quinta-feira, 10 de abril de 2014

A IMPORTÂNCIA DOS AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM NOS PROCESSOS COLABORATIVOS DE ENSINO-APRENDIZAGEM

A IMPORTÂNCIA DOS AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM NOS PROCESSOS COLABORATIVOS DE ENSINO-APRENDIZAGEM

SOUZA, Vera Lúcia Pereira de.

              O progresso tecnológico permitiu uma nova realidade educacional: a educação mediada pelo computador. A oferta de Educação a Distancia apoiada por Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs) tem se aumentado velozmente, como resposta à crescente necessidade de formação continuada, resultante das alterações dos meios e modos de produção.

              O simples emprego da tecnologia computacional no ensino, no entanto, não implica no sucesso do procedimento ensino-aprendizagem. Os softwares administradores, ou plataformas, têm características e funcionalidades próprias, que necessitam estar a serviço do desempenho global do procedimento de aprendizagem.

              Os benefícios da EAD no que concerne à crescente necessidade de desenvolvimento continuado são indiscutíveis. No entanto, há criticas relacionadas quanto ao emprego indiscriminado da EAD. A exagerada oferta de cursos que não apresentam os pré-requisitos mínimos de qualidade leva a uma “prevenção” sobre as reais potencialidades da EAD.

              Inserida no conjunto maior da educação, a EAD necessita considerar, no campo de sua prática, uma fundamentação teórica considerada fundamental em qualquer forma de ensino. Deste modo, refletir em EAD, segundo Neder (1999), implica refletir na educação em sua magnitude situando-a num conjunto sócio-politico-econômico-cultural.

              Para Freire (1979), o ensino não pode ser simplesmente um repasse de instruções ao aluno, a educação como prática do livre-arbítrio não é transferência ou a transmissão do conhecimento nem da cultura; não é a expansão de conhecimentos técnicos; não é a ação de depositar informações ou acontecimentos nos alunos; não é a perturbação dos valores de uma cultura produzida; não é o empenho de adaptação do aluno no seu ambiente. A educação como prática da liberdade é sobre tudo e antes de tudo uma circunstância realmente gnosiológica[1]. Aquela em que a ação cognoscente não finaliza no elemento cognoscível, visto que se comunica a outros sujeitos, do mesmo modo cognocentes.

              No que pertence à avaliação da aprendizagem, da mesma forma que as teorias gerais do ensino permanecem válidas no novo argumento, as teorias de avaliação são do mesmo modo aplicáveis nos contextos de educação presencial e de educação não presencial. A avaliação em Educação a Distância apresenta, no entanto, algumas especialidades; aparecem novos aspectos que carecem ao mesmo tempo ser analisados, como a logística de implementação, que abrange, do mesmo modo, avaliar os tutores, a avaliação da estratégia Instrucional e a avaliação do material didático. 

              O ambiente colaborativo de aprendizagem surgiu a partir da prática do que se denomina Trabalho Cooperativo Apoiado por Computador (Computer Supported Cooperative Work – CSCW) inventado por Geif e Cashman, em 1984.  Mais ultimamente, a expressão “Aprendizagem Cooperativa Auxiliada por Computador” (Computer Supported Cooperative Learning – CSCL) tem sido muito empregada e indica uma abordagem que busca expandir a visão do computador como uma ferramenta, conceituando-o como um ambiente facilitador da aprendizagem. (LUCENA, 1997).

              O Ambiente Colaborativo de Aprendizagem é um ambiente de intercâmbio que apóia a construção, entrada e intercâmbio de informações pelos participantes, visando à construção social do conhecimento.

              Para o desenvolvimento de cursos on-line, que contenham como desígnio o trabalho colaborativo, é essencial esquematizar as estratégias pedagógicas ambicionadas e eleger os recursos apresentados no software gerenciador, de maneira a se conseguir maior eficácia do método ensino-aprendizagem, valorizando a conhecimento do aluno na construção do conhecimento.

              Quando o aluno entra em contato com o conteúdo, por meio dos documentos e das atividades indicadas, estabelece-se um processo interno de construção de significados. Quando se realizam as discussões em torno dos pontos de vista e explanações individuais, a partir das ferramentas disponibilizadas pela plataforma, aparece um procedimento de ressignificação do conteúdo, onde as conclusões particulares são enriquecidas pelas conclusões, opiniões e discussões de todo o grupo.

              Para a produção e implementação de cursos, empregando a metodologia da educação a distancia, apoiado pelas novas tecnologias da comunicação e da informação, considera-se indispensável à formação de equipes multidisciplinares constituídas por especialistas das áreas de Psicologia, Pedagogia, Informática, Design, além do especialista do conteúdo a ser examinado. Essa equipe necessita ter, ao mesmo tempo, características de transdisciplinaridade, ou seja, suas atuações e os produtos da sua especialidade são exclusivamente sobrepostos para compor o produto final, mas combinados de tal forma que as ajudas individuais não são mais visivelmente identificadas no produto final, prevalecendo, portanto  o fruto da equipe.

              É importante estar informado que o desenvolvimento do aluno é um identificador de aspectos que abrangem o desenho instrucional do curso, o material didático, a adequação do conteúdo, o método de tutoria, entre outros. 

              A avaliação precisa ser sistemática e processual, fazer parte do dia-a-dia, levantando questionamentos. Necessita ter seu enfoco não exclusivamente na avaliação das plataformas e suas ferramentas, ou na avaliação do desempenho do aluno, mas ao mesmo tempo na avaliação do material didático, do método de tutoria, da infra-estrutura e da adequação do projeto instrucional.

Conclusão

              A EAD sem dúvida tem merecimentos, sendo o fundamental deles a democratização do conhecimento, que permite o ingresso a educação superior a muitas pessoas que, de outra forma não poderiam estudar. Mas, essa democratização não pode ser a perda de qualidade da educação.

              Deve ser considerado, igualmente, que o problema de qualidade de educação não está comprometendo apenas a educação à distância ou ao do terceiro grau, mas ao ensino de forma total, principalmente ao ensino fundamental, pois, muitos problemas do ensino de primeiro, segundo e terceiro graus são decorrentes de alfabetização mal feita, o que reflete em toda a vida acadêmica e chega a afetar o desempenho do indivíduo na sociedade, que visivelmente sabe ler; mas, de fato, não consegue apreender o que está escrito, analfabeto funcional, o que afeta a sua capacidade de conhecimento e capacitação para a tomada de decisões.

              Os problemas dos primeiros anos de estudo se tornam mais manifestos e acarretam maior perda quando o indivíduo passa a compartilhar de ensino à distância, sistema que demanda muita leitura, sobre assuntos em que as colocações de autores foram feitas e outras, corriqueiras no ensino presencial.

              O aluno de EAD, que já tiver desvantagens devido a problemas na educação básica - que se compõe em falha do Estado em prover ensino de qualidade - pode não ter consciência dos obstáculos do sistema EAD e das suas limitações pessoais, o que poderá levá-lo a desconhecer a desvantagem da sua formação quando em relação a aluno do sistema presencial. E isso constitui, ainda, desvantagens concorrentes na procura de melhor qualificação formal ou de ação profissional, o que não é ético nem moralmente admissível.

              Dado o exposto, clama-se a sociedade por demandar do Estado a concretização da modalidade EAD de forma não só a proporcionar a acessibilidade, mas especialmente, a qualidade. O desafio é fiscalizar a atuação da oferta dessa educação em todos os campos, ou seja, pública ou privada. E o papel de acompanhar o desenvolvimento desse procedimento é da sociedade civil por meio dos Conselhos.

              Refletir a respeito de como a educação do país está sendo posta e desenvolvendo constituirá viver em uma sociedade que prima pela cidadania, ética e desenvolvimento para presente e vindouras gerações.

              Inovar não é apenas a emprego de novas técnicas, é especialmente, o desenvolvimento de uma postura que envolve o modo de ser, atuar e pensar.


REFERÊNCIAS


DANSKI, M. T. R.; MAFTUM, M. A. Especialização em Saúde para Professores do Ensino Fundamental e Médio. Módulo I: Contextual: Ensino, Pesquisa e projeto de Intervenção. Curitiba: UFPR / CIPEAD, 2012. Disponível em <http://www.cursos.nead.ufpr.br/mod/resource/view.php?id=121030>. Acesso em 07 ago 2012.


FREIRE. P. Extensão ou Comunicação? 4 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.


LUCENA, M. Um modelo de escola aberta na internet: KIDLINK no Brasil. Braspot: Rio de Janeiro, 1997.



[1] Gnosiologia (também chamada Gnoseologia) é o ramo da filosofia que se preocupa com a validade do conhecimento em função do sujeito cognoscente, ou seja, daquele que conhece o objeto. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gnosiologia
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