segunda-feira, 30 de maio de 2011

RELATÓRIO DO 6º ENCONTRO DO GRUPO DE APOIO - PDE/2009

RELATÓRIO DO 6º ENCONTRO DO GRUPO DE APOIO - PDE/2009
Relatório de Atividades
Proponente: Vera Lúcia Pereira de Souza

   Título do evento: Educação Profissional para alunos com deficiência intelectual significativa

  Local de realização: NRE: Assis Chateaubriand; Município: Nova Aurora; Escola de Educação Especial “Novo Amanhecer”

   Encontro nº: 06

   Data do Encontro: 06/10/2010


ETAPA 6

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

No dia 06/10/2010, aconteceu o sexto encontro do Grupo de Apoio a Implementação do Projeto na Escola de Educação Especial “Novo Amanhecer”. A professora PDE/09 Vera Lúcia iniciou a primeira atividade com a apresentação do Filme “O Oitavo Dia”, onde retrata George, um jovem a busca de seu espaço no mundo, às voltas com o isolamento de existir em sua fase mais dura: a dor por um abandono verdadeiro, provocado pela morte de sua mãe. Harry, um homem afrontado com o sentido de sua vida, a partir de um grave conflito em seu casamento.
George tem Síndrome de Down – esta é sua contingência primeira, um sinal grave que o define enquanto pessoa, mas não enquanto sujeito. Harry não tem Síndrome de Down: administrador de sucesso, abatido em suas relações com a mulher e com as filhas, são outras as contingências com as quais existem.
George não tem mais família: ele procura um ambiente de afeição e reconhecimento. Harry tem, contudo é como se não existisse: ele não consegue chegar-se aos seus.
A partir dessas cenas apresentadas no filme é possível observar que Georges, em seu desenvolvimento integral desenvolveu sua sexualidade. Como observado nas cenas descritas e de acordo com a literatura, pode ser visto que Georges esbarrou em preconceitos e estigmas causando reação de estranhamento na maioria das pessoas abrangidas nessas situações.
Com certeza, o repertório de comunicação de seus desejos em relação à sexualidade não foi para ele ensinado como para o resto dos personagens, já que ele convocava em casamento pessoas que não conhecia. No entanto, isso não expressa que a sexualidade dele seja diferente da das pessoas que não apresentam deficiência intelectual, mas que talvez ele não tenha aprendido a expressá-la de uma forma mais aceita socialmente.
Também pôde ser visto no filme um caso de abandono de Georges, que ficava na instituição sem ter contato com sua família, no caso à irmã, que falava não ter como ficar com ele, e sequer o visitava. Surge uma cena em que a irmã diz a Georges que, quando pequenos, tudo virava em torno dele, por conta da deficiência, de tal modo que ela sentiu-se pouco cuidada por sua mãe. Esse discurso aparece como justificativa para o desamparo já que a irmã expõe que sente que é a ocasião dela cuidar dela e da família, e que a instituição cuidará dele. A partir desta cena é possível ver o impacto da deficiência de Georges sobre essa família, que alterou a estrutura das relações, fazendo com que a irmã sentisse-se desprezada.
Por conta dessa falta de contato com a família e um ensino somente por parte da instituição, muito do que ele estudava só era possível por meio da mídia e dos meios de comunicação.
Assim, a atuação carinhosa e benéfica da mãe do jovem, vencendo as barreiras entre o Plano físico e espiritual, constitui uma matéria relevante do filme.
E, com certeza, a figura do carinhoso, solidário e risonho Georges – “criado por Deus no oitavo dia”, segundo o seguimento de Criação organizada por ele mesmo... – ficará na memória para sempre. O Oitavo Dia lança luz a um resgate de dignidade para a vida dos “diferentes”, sejam pessoas com deficiência intelectual ou sem-deficiência.
Após assistirem ao filme os participantes, responderam, em grupo, aos seguintes questionamentos:
 a) Que conclusões podemos tirar deste filme?
b) Qual o objetivo dele?
c) O que você sentiu ao assisti-lo?
Na segunda atividade foi à apresentação da Dinâmica intitulada “Embolação”, onde a mesma recomenda um maior intercâmbio entre os participantes e proporciona observar-se a capacidade de improviso e socialização, dinamismo, paciência e liderança dos integrantes do grupo.
Na terceira atividade foi feita a leitura do texto “Reflexões sobre a política de formação de professores para a educação especial / educação inclusiva”, Capítulo IV do Livro: A pessoa com deficiência na Sociedade contemporânea: Problematizando o debate. Site: http://cac-php.unioeste.br/projetos/pee/arquivos/pes_c_def_na_soc_con_pro_o_de.txt, o texto aborda que toda formação humana é cruzada por discursos que são produtores e que produzem significação. A perspectiva histórica nos demonstra que os discursos produzem verdades diferenciadas (mesmo que não especificadas) pela ilusão de quem fala e pela ilusão de que se controlam os sentidos do que se fala. Muito mais do que ilusão, a marca do não dito ao mesmo tempo constitui um saber e um poder que produz uma realidade e, por isso, uma prática discursiva. Assim, pode-se refletir a respeito das práticas discursivas no que se menciona à formação do professor de educação especial. No sentido de colaborar com a pesquisa sobre a formação de um professor na especificidade da pesquisa e atuação em educação especial, que pensa-se  ser necessário identificar, como nos textos científicos o termo ‘perspectiva inclusiva’, ‘educação inclusiva’ vem agarrada a educação especial, como vem produzindo discursos/formas de nomear a formação e como num conjunto de enunciados vem produzindo verdades que estão decidindo a formação deste professor. A apreensão esta em entender como este acontecimento discursivo que está sendo divulgado para dizer da formação de professores em educação especial, está determinado o espaço que pode não ser o ambiente da educação especial como área de conhecimento e de investigação em educação.
Neste argumento, considera-se importante assinalar para a reflexão da educação especial que numa perspectiva política recebe a qualidade/adjetivo de educação inclusiva. A necessidade da reflexão a respeito do que vem se produzindo como definições que tecem a constituição de sentidos, tanto para o campo da educação especial entendida como um campo de fronteiras, como para a educação inclusiva. A compreensão cada vez mais necessária destas semelhanças poderá identificar as interfaces que induzam a produção de outras verdades mais ou menos legitimadoras de uma formação de professores de educação especial.
A verdadeira profissionalização se dá a partir da ocasião em que é permitido ao professor racionalizar e avaliar a própria prática, criticando-a, revisando-a, fundamentado-a na construção do desenvolvimento da unidade de ensino como um todo. O professor é um agente essencial no processo de inclusão, contudo ele necessita ser apoiado e valorizado, pois sozinho não poderá concretizar a construção de uma escola baseada numa concepção inclusivista.
Após a leitura os participantes responderam, em grupo, os seguintes questionamentos:
a) Em seu ponto de vista aonde reside à maior dificuldade para a implementação da política de ensino, nos vários obstáculos arquitetônicos encontrados nos ambientes escolares, ou nas barreiras atitudinais presentes nas pessoas? Justifique.  
 b) Diante dos temas já estudados e seu entendimento sobre o assunto, dê sua definição de Escola Inclusiva.
No sexto encontro participaram 15 cursistas (professores e funcionários) da Escola de Educação Especial “Novo Amanhecer”.




Vera Lúcia Pereira de Souza
Professora PDE/2009


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