo. É a pessoa que lê e vê TV ou ouve música simultaneamente.
15. Envolve-se em vários projetos ao mesmo tempo. Um exemplo é a pessoa que tem várias ideias simultaneamente e acaba por não levar a cabo nenhuma delas, em função desta dispersão.
16. Às vezes se envolve em situações de alto risco em busca de estímulos fortes, como dirigir em alta velocidade.
17. Frequentemente fala sem parar, monopolizando as conversas em grupo. É a pessoa que fala sem se dar conta de que as outras pessoas estão tentando emitir suas opiniões. Além de disso, não percebe impacto que o conteúdo do seu discurso pode estar causando a outras pessoas.

3º Grupo: Impulsividade 
18. Baixa tolerância à frustração. Quando quer algo não consegue esperar, lança-se impulsivamente numa tarefa. Mas como tudo na vida requer tempo, tende a se frustrar e desanimar facilmente.
19. Costuma responder a alguém antes que este complete a pergunta. Não consegue conter o impulso de responder ao primeiro estímulo criado pelo início de uma pergunta.
20. Costuma provocar situações constrangedoras, por falar o que vem à mente sem filtrar o que vai ser dito. Durante uma discussão, um TDA pode deixar escapar ofensas impulsivas.
21. Impaciência marcante no ato de esperar ou aguardar por algo. Filas, telefonemas, atendimento em lojas ou restaurantes podem ser uma tortura.
22. Impulsividade para comprar, sair de empregos, romper relacionamentos, praticar esportes radicais, comer, jogar etc. É aquela pessoa que rompe um relacionamento várias vezes e volta logo depois, arrependida.
23. Reage irrefletidamente às provocações, críticas ou rejeição. É o tipo de pessoa que explode de raiva ao sentir-se rejeitada.
24. Tendência a não seguir regras ou normas preestabelecidas. Um exemplo seria o trabalhador que teima em não usar equipamentos de segurança, apesar de saber da importância destes.
25. Compulsividade. Na realidade a compulsão ocorre pela repetição constante dos impulsos, os quais, com o tempo, passam a fazer parte da vida dessas pessoas, como as compulsões por compras, jogos, alimentação etc.
26. Sexualidade instável. Tende a apresentar períodos de grande impulsividade sexual, alternados com fases de baixo desejo.
27. Ações contraditórias. Um TDA é capaz de ter uma explosão de raiva por causa de um pequeno detalhe (por mexerem em sua mesa de trabalho, por exemplo) numa hora e, poucos momentos mais tarde, ser capaz de uma grande demonstração de afeto, através de um belo cartão, flores ou um carinho explícito.
28. Hipersensibilidade. O TDA costuma melindrar-se facilmente. Uma simples observação desfavorável sobre a cor de seus sapatos é suficiente para deixá-lo internamente arrasado, sentindo-se inadequado.
29. Hiperreatividade. Esta é uma característica que faz com que o TDA se contagie facilmente com os sentimentos dos outros. Pode ficar profundamente triste ao ver alguém chorar, mesmo sem saber o motivo, ao mesmo tempo que pode ficar muito agitado ou irritado em ambientes barulhentos ou em presença de multidão.
30. Tendência a culpar os outros. Um TDA, muitas vezes, poderá culpar outra pessoa por seus fracassos e erros, como o aluno que culpa o colega de turma por ter errado em uma questão da prova, já que este colega estava cantarolando baixinho naquele momento.
31. Mudanças bruscas e repentinas de humor (instabilidade de humor). O TDA costuma mudar de humor rapidamente, várias vezes no mesmo dia, dependendo dos acontecimentos externos ou ainda de seu estado cerebral, uma vez que o cérebro do TDA pode entrar em exaustão, prejudicando a modulação do seu estado de humor.
32. Tendência a ser muito criativo e intuitivo. O impulso criativo do TDAé talvez a maior de suas virtudes. Pode se manifestar nas mais diversas áreas do conhecimento humano.
33. Tendência ao “desespero”. Quando se vê diante de uma dificuldade, o TDA tende a vê-la como algo impossível de ser transposto e, com isso, sente-se tomado por uma grande sensação de incapacidade. Sua primeira reação é o “desespero”. Só mais tarde consegue raciocinar e constatar o verdadeiro “peso” que o problema tem.

4º Grupo: Sintomas secundários
34. Tendência a ter um desempenho profissional abaixo do esperado para sua real capacidade.
35. Baixa autoestima. Em geral, o TDA sofre desde muito cedo uma grande carga de repreensões e críticas negativas. Sem compreender a razão disso, com o passar do tempo, ele tende a se ver de maneira depreciativa.
36. Dependência química. Pode ocorrer como consequência do uso abusivo e impulsivo de drogas durante vários anos.
37. Depressões frequentes. Ocorrem, em geral, por uma exaustão cerebral associada às frustrações provenientes de relacionamentos malsucedidos e fracassos profissionais e sociais.
38. Intensa dificuldade em manter relacionamentos afetivos.
39. Demora excessiva para iniciar ou executar algum trabalho. Estes fatos ocorrem pela combinação nada produtiva de desorganização aliada a uma grande insegurança pessoal.
40. Baixa tolerância ao estresse. Toda situação de estresse leva a um desgaste intenso da atividade cerebral. No caso de um cérebro TDA, este desgaste apresentar-se-á de maneira mais marcante.
41. Tendência a apresentar um lado “criança” que aparecerá, por toda a vida, na forma de brincadeiras, humor refinado, caprichos, pensamentos mágicos e intensa capacidade de fantasiar fatos e histórias.
42. Tendência a tropeçar, cair ou derrubar objetos. Isto ocorre em função da dificuldade do TDA de concentrar-se nos atos e de controlar ou coordenar a intensidade de seus movimentos.
43. Tendência a apresentar uma caligrafia de difícil entendimento.
44. Tensão pré-menstrual muito marcada. Ao que tudo indica, em função das alterações hormonais durante este período, que intensificam os sintomas do TDA. A retenção de líquido que ocorre durante os dias que antecedem a menstruação parece ser um dos fatores mais importantes.
45. Dificuldade em orientação espacial. Encontrar o carro no estacionamento do shopping quase sempre é um desafio para um TDA.
46. Avaliação temporal prejudicada. Esperar por um TDA pode ser algo muito desagradável, pois, em geral, sua noção de tempo nunca corresponde ao tempo real.
47. Tendência à inversão dos horários de dormir. Em geral adormece e desperta tardiamente, por isso alguns deles acabam viciando-se em algum tipo de hipnótico.
48. Hipersensibilidade a ruídos, principalmente se repetitivos.
49. Tendência a exercer mais de uma atividade profissional, simultânea ou não.
E, finalmente, o último critério, que não se enquadra em nenhum dos quatro grupos de sintomas, mas tem sua relevância confirmada pelos estudos que apontam participação genética marcante na gênese do TDA:
50. História familiar positiva para TDA.

Fonte: Mentes Inquietas: TDAH - desatenção, hiperatividade e impulsividade

Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva.
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