sábado, 19 de março de 2011

A AFETIVIDADE E A EDUCAÇÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA

ATIVIDADE APRESENTADA NO CURSO DE PEDAFGOGIA I - FAPI - PINHAIS

A AFETIVIDADE E A EDUCAÇÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA

ORIENTAÇÃO AOS PROFESSORES

VERA LÚCIA PEREIRA DE SOUZA
            É importante destacar neste estudo que a afetividade, por sua vez, tem uma compreensão mais ampla e complexa, envolvendo uma gama de manifestações e sentimentos de raiz psicológica e biológica.
            Wallon, (2003) analisa a pessoa como um todo. Afetividade, emoções, movimento e ambiente físico que se encontram num mesmo nível. As emoções para o autor têm função preponderante no desenvolvimento da pessoa.
            Para Vygotsky (2003, p.78), “relação professor/aluno não deve ser uma relação de imposição, mas, sim de cooperação, de respeito e de crescimento”. O aluno deve ser considerado como um ser interativo e ativo no seu processo de construção do conhecimento.  O professor por sua vez necessitará adotar um papel fundamental nesse processo, como um sujeito mais experiente. Por essa razão cabe ao professor analisar o que o aluno já sabe, sua bagagem cultural é muito importante para a construção da aprendizagem. O professor é o mediador da aprendizagem facilitando-lhe o domínio e a assimilação dos diversos instrumentos culturais.
            Rosseto, Iacono e Zanetti (2006), esclarecem que:
As pessoas com deficiência, assim como as demais pessoas, devido a sua trajetória social, podem apresentar dificuldades para realizar algumas atividades, embora possa apresentar extrema habilidade para outras. Portanto, ao se relacionar com uma pessoa com deficiência, respeite a sua diferença sem acentuá-la. Não fique lamentando sua deficiência, afirmando que sua vida é muito difícil, pois para uma boa parte delas, o defeito não converteu em obstáculo instransponível. (p. 107)
            Portanto, caro professor, estude tudo o que puder sobre o aluno com deficiência intelectual, busque quem possa sugerir na procura de bibliografia apropriada ou use bibliotecas, internet, assim por diante.
            Reconheça que o seu comprometimento pode fazer uma enorme diferença na vida de um aluno com deficiência ou sem deficiência.
            Busque saber quais são as potencialidades e interesses do aluno e centralize todos os seus empenhos no seu desenvolvimento. Proporcione ocasiões de sucesso.
            Compartilhe ativamente na preparação do Plano Individual de Ensino do aluno e Plano Educacional. Este plano contém as metas educacionais, que se espera que o aluno venha a conseguir, e determina responsabilidades da escola e de serviços externos para a boa direção do plano.
Ao perceber que uma pessoa com deficiência está necessitando de apoio para realização de alguma atividade e for possível auxiliá-la, ofereça ajuda, mas antes pergunte a forma adequada para fazê-lo. No entanto, não se ofenda se seu oferecimento for recusado, pois nem sempre ela precisa de auxílio. Às vezes, uma determinada atividade pode ser melhor desenvolvida sem a mediação de outra pessoa. (ROSSETO, IACONO e ZANETTI, 2006, p. 108)
            Seja tão sensível quanto possível para tornar a aprendizagem vivenciada. Explique o que almeja proferir. Não se limite a dar instruções orais. Determinadas instruções orais devem ser seguidas de uma representação de base, desenhos, cartazes. Entretanto ao mesmo tempo não se limite a apoiar as mensagens orais com imagens. Sempre que necessário e possível, proporcione ao aluno materiais e experiências práticas e ocasião de experimentar as coisas. (ROSSETO, IACONO e ZANETTI, 2006).
            Reparta as tarefas novas em etapas pequenas. Explique como se cumpre cada uma dessas etapas. Proporcione apoio, na justa medida da precisão do aluno. Não admita que o aluno desista da tarefa numa circunstância de insucesso. Se for necessário, solicite ao aluno que seja ele a auxiliar o professor a resolver o problema. Compartilhe com o aluno o encanto de achar uma solução.

O professor deve elaborar o plano de ensino (objetivos, metodologias, conteúdos e formas de avaliação), adequando-o ao desenvolvimento cognitivo do aluno, possibilitando-lhe avançar em termos de apropriações cada vez mais elaboradas de conhecimento e também de escolaridade, pois tanto quanto para os demais alunos, a certificação e a terminalidade nos estudos é um direito do aluno com deficiência mental. No entanto, para tal concessão, necessita-se tomada de decisões coletivas entre a escola, o sistema de ensino ao qual a escola está afeta e a família, para que o aluno possa receber certificação e terminalidade escolar de forma a significarem novas possibilidades para o futuro desses alunos e não novas e legítimas formas de exclusão. (ROSSETO, IACONO e ZANETTI, 2006, p. 121-122)
            Siga a concretização de cada passo de uma tarefa com comentários imediatos e proveitosos para a continuidade da atividade.
            Desenvolva no aluno competências de vida diária, competências sociais e de exploração e consciência do mundo envolvente. Estimule o aluno a compartilhar em atividades de grupo e nas organizações da escola.
            Trabalhe com os pais para organizar e levar a cabo um plano educativo que reverencie as necessidades do aluno. Compartilhe regularmente conhecimentos sobre a condição do aluno na escola e em casa. Nesse sentido, as autoras apontam ainda que:
O professor deve procurar conversar com o aluno e seus familiares quando necessário, conhecendo sua trajetória social de vida, buscando compreender as necessidades educacionais especiais que precisam ser atendidas para efetivar seus estudos, evitando prejuízos tanto pela falta de participação, quanto na apropriação do conhecimento. (ROSSETO, IACONO e ZANETTI, 2006, p. 109).
            As autoras igualmente enfatizam que os conteúdos trabalhados com a pessoa que apresenta deficiência devem ser os mesmos que os trabalhados com os demais alunos e que, muitas vezes, o que difere são os recursos didáticos, visto que há algumas especificidades que são próprias de cada área da deficiência. Ressaltam, ainda que a escola deva possuir a acessibilidade para atender a todos os alunos.
              Paulo Freire afirma que,
 A afetividade não se acha excluída da cognoscibilidade. O que não posso obviamente é permitir que minha afetividade interfira no cumprimento ético de meu dever de professor (...) não posso condicionar a avaliação do trabalho escolar de um aluno ao maior ou menor bem querer que tenha por ele. (1993, p. 160).

            Para isso, é de essencial importância que o professor esteja consciente de sua responsabilidade, tomando decisões de acordo com os valores morais e as relações sociais de sua prática, considerando ainda, as condições de vida familiar e social de seus alunos.
            Reiteramos ainda, a relação de afetividade professor/aluno destacando o respeito unilateral da criança pelo adulto sendo este trabalhado em colaboração do convívio em grupo a partir da experiência histórica de cada uma e de seu próprio grau de desenvolvimento.
            Por fim, fica evidente a importância de todos nós educadores na vida do aluno  confiando que o professor faz a diferença.
            Não podemos deixar de reconhecer que a escola, deste modo, carece voltar-se para a qualidade de suas atuações e relações, valorizando o desenvolvimento afetivo, social e não somente o cognitivo, como subsídios essenciais no desenvolvimento do aluno para como um todo.
            É importante que o professor entenda que o espaço que ele ocupa em relação aos seus alunos não é somente daquele que educa, mas sim daquele que deixa marcas.


REFERÊNCIA

FREIRE, P. Professora SIM tia NÃO – Cartas a quem ousa ensinar. São Paulo, ed. Olho d’ Água, 1993.
ROSSETO, E.: IACONO, J. P.; ZANETTI, P. SILVA. Pessoa com deficiência: Caracterização e formas de relacionamento - PEE (org). Pessoa com deficiência: Aspectos teóricos e práticos. Cascavel: EDUNIOESTE, 2006. p. 105 – 140.
VIGOTSKY, L. Ciclo da Aprendizagem: Revista Escola, ed. 160, Fundação Victor Civita, São Paulo, 2003.
WALLON, H. Ciclo da Aprendizagem: Revista Escola, ed. 160, Fundação Victor Civita, São Paulo, 2003.
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