domingo, 30 de março de 2014

ÁFRICA BERÇO DA HUMANIDADE E DA CIVILIZAÇÃO

ÁFRICA BERÇO DA HUMANIDADE E DA CIVILIZAÇÃO

SOUZA, Vera Lúcia Pereira de.

              As teorias científicas mostram a África como continente aonde aconteceu o aparecimento da espécie da humanidade. A cada momento surgem novidades na arqueologia, contudo, neste momento, o fóssil mais antigo achado é o do AUSTRALOPITECUS[1] com aproximadamente 3,2 milhões de anos. Este fóssil foi denominado de Lucy. A origem da denominação do nome deve-se a música dos Beatles “Lucy no céu com diamantes” que estaria sendo escutada na hora do achado.

AUSTRALOPITECUS
              Outras espécies humanas como o HOMO ERECTUS e o HOMO SAPEINS (segundo os cientistas é a nossa espécie) também surgiram e se desenvolveram na África e de lá se espalharam pela Europa, Ásia, Oceania e América[2].
              É um erro, ao avaliarmos o continente africano, avaliarmos, somente, os últimos 500 anos quando a dominação europeia desestruturou toda a organização ali existente.
              Antes de qualquer contato com as pessoas portuguesas, as pessoas africanas já navegavam e tinham contato com a Índia, China e Europa.
              Os mouros que dominavam a Península Ibérica eram pessoas africanas islamizadas. Por meio delas Portugal e Espanha incorporaram importantes características culturais e étnicas[3].
              A origem da palavra escravo está na palavra “eslavo” que dizia respeito ao grupo linguístico do leste europeu e não esta ligada as pessoas africanas. A escravização não era somente dos povos africanos da antiguidade[4].
              Na América, com a exploração do território do Brasil as pessoas portuguesas transportaram uma grande quantidade de pessoas africanas escravizadas, para servirem de mão-de-obra nos latifúndios do Brasil Colônia e Brasil Império[5].
              A opção pela escravização de pessoas africanas e não pelas pessoas indígenas, decorreu pelos lucros que o tráfico e a exploração colonial proporcionavam para Portugal.
              A história nos demonstra que as pessoas indígenas também, foram escravizadas, sempre que necessário, porem os lucros vindo do tráfico de pessoas africanas, eram por vezes superiores aqueles proporcionados pela produção dos gêneros agrícolas de exportação de cada período.
              Pelo desenvolvimento tecnológico, em que os povos se achavam, é possível afirmar que as pessoas africanas eram uma mão-de-obra mais qualificada, porém, trata-se de um duplo equivoco a afirmação que de as pessoas africanas, fossem mais dóceis e escravização que as pessoas indígenas que, eram consideradas preguiçosas e rebeldes[6].
              As pessoas africanas nunca aceitaram a escravização, superando os planos de quebra de sua resistência.

Às vezes me chamam de negro,
Pensando que vão me humilhar
Mas o que eles não sabem é que só me fazem lembrar
Que eu venho daquela raça, que lutou pra se libertar


Que criou o Maculelê
E acredita no camdomblé
E que tem um sorriso no rosto
A ginga no corpo
E o samba no pé


Que fez surgir de uma dança
Luta que pode matar
Capoeira, arma poderosa
Luta de libertação


Brancos e negros na roda se abraçam como irmãos
Perguntei ao camará, o que é meu?
O que é meu irmão? 
Ô meu irmão do coração
O que é meu irmão?
Ô Camará o que é meu?
                                  (Luiz Renato)[7]

              A tendência à homogeneização deve ser combatida. Tanto a África como o Brasil tem heterogeneidades que precisam ser levadas em conta. Foram às pessoas europeias que denominaram, de forma genérica, todas as pessoas africanas de “negros” sem levar em consideração os diferentes territórios étnicos a que pertenciam.
              Para o pensamento hegemônico de matriz europeia, civilizar o Brasil era afastar as pessoas de seus referenciais de identidade étnica. Daí a proibição da capoeira e do candomblé e o preconceito contra tudo que a pessoa possa lembrar nossas matrizes culturais africanas.
              Deste modo, o corpo da mulher negra, torna-se alvo do preconceito por se ele o portador da heterogeneidade, da cor dos olhos, da textura do cabelo, da dança, por requebrar, por realizar movimentos cerimoniais. Foi o corpo das mulheres negras que, também, recebeu a violência por andar descalço, receber marcações, de trazer os sinais dos acoites.
              Manter a memória das mulheres negras, por meio da arte, é então preservar heranças nos objetos, na dança, nas histórias contadas oralmente, no vestuário, na música tocada ou cantada, na maneira de trabalhar e se alimentar.
              Buscar uma identidade heterogênica é, também, ser mais brasileiro. Assumir a beleza estética que veio dos ancestrais das pessoas negras é uma forma de resistência e de pertencimento. É conquista de cidadania.


SUGESTÃO DE SITE NA INTERNET

A CASA DAS ÁFRICAS

Fonte: http://www.casadasafricas.org.br/wp/wp-content/uploads/2012/05/copy-tugu-na-2.gif 

              A Casa das Áfricas é um instituto de pesquisa, de formação e de promoção de atividades culturais e artísticas relacionadas ao continente africano.
              Seu objetivo fundamental é de contribuir para o processo de produção e ampliação de conhecimentos sobre as sociedades africanas e para o diálogo entre instituições e pesquisadores que tenham como foco de trabalho a África, notadamente nas regiões do oeste e do norte do continente além dos países de língua oficial portuguesa.
              Espaço cultural e de estudo sobre as sociedades africanas. Disponível em: <http://www.casadasafricas.org.br/>.


SUGESTÃO DE FILME


             
              Amistad. Apesar de não procurar representar a realidade brasileira o enredo é bem interessante, pois, discute a injustiça da escravidão.
Lançamento: 20 de fevereiro de 1998 (2h 35min).
Dirigido por: Steven Spielberg.
Com: Anthony Hopkins, Nigel Hawthorne, Morgan Freeman.
Gênero: Drama, Histórico.
Nacionalidade: EUA.

Cena do filme Amistad.

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=hU07Hh0sFCc>.




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