quarta-feira, 23 de março de 2011

PLANO DE AULA PARA 5ª SÉRIE - A BOLSA AMARELA


ATIVIDADE APRESENTADA NO CURSO DE PEDAGOGIA I - FAPI - Pinhais
Plano de Aula
Disciplina: Língua Portuguesa
Série: 5ª do Ensino Fundamental
[1]Vera Lúcia Pereira de Souza
Objetivos:
- Indicar um trabalho com textos narrativos, tais como: conto, histórias, romance, assim por diante.
- Distinguir e utilizar, produtiva e autonomamente, no discurso descritivo, mecanismos de focalização apropriados ao efeito de significado esperado.
- Distinguir e utilizar, produtiva e autonomamente, as fases ou passos do discurso descritivo, na compreensão e produção de textos.
Provisões para a efetivação da atividade:
Providenciar cópias do texto para os alunos.

Pré-requisitos:
Reconhecer que, em grandes itens dos textos que circulam, o discurso descritivo acontece em meio a séries expositivas e/ou narrativas.
Compreender que a narração inclui as tarefas de colocar o leitor em um determinado “ambiente”, conduzi-lo, para lhe falar como deve movimentar o olhar, para aonde deve andar e assim por diante, e desassossegar o leitor na direção que o leve a experimentar o que o autor do texto confia que ele sinta enquanto interpreta o texto.
Saber que a definição se expressa no vocabulário, na forma como esse vocabulário se constitui sintaticamente nos enunciados (Que implicações de sentidos pretendo gerar em meu leitor?).

Descrição dos procedimentos:
O texto abaixo é um pedaço do livro “A bolsa amarela” de Lygia Bojunga
A bolsa amarela
Era amarela. Achei isso genial: pra mim o amarelo é a cor mais bonita que existe. Mas não era um amarelo sempre igual: ás vezes era forte, mas depois ficava fraco: não sei se porque ele já tinha desbotado um pouco ou porque já nasceu assim mesmo, resolvendo que ser sempre igual é muito chato.
Ela era grande: tinha até mais tamanho de sacola do que de bolsa. Mas vai ver ela era que nem eu: achava que ser pequena não dá pé.
A bolsa não era sozinha: tinha uma alça também. Foi só pendurar a alça no ombro que a bolsa arrastou no chão. Resolveu o problema. E ficou com mais bossa também.
Não sei o nome da fazenda que fez a bolsa amarela. Mas era uma fazenda grossa, e se a gente passava a mão arranhava um pouco. Olhei bem de perto e vi os fios da fazenda passando um por cima do outro: mas direitinho; sem fazer bagunça nem nada. Achei legal. Mas o que eu achei mais legal foi ver que a fazenda esticava: “vai dar pra guardar um bocado de coisa aí dentro”.
A bolsa por dentro
Abri devagarinho. Com medo danado de ser tudo vazio. Espiei. Nem acreditei. Espiei melhor.
_ Mas que curtição! _ berrei. E ainda bem que só berrei pensando: ninguém encostou nem olhou.
A bolsa tinha sete filhos! Eu sempre achei que bolso de bolsa é filho de bolsa. E os sete moravam assim:
Em cima, um grandão de cada lado, os dois com zíper: abri-fechei, abri-fechei, abri-fechei, os dois funcionando que só vendo. Logo embaixo tinha mais dois bolsos menores que fechavam com botão. Num dos lados tinha um outro – tão amargo e tão comprido que fiquei pensando o que é que podia guardar ali dentro (um guarda – chuva? Um martelo? Um cabide de pé?). No outro lado tinha um bolso pequeno, feito de fazenda franzidinha, que esticou todo quando eu botei a mão dentro dele: botei duas mãos: esticou ainda mais: era um bolso com mania de sanfona. Como eu ia dar coisa pra ele guardar! E por último tinha um pequenininho, que eu logo achei que era o bebê da bolsa.
Comecei a pensar em todo que eu ia esconder na bolsa amarela. Puxa vida, tava até parecendo o quintal da minha casa, com tanto esconderijo bom, que fecha, que estica, que é pequeno, que é grande. E tinha uma vantagem: a bolsa eu podia sempre levar a tiracolo, o quintal não.
Lygia Bojunga. A bolsa amarela. Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2003.

Atividades:
1) Solicitar aos alunos que leiam o texto. Indague: O que acharam do texto? O que mais chamou a atenção?
Recomende outras questões referentes ao texto:
2) Qual é o tema tratado no texto pela narradora?
3) A que gênero dizer respeito o texto? (Professor lembre que a narrativa - o fragmento de história - mistura representações de atuações e de acontecimento, com representações de objetos e personagens).
4 ) Note que o texto está dividido em duas partes: “A bolsa por fora” e “A bolsa por dentro”. Por que o texto ganhou essa disposição?
 Professor é importante discutir com os alunos, que o texto é representante do gênero narrativo (história), logo a narração está em primeiro plano, apesar do volume de continuações descritivas. A própria disposição do texto, em itens, narra um jeito de reconhecer a bolsa: por fora e depois por dentro.
5 ) Releia a 1ª parte do texto:
Como a narradora narra a bolsa por fora? E por dentro? Quais são as palavras que, no seu julgamento, descrevem a bolsa?
6 ) No derradeiro parágrafo, da primeira parte do texto, a narradora narra como era o tecido da bolsa. Que conseqüência de sentido essa descrição gera? (Professor é importante explorar o adjetivo “grosso”, que confirma sobre o aspecto do tecido e provoca, ao passar a mão, percepção de aspereza).
7 ) Releia os três iniciais parágrafos da 2ª parte do texto: O que a narradora faz nessa parte?
8 ) Lembre que em sua disposição o texto apresenta frases pequenas, como se vê no fragmento abaixo:
“Abri devagarzinho. Com um medo danado de ser tudo vazio. Espiei. Nem acreditei. Espiei melhor”.
Que efeito de sentido essa disposição provoca?
9) É possível definir a idade da narradora? Explique sua resposta com subsídios do texto.

Prováveis dificuldades:
Importante analisar a função da descrição nos textos (narrativos, expositivos). Analisar que na construção do discurso descritivo a primeira pergunta a ser feita: é quem descreve? A seguir, para que, para quem. A partir daí, o como narrar.
Há possibilidade dos alunos não distinguirem algumas palavras do texto, como por exemplo, “bossa”, “fazenda” (tecido) e assim por diante.

Glossário:
Exposição de processo: explicitação da maneira de se fazer alguma coisa; uma das possibilidades concernentes a ação de descrever.

Considerações Finais
O embasamento teórico permitiu apreender que a leitura deste livro, quando devidamente intercedida, leva o aluno ao ato da leitura e, conseqüentemente, pode despertar o interesse pela produção textual. Como a protagonista da história registra suas idéias, a exemplificação permite a criação de textos autênticos, pois há em seus escritos textos completos que desenvolvem na narrativa de caráter coeso e até intrigante. Se existir uma correta mediação e o professor for consciente de que o principal objetivo de um educador precisa ser o de formar leitores competentes, o indivíduo que fizer a leitura deste livro, nessa expectativa, chegará à competência lingüística de realizar a leitura não só deste livro, mas de outros.
O livro “Bolsa Amarela” demanda do leitor capacidade lingüística, para saber identificar o que é criação lingüística da autora e o que é a maneira coloquial que ela emprega. Por mediação da interação livro/leitor, haverá um alicerce que evidenciará capacidades cognitivas, afetivas as quais gerarão inserção social da escrita, da ilustração, fruto de uma leitura ponderada. Esta obra infantil comprova o desempenho de papéis sociais que compreendem do lingüístico ao psicológico, do intelectual ao pedagógico. Essas características presentes no processo de desenvolvimento do ser humano nos aspectos do pensamento reflexivo, da aquisição da cidadania integral e do aprofundamento de conceitos que são muitas vezes completamente abstratos.

REFERÊNCIA
NUNES, Lygia Bojunga. A Bolsa Amarela. Rio de Janeiro: Agir, 1986.



[1] Aluna do Curso de Pedagogia da FAPI – Pinhais, 2011.
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