domingo, 30 de março de 2014

PROJETO DE INTERVENÇÃO - EDUCAÇÃO ÉTNICO-RACIAL NO ENSINO FUNDAMENTAL: EDUCAÇÃO ESPECIAL

VERA LÚCIA PEREIRA DE SOUZA













EDUCAÇÃO ÉTNICO-RACIAL NO ENSINO FUNDAMENTAL: EDUCAÇÃO ESPECIAL















NOVA AURORA
2013


  

MEU IRMÃO BRANCO[1]

Quando eu nasci, eu era negro.
Quando cresci, eu era negro.
Quando estou com medo, eu sou negro.
Quando eu morrer, eu serei negro.
Quando eu vou ao sol, eu sou negro.
E você Homem Branco?
Quando você nasceu, era rosa.
Quando você cresceu, era branco.
Quando você vai ao sol, fica vermelho.
Quando você fica com frio, fica roxo.
Quando você fica com medo, fica amarelo.
Quando fica doente, fica verde.
Quando você morrer, ficará cinza.
Você ainda tem o topete de me chamar de Homem de Cor, depois de tudo isso, Homem Branco?
Texto: Autoria desconhecida.

1 INTRODUÇÃO


              No mundo inteiro, como vemos em várias fontes de notícias, as reformas educacionais, estão sendo marcadas por mudanças na organização curricular, com discursos em defesa de diferentes modalidades de currículo integrado. Em nosso País Brasil, a introdução de temas transversais, a interdisciplinaridade e a definição de competências e habilidades são marcas das reformas curriculares acontecidas nas duas últimas décadas.
              Vários estudos em nosso País Brasil demonstram que a heterogeneidade étnico-racial é mais do que uma demanda colocada à sociedade, à escola e ao currículo, para ser tratada sem preconceitos. Trata-se sim de um elemento importante da socialização, do conhecimento e reeducação das diferenças, que deve ser assumida particularmente pelos professores e deste modo, desenvolverem uma nova atitude profissional fundamentada no respeito à diferença, no reconhecimento das multiplicidades e na construção de um trato pedagógico da heterogeneidade de cultura, de valores, de práticas, de aprendizagem, de gênero, de raça.
              Penso igual a Silva (2010) que afirma que os professores, além de qualificados para as áreas de conhecimento, precisam receber formação para lidar com as tensas relações produzidas pelo racismo, preconceito e discriminações, a fim de se tornarem sensíveis e aptos de conduzir uma reeducação das relações étnico-raciais entre os muitos grupos étnico-raciais.
              Na verdade, se é inadmissível defender a exclusão das comunidades heterogenias da vida escolar, é igualmente inadmissível sustentar ambiguidades que ponham em causa a autonomia científica e a dignidade profissional do corpo docente.
            A escola deve contribuir para preparar um futuro com uma dada concepção da vida em sociedade.
            Portanto, contribuir para o respeito às heterogeneidades humanas, para recriar a paz, para reduzir a violência e para forjar um projeto do viver em conjunto em sociedade.
              Com este curso tive a oportunidade de conhecer um rico material sobre a Educação Étnico-Racial, e, esse material já esta fazendo diferença na minha pratica profissional.
              Trabalho com alunos com deficiência intelectual e múltipla deficiência, que muitas, vezes são ignoradas por muitas pessoas, vejo o quanto os nossos educandos se sentem jogados a margem. As pessoas negras também passam por preconceitos, por estigmas, onde muitos acham que a cor da pessoa determina a sua inteligência.
              Creio que preconceitos inofensivos não existem, todos os preconceitos fazem sofrer na alma e na carne. Precisamos estar vigilantes constantemente a filmes de cinema, novelas de TV, relatórios em todos os círculos de comunicação. E denunciar o cometimento de atos preconceituosos e discriminatórios. Mas igualmente educar, ensinar o público, divulgando como e aonde os preconceitos e discriminações se apresentam. Acredito que, vale a pena o trabalho de conscientizar a sociedade. Todas as ocasiões que interferimos, fazemos a diferença: a cada interferência, adicionamos um tijolo na edificação de uma sociedade inclusiva e justa.
              Assim, acredito que podemos aprender uns com os outros para sermos mais e fazermos mais, mas, para isso necessitamos enxergar os outros, dar importância aos outros, sentir ausência dos outros, dessa ampliação de horizontes que representam. Não satisfaz, assim, falar não à discriminação. É necessário falar sim à heterogeneidade por meio de práticas que supõem inclusão e gestão da heterogeneidade, que é o que este curso esta me proporcionando, pois, os materiais oferecidos pelo são excelentes e apresentam um grande conhecimento a respeito da educação étnico-racial.
              Assim, escolhi o Tema Educação Étnico-Racial no Ensino Fundamental: Educação Especial, pois, constantemente, na educação especial, estamos lutando e mostrando para as pessoas os direitos das pessoas com deficiência e agora, dando continuidade a esse trabalho, demonstrar também, a importância de se preservar os direitos de todas as pessoas, não importando se são pessoas com deficiência ou não, se são pessoas negras ou não, se pessoas indígenas ou não, todos perante a nossa Carta Magna, tem direitos iguais e de fazer parte da nossa sociedade.


2 JUSTIFICATIVA


              A Escola “Novo Amanhecer” – Educação Infantil e Ensino fundamental, na Modalidade Educação Especial – APAE de Nova Aurora oferece atendimento educacional aos educandos com deficiência intelectual e múltipla deficiência. Apresenta currículo, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específica para atender as necessidades dos educandos com deficiência intelectual. Nas questões relevantes ao trabalho é observada sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive oferecendo condições adequadas para os que não revelam capacidade no trabalho competitivo, bem como aqueles que apresentam capacidade nas áreas artística, intelectual e psicomotora.
              A Escola “Novo Amanhecer” oferece atendimento pedagógico, psicológico, estimulação precoce, Educação Musical, Educação Física e Artes, e ainda, em horário diferenciado às aulas e aos que necessitam oferece atendimento fonoaudiológico, fisioterapêutico, terapia ocupacional, psiquiatria, serviço social e psicologia.
              Diante dessas atividades são trabalhados conteúdos relacionados a crianças, jovens e adultos, como higiene pessoal e no meio familiar, a socialização do meio em que vive família, escola e comunidade. Trabalha, ainda, com educandos a educação profissional, que são os cursos livres como: confecção de cestas, artesanatos, limpeza doméstica, oficina de culinária, oficina de biscuit, reciclagem de tecido, reciclagem de madeira, oficina de crochê e bordado.
              No que tange as relações de trabalho na Escola “Novo amanhecer”, pode-se dizer que a ação e a atuação não estão centradas em um único profissional. Procura-se, constantemente, promover um trabalho multi e interdisciplinar.
              Assim, não apenas o diretor, mas, inclusive, a equipe pedagógica, professores, funcionários e profissionais da saúde procuram analisar, discutir e auxiliar na tomada de decisões e realizações de projetos. Além disso, todas as pessoas envolvidas, direta ou indiretamente com o contexto sócio escolar, são informados acerca das medidas tomadas ou ainda convidadas a participar na tomada de algumas decisões, o que inclui, necessariamente, pais, responsáveis e alunos.
              Além disso, as diferenças individuais são respeitadas, ao passo que as qualidades e potencialidades dos profissionais são valorizadas e estimuladas. Acredita-se que a oportunidade de todos os membros participarem de ações coletivas permite uma responsabilização também coletiva por aquilo que esta sendo feito, uma vez que a ação realizada em conjunto destina-se a todos os atores envolvidos com a comunidade educativa.
              Não obstante da nossa Carta Magna Brasileira que, define, que todas as pessoas são iguais ante a lei e dessa, interpretamos que todas as pessoas tem o direito de se verem representado historicamente, infelizmente, as práticas demonstram o contrário.
              É necessário lembrar que faz parte do ideário da escola e da sociedade em geral, fazer a transformação social e atuar pró ativamente na formação da identidade possível e que não falta momento para a apreciação e discussão crítica e contextualizada da realizada, utilizando para isso textos e imagens. Assim, a escola e a sociedade, necessitam estar atentos e cuidadosos em relação às escolhas feitas para a prática pedagógica e prática social, pois, as nossas atuações transcendem o planejamento.
              Creio que a diferença das pessoas, seja pela idade, deficiência, raça, gênero ou condição econômica, não diminui seus direitos; elas gozam de todos os direitos afiançados na legislação brasileira.
              O nosso Brasil é, sem dúvida, um país parcial. Injusto com as pessoas com deficiências, com as pessoas negras, com as pessoas indígenas, com as pessoas excluídas de um modo geral. Mas, também, é um país generoso, potencialmente rico e inclusivo, que vem procurando atingir a sua plenitude, com coragem e determinação.
              Essa coragem deve ser fundamentalmente, coletiva, pois enquanto as deficiências assinalam as diferenças sociais e individuais, a construção da plenitude junta a todos, sem distinções, no sonho da nação próspera e equitativa para todos. Assim, todos têm que ir ao meio para edificarmos, juntos, a sociedade inclusiva que, transformará nossas limitações e deficiências individuais em plenitude coletiva.
              Os direitos humanos são para todos, é preciso ter em mente toda a heterogeneidade dos seres humanos, avaliando as demandas de gênero, orientação sexual, religião, opinião política, circunstância econômica, raça, cor, origem social, etnia, nacionalidade, profissão, deficiência, idade, nível educacional, situação matrimonial, entre outras. É necessário lembrar-se de homens e mulheres, de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, transgêneros e travestis. Tem-se que abranger agnósticos, cristãos das várias designações, mulçumanos, judeus, budistas, messiânicos, xintoístas, esotéricos, espíritas, ciganos, seguidores do candomblé, da umbanda, do catimbó, do Santo Daime, e de outros milhares de tradições e cultos religiosos existentes no nosso planeta.
              É imprescindível respeitar os socialistas, os comunistas, os conservadores, os liberais, quem está à esquerda, quem está à direita ou ao núcleo. Tem que se cuidar dos mais pobres, da classe média, dos ricos, dos abastados, dos empresários, dos empregados, dos ambulantes, dos autônomos, dos artesãos, dos pescadores, dos lavradores, das empregadas domésticas, dos servidores públicos, dos professores, médicos, policiais e dos desempregados.
              Não se pode deixar de lado nem pessoas brancas, nem pessoas negras, nem pessoas indígenas, nem pessoas asiáticas, nem pessoas mestiças, nem pessoas sulistas, nem pessoas nortistas, nem pessoas nordestinas, nem pessoas da cidade, nem pessoas do campo, nem pessoas da floresta, nem pessoas do litoral ou nem pessoas da serra, nem pessoas brasileiras, nem pessoas estrangeiras, nem pessoas refugiadas. Não pode esquecer-se das crianças, das pessoas adolescentes, das pessoas adultas, das pessoas idosas, dos bebês, dos fetos, das gerações passadas e futuras.
              Devem-se incluir pessoas com: deficiência física, deficiência auditiva, deficiência visual, deficiência intelectual, as pessoas com mobilidade reduzida e pessoa com deficiência múltipla. Tem-se que abranger analfabetos, semianalfabetos, analfabetos funcionais, educandos, graduados, mestres, doutores e pós-doutores, solteiros, casados, desquitados, separados, divorciados, os que vivem em união estável, os casais homossexuais e heterossexuais.
              Somos um país multirracial e multiétnico. Mas, não é só isso. Nossa identidade necessita ser reconhecida e estimada na sua extensa heterogeneidade, considerando aspectos físicos, psíquicos, culturais, religiosos, geracionais, entre outros.
              Essa é a réplica que precisamos vivenciar: Todos são todos! Sem eliminar nenhuma pessoa! Eis o nosso continuado desafio: Juntos procurando a efetividade dos direitos e deveres de todos.

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA


              O conceito de raça implica o conhecimento de algo definitivo e biológico, sendo fundamentado nas propriedades biologicamente fundamentadas, o conceito de etnicidade não pressupõe nada congênito, trata-se de um acontecimento meramente social, produzido e reproduzido ao longo do tempo, aonde por meio da socialização o indivíduo assimila os modos de vida, regras e crenças de suas comunidades. Observa-se que a etnicidade pode ser central para a identificação do indivíduo e do grupo oferecendo uma linha de continuação com o passado, alimentada viva por meio das práticas das tradições culturais, não sendo estática nem durável, mas alterável e adaptável.


Nesse sentido, o sentimento de pertencimento a uma etnia pode ser expresso pela palavra etnicidade. As crenças em uma identidade comum, especialmente por parte dos grupos sociais que foram historicamente subordinados aos imperialismos universalistas (romano, europeu, norte-americano, etc.), fomentaram lutas e resistências de povos vizinhos que, antes mesmo da chegada dos dominadores, se relacionavam como fronteiriços e adversários pelo aproveitamento das ecologias locais. Essa identidade étnica, a etnicidade, se mostra sempre em movimento e motivada por sentimentos e afetividades em torno das sociabilidades cotidianas: nós e eles, que são, à primeira vista, denominações de identificação difusa, definem exatamente as nossas experiências e as nossas imaginações sobre as experiências que não são nossas e que, por isso mesmo, estranhas a nós, são dos outros. (FLORES, 2008, p. 25).


            Frente a estas considerações, percebe-se que a identidade cultural, por fim, pode ser entendida como um processo de incorporação de conhecimentos e da cultura do local onde se vive. A raça, por sua vez, é algo definitivo e biológico. A etnicidade, com um significado puramente social, refere-se às práticas e às visões culturais de determinada comunidade de pessoas e que as distingue das outras como a língua, história ou linhagem, religião, estilos de roupas, adornos e hábitos.


A lei maior que rege o país, a Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988, em que pese as suas várias emendas, é um excelente instrumento para iniciar reflexões, realizar atividades pedagógicas ou propor ações afirmativas nos assuntos relativos às identidades étnicas. (FLORES, 2008, p. 25).



             Desse modo, será possível a crítica à escola excludente e a constituição de atuações verdadeiramente propositivas em nome da justiça social. O conhecimento da humanidade em sua historicidade acende abertura para isso, uma vez que permite aos indivíduos, por exemplo, condições para lutas políticos conscientes e a constituição de identidades em que as relações de etnicidade podem ser consideradas relações de poder e marcadas por formas de resistência.
              A Constituição Federal de 1988, nomeada de Constituição cidadã, em seu artigo 5º, “instituiu a discriminação racial como prática de crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”. Essas práticas discriminatórias ligadas à exclusão social evitam muitos brasileiros de terem uma existência completa da sua cidadania. É possível afirmar que a “Carta Magna” agrupa algumas das históricas exigências dos Movimentos das Pessoas Negras no que diz respeito à discriminação racial, o que comprova um relativo avanço desta matéria no campo do poder legislativo. (BRASIL, 1988).
              No que se refere nomeadamente à Educação, o artigo 27, inciso I, da Constituição Federal destaca que os conteúdos curriculares da Educação Básica precisarão analisar “a difusão de valores fundamentais no interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos de respeito ao bem comum e a ordem democrática”. (BRASIL, 1988).
              A LDB, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), tem como um dos desafios regulamentar a atuação da União para gerir o modelo educacional brasileiro, estabelecer em colaboração com estados, distrito federal e municípios, dando diretrizes que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos. (BRASIL, 1996).
              A LDB, embora existam diversas lacunas, coopera para colocar na pauta de discussões demandas referentes à heterogeneidade cultural e a pluralidade étnica. (BRASIL, 1996).
              Pautada nesta legislação nascem os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) que, embora não sejam normativos entram no dia-a-dia das escolas com esse caráter e é adotado como instrumento legal por muitos gestores e professores. (BRASIL, 1997).
              Já as indicações expressas nos PCN’s para se trabalhar nas escolas de Ensino Fundamental e Médio é trazer à tona debates que afligem a sociedade contemporânea como: Meio Ambiente, Sexualidade e Pluralidade Cultural, levantando demandas para que os profissionais da educação possam se auxiliar e lidar com menos preconceito a respeito desses temas. Também de acordo com o citado documento, a atitude laica da escola pública torna-se imprescindível no cumprimento do dever do Estado, referente ao estabelecimento global de uma educação democrática, voltada para o aperfeiçoamento e a concretização de liberdades e direitos fundamentais da pessoa humana. O aproveitamento e o aperfeiçoamento da legislação são cruciais, porém insuficientes. Os direitos culturais e a criminalização da discriminação atendem aspectos referentes à proteção de pessoas e grupos pertencentes às minorias étnicas e culturais. Para cooperar nesse procedimento de superação da discriminação e de construção de uma sociedade equitativa, livre e fraterna, o processo tem de tratar do campo social, voltados para a formação de novas condutas, novos vínculos, em relação àqueles que de acordo com a história foram alvos de injustiças, que se manifestam no dia-a-dia. (BRASIL, 1997).
              Assim, de acordo com as diretrizes dos PCNs, a escola necessitaria colaborar para que princípios constitucionais de equidade fossem viabilizados, mediante atuações em que a escola trabalharia com demandas da heterogeneidade cultural, indicando a necessidade de se conhecer e considerar a cultura dos múltiplos grupos étnicos. Na área educacional, a heterogeneidade social dominou as preocupações de pesquisadores (as) e educadores (as) durante as décadas de 1960 a 1980 no Brasil. A partir da década de 1990, a demanda da diferença se sobressaiu na pauta de estudos e nomeadas de inovações, como separo nesse fragmento dos PCN - Pluralidade Cultural:

A perspectiva transversal aponta uma transformação da prática pedagógica, pois rompe a limitação da atuação dos professores às atividades formais e amplia a sua responsabilidade com a sua formação dos alunos. Os Temas Transversais permeiam necessariamente toda a prática educativa que abarca relações entre os alunos, entre professores e alunos e entre diferentes membros da comunidade escolar. a inclusão dos temas implica a necessidade de um trabalho sistemático e contínuo no decorrer de toda a escolaridade, o que possibilitará um tratamento cada vez mais aprofundado das questões eleitas. Por exemplo, se é desejável que os alunos desenvolvam uma postura de respeito às diferenças, é fundamental que isso seja tratado desde o início da escola e continue sendo tratado cada vez com maiores possibilidades de reflexão, compreensão e autonomia. (BRASIL, 1997b, p. 30).


              Mais recém essa estrutura jurídica-normativa é acrescido da Lei 10.639 de 9 de janeiro de 2003 que altera a LDB “para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura afro-brasileira”. Com o desígnio de viabilizar a implementação da lei, são organizadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o ensino de História e cultura afro-brasileira e africana, consentida pelo Conselho Nacional de Educação em 10 de março de 2004. Nos seus apontamentos as diretrizes assinalam para que “estas condições materiais das escolas e de formação de professores são indispensáveis para uma educação de qualidade, para todos, assim como o é o reconhecimento e valorização da história, cultura e identidade dos descendentes de africanos (Diretrizes Curriculares)”. (AGUIAR, 2009).
             

 4 OBJETIVOS


4.1 Objetivo Geral

Promover atividades que estabeleçam o desenvolvimento de ações de valorização e respeito da história das pessoas africanas e da cultura afro-brasileiras e da diversidade na construção histórica e cultural do país.

4.2 Objetivos Específicos

- Socializar entre toda comunidade escolar a cultura negro-africana.
- Promover a formação humana a partir dos conhecimentos estudados.
- Valorizar a cultura das pessoas negras e seus afrodescendentes e afro-brasileiros, na escola e na comunidade.

  
5 DESENVOLVIMENTO

              O desenvolvimento do projeto estará de acordo com as atividades temáticas trabalhadas na Escola “Novo Amanhecer” e será feito de acordo com as necessidades das turmas e a realidade local, estabelecendo o problema e a proposta de conteúdo para a sala de aula. O tema será desenvolvido na sala de aula por meio de atividades para a sua exploração, sistematização e para a conclusão dos trabalhos. Os alunos com deficiência intelectual e múltipla deficiência farão observações diretas no entorno familiar, observações indiretas em desenhos e/ou vídeos, experimentações e leituras. Assim, serão feitas várias atividades, descritas, logo abaixo:
              A primeira atividade será um vídeo intitulado “Gestão Educacional para Diversidade” repassado a todos os professores. O vídeo aborda formas como os professores podem construir com as crianças, a partir de questionamentos dos próprios alunos, o princípio de que as diferenças entre os seres humanos são um valor, não motivo de discriminação. O vídeo discute propostas pedagógicas voltadas para a construção de uma escola que forme cidadãos conscientes do valor de seu pertencimento étnico-racial, em especial as pessoas descendentes
de africanos. Vídeo com duração de 52 minutos. Série: Salto para o Futuro. Disponível em: <http://tvescola.mec.gov.br/index.php?item_id=5726&option=com_zoo&view=item>.

5.1 Público-Alvo: Educandos da Educação de Jovens e Adultos – EJA e do Ensino Fundamental – Série Inicial - com deficiência intelectual e múltipla deficiência.

5.2 Perfil das turmas: A maioria do educandos dessas turmas não dominam a leitura e a escrita.

5.2.1 Período de Implementação do Projeto: 1º Bimestre do ano letivo de 2014.

5.3 Dados da Atividade

O que o educando com deficiência intelectual e múltipla deficiência poderá aprender com esta atividade:
- Aprender a respeito da diversidade cultural e lúdica dos países das pessoas africanas, por meio dinâmicas e brincadeiras populares deste continente.
- Aprender os regulamentos e estimular o pensamento logico-estratégico das educandos com deficiência intelectual e múltipla deficiência por meio dos jogos.
- Aprender a desenvolver a percepção do próprio educando com deficiência em relação ao tempo e espaço em que se concretizam os movimentos das brincadeiras.

5.4 Duração das atividades

Cada atividade terá um tempo aproximado de 30 minutos.

5.5 Atividade 1 – Onde tudo começou
Duração: 30 minutos
Material: vídeos da internet
Local: sala de apoio pedagógico no computador            
Para iniciar o tema dos jogos e brincadeiras provenientes de países das pessoas  africanas as professoras do Ensino Fundamental e da EJA, farão uma breve contextualização sobre a diversidade cultural e natural do continente africano por meio de vídeos da internet.

5.5.1 Vídeos que serão utilizados na aula
 - Reportagem produzida pela EPTV Campinas, afiliada da Rede Globo, sobre a África. Uma viagem pela vida selvagem da África do Sul, Botswana, Namíbia, Zimbabwe e Zâmbia. Duração: 5’23”. Disponível em:

- Reportagem produzida pela EPTV Campinas, afiliada da Rede Globo, sobre a África. Uma viagem pela vida selvagem da África do Sul, Botswana, Namí­bia, Zimbabwe e Zâmbia. Duração: 8’55”. Disponível em:

 - Imagens de cidades do continente das pessoas africanas que, não são mostradas nos livros didáticos. Somente com uma boa pesquisa, podemos ver o outro lado do continente africano que não nos é mostrado. Duração: 5’44”. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=3vllE0-Xuo0&feature=related>.

 - Histórias Animadas - A Cor da Cultura - Bruna e a Galinha d'Angola. Vídeo: Contribuição para Procedimentos Didático-Pedagógicos Aplicáveis em História e Cultura Afro-Brasileira- UFRGS. Duração: 6’25”. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=eqvqBT41lWY>.


- História: Menina Bonita do Laço de Fita. Duração: 5’25”. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=gzMdC-Hwo2I>.
Após assistirem aos vídeos, as professoras solicitarão aos educandos com deficiência que, façam desenhos representando o que assistiram nos vídeos. As professoras pedirão aos educandos que façam uma leitura dos desenhos feitos. Por meio desta atividade as professoras instigarão os educandos com deficiência sobre a cultura étnico-racial, explorarão o respeito ao nosso planeta e a todos as pessoas que vivem em nosso planeta. As professoras explicarão que, é muito bom termos uma diversidade de etnias em nosso país. Esta atividade será a oportunidade de promover o respeito pelas várias etnias existentes.

Vídeo: Breve História da Cultura Africana. Um apanhado maravilhoso sobre a cultura africana de um modo geral. Religião, costumes, ritmos, paladar, linguagem... Um breve histórico expositivo de tudo. Duração: 10’38”. Disponível: <http://www.youtube.com/watch?v=RPzxt1iZGiA>.

5.6 Atividade 2 – Dinâmica das Cores

Recursos necessários:
- Lápis de cores (várias cores e/ou giz, também de várias);
- Aparelho de som.
As professoras levarão um aparelho de som para a sala de aula e colocará uma música suave. Espalharão vários lápis ou gizes de cera, de várias cores, sobre a mesa e pedirão para que, os educandos com deficiência possam escolher a cor que mais lhes agrada. Terão cores iguais e cores diferentes. As professoras conversarão com os educandos sobre como seria o mundo se tudo fosse de uma só cor... vermelho, por exemplo; e se tudo fosse azul? Ou branco? Será que os educandos comeriam uma banana azul? Ou um morango cinza? Sim? Não? Por quê?
As professoras perguntarão se é bom haver cores diferentes e por quê.
Depois, as professoras pedirão que os educando com deficiência olhem uns para os outros. Assim como as cores, cada um é diferente. Muitas coisas variam: cor e tipo de cabelo, formato e cor dos olhos, tamanho do nariz, altura, cor da pele... As professoras perguntarão que cor de lápis ou giz é mais parecida com a cor da pele de cada um. (Caso algum educando com deficiência diga que sua cor é “feia”, as professoras trabalharão, que não existe cor feia, que as cores fazem parte das nossas vidas).

5.7 Atividade – 3

Será apresentado o desenho animado “A história de Kirikou”. O desenho animado mostra o cotidiano de uma aldeia senegalesa e retrata uma lenda da África Ocidental.   Duração: 23’31”. Disponível em:
Após os educandos com deficiência intelectual e múltipla deficiência assistirem ao desenho animado, os educandos montarão um painel, com recortes de revistas, jornais, sobre a cultura africana.

5.8 Atividade – 4

As professoras, juntamente com os educandos com deficiência procurarão em revistas, na internet, livros, jornais, figuras de personagens de pessoas negras ou afros descendentes, para conversação e montagem de um painel. As professoras, também, farão a leitura de algumas biografias de pessoas negras: Pelé, Mandela, Zumbi dos Palmares. Após montagem do painel, o mesmo será exposto para que toda a Escola possa ver e fazer uma reflexão sobre a vida das pessoas negras no Brasil e no mundo.
 
6 AVALIAÇÃO
 
              A avaliação ocorrerá em qualquer período do procedimento educacional, de forma contínua e diagnóstica; com a finalidade primordial de rever a própria prática docente criando novas possibilidades para estimular os educandos com deficiência intelectual e múltipla deficiência a desenvolverem-se suas potencialidades levando em conta, especialmente, os avanços individuais dentro da coletividade e a participação no desenvolvimento de todas as atividades (de acordo com as peculiaridades de cada educando) no transcorrer do projeto.
              Também, ao final das atividades, as professoras pedirão aos educandos que relatem para os pais tudo que foi aprendido na aula. As professoras solicitarão aos educandos, que peçam aos pais para escreverem, um breve comentário, sobre as atividades que foram desenvolvidas durante a implementação do projeto.
             

REFERÊNCIAS


AGUIAR, M. A. da S. (org.) [ ] Educação e diversidade: estudos e pesquisas. Marcia Angela da Silva Aguiar, Ahyas Siss, Iolanda de Oliveira, Janete Maria L. de Azevedo, Márcia Soares de Alvarenga, Petronilha Beatriz G. e Silva, Rachel de Oliveira. (orgs.) [ ]. Recife: Gráfica J. Luiz Vasconcelos. Ed., 2009. Disponível em:<http://www.ufpe.br/cead/estudosepesquisa/textos/artigos_vol_2.pdf>.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 1988. Texto Compilado. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>.


BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf>.


BRASIL. Lei n. º 10.639, de 09.01.03. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. BRASÍLIA. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm>.


BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997. 126p. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf>.


BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Apresentação dos Temas Transversais – Ética. Secretaria de Educação Fundamental – Brasília- MEC / SEF, 1997b. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro081.pdf>.


FLORES, E. C. Nós e eles: etnia, etnicidade, etnocentrismo. Direitos Humanos: capacitação de educadores. João Pessoa: Editora Universitária / UFPB, 2008, v. II.

SILVA, P. B. G. Escola e Discriminações: negros, índios, cultura erudita. In: SOARES, L. (Et.al.) Convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente. Belo Horizonte: Autêntica, 2010b, p. 738-755.



Postar um comentário