quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

COMO AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL, ADULTAS, VÊEM A SI MESMAS?


COMO AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL, ADULTAS, VÊEM A SI MESMAS?

Traduzido do texto em inglês de Inclusion International intitulado “HEAR OUR VOICES – Defining ourselves – People with Intellectual Disabilities and Their Families -

Este trabalho feito por pessoas adultas com deficiência intelectual foi preparado pela organização mundial de famílias com um filho com deficiência intelectual INCLUSION INTERNATIONAL, sediada em Londres, da qual a FENAPAEs é a representante oficial desde junho de 1966 (é, há muitos e muitos anos).

O documento que visa fazer com que as pessoas com deficiência intelectual tenham uma noção clara de quem são, o que desejam, foi apresentado no Congresso Mundial de INCLUSION INTERNATIONAL, realizado em Acapulco, México, em novembro de 2006, com a presença de interessados de muitos países.

Já havíamos digitado este texto em 19 de abril de 2007, porém, considerando a importância crescente que auto-defensores vêm adquirindo no mundo, parece-nos importante – por ser atemporal – que esta pesquisa seja novamente divulgada entre as entidades filiadas à FENAPAEs, em todo o Brasil, e entre voluntários e amigos de nossa causa, em escala crescente no país.

Traduzido e digitado em São Paulo em 30 de novembro de 2012 por Maria Amélia Vampré Xavier, assessora da Diretoria de Assuntos Internacionais da FENAPAEs, integrante de REBRATES (Rede Brasileira do Terceiro Setor), Associação CARPE DIEM, SP, Rede entre Amigos SORRI BRASIL, membro honorário vitalício de INCLUSION INTERNATIONAL, a organização mundial que defende os direitos humanos de 60 milhões de pessoas com deficiência intelectual em todos os quadrantes do globo.

É interessante pensarmos que nosso mais de meio século de trabalhos em prol de pessoas com deficiência intelectual, não somente no Brasil mas em todo o mundo, não nos tornaram mais atualizados, mais cientes em verdade de como são as pessoas com deficiência intelectual, cujos destinos nos tocam do nascimento à morte e que foram a razão de ser da fundação de tantas APAEs e entidades congêneres não só no Brasil, em muitos países do mundo, entre adiantados, em desenvolvimento e mais atrasados.

Há toda uma centelha divina que nos impulsiona a nós, pais de um lado, amigos e voluntários de outro, profissionais gabaritados com certeza, a enfrentar os desafios que a convivência diária com uma pessoa com deficiências sempre traz.

Estamos convictos de que o futuro de nossas instituições em todo o mundo está nas mãos de nossos filhos e amigos com deficiência intelectual.quando assumem o papel de auto-defensores. Por este motivo, toda vez que uma pessoa com essas características se destaca, ou por ter avançado muito nos estudos e chegado à faculdade, ou porque tem tomado atitudes maduras em relação à própria vida, sentimo-nos recompensados de nosso esforço de tantos anos.

Eis o que dizem os auto-defensores no documento que em inglês teve o título de Defining Ourselves – People with Intellectual Disabilities and their Families e que traduzimos em 2007 para nossas reflexões coletivas.

“Outras pessoas pedem, muitas vezes, a nossas organizações filiadas que definam quem somos nós e o que é que defendemos, que advogamos em nossos próprio favor. Definir a nós mesmos pode ser um negócio complicado - Com muita freqüência as pessoas com deficiência intelectual são definidas e rotuladas por outras pessoas de formas que nos desvalorizam e impõem objeções. Quem é esse “nós” a que se refere este estudo. Nossa resposta é a terceira seta indicativa para nossos estudos.

Somos pessoas que fomos identificadas como tendo uma deficiência intelectual, o mesmo ocorrendo com nossas famílias. Somos mães e pais, irmãos e irmãs, tias e tios, primos, sobrinhas, sobrinhos, avós e avôs.

Somos filhos de pais que têm deficiência intelectual. Somos amigos e defensores, que assumimos o compromisso de ajudar a fazer a inclusão plena, a cidadania e os direitos humanos progredirem.

Pessoas com deficiência intelectual são vizinhos e membros comunitários, colegas de escola, companheiros de trabalho e cidadãos como os outros. Na condição de auto-defensores e de famílias que somos, pedimos a outras pessoas que reconheçam que todos aprendemos de maneiras diferentes, e damos nossas contribuições únicas a famílias e comunidades. Nossa mensagem é clara: não queremos mais que as pessoas se refiram aos “retardados mentais”, um termo que tem sido usado para desvalorizar, segregar e discriminar pessoas.

Fazemos um desafio àqueles que gostariam de definir deficiência intelectual simplesmente como formas mais lentas ou deficientes de lembrar, pensar e comunicar. Nossa mensagem é clara:
Respeitar e compreender as diferenças;
Valorizar todas as pessoas pela contribuição que dão;

Tratar todas as pessoas como iguais, não levando em conta sua deficiência, orientação religiosa, gênero, características étnico-raciais e culturais, orientação sexual e outras diferenças.

Isto não significa que as pessoas não queiram se desenvolver. Ao contrário todos desejamos apoio para nos desenvolvermos até o nosso potencial máximo, e trilhar nosso caminho pela vida que é único. Todos queremos florescer com outros membros em nossas famílias, comunidades, escolas e locais de trabalho. As pessoas com deficiência intelectual desejam isso mesmo.

Portanto, usamos o termo - deficiência intelectual - neste relatório para nos referirmos àquele grupo de bebês, crianças, jovens, adultos e os mais velhos, que em primeiro e mais importante lugar são membros de famílias e comunidades; pessoas que algumas vezes necessitam obter apoio e cuidados específicos em razão de seu aprendizado - comunicação, e outras necessidades e contribuições que lhes são únicas.

Embora não exista contagem absoluta de pessoas com deficiência intelectual ao redor do mundo, usamos neste relatório a média das estimativas que pesquisadores e demógrafos da área costumam empregar – 2.0% da população global ou cerca de 130 milhões de pessoas.

Neste fim do ano 2012 constatamos, com certa tristeza, que ainda há uma enorme parcela de preconceito contra pessoas com deficiências e com deficiência intelectual com enfoque especial. Precisamos aceitar, de fato, dentro de nossos corações, o fato de que essas pessoas queridas são pessoas como qualquer outra, e merecem ser tratadas com o máximo respeito e muita cordialidade por quem delas se aproximar.

Digitado em São Paulo em 30 de novembro de 2012 por Maria Amélia Vampré Xavier