domingo, 30 de março de 2014

RELIGIOSIDADE AFRO-BRASILEIRA

RELIGIOSIDADE AFRO-BRASILEIRA
SOUZA, Vera Lúcia Pereira de.


              Um dos aspectos centrais da vida das pessoas africanas e de seus descendentes no Brasil foi o jeito como sustentaram contato com as entidades sobrenaturais, espíritos, deuses e ancestrais. Os vínculos de solidariedade, as comunidade e identidades se edificaram em torno da religião.
              Pela perseguição que sofreram e que se acha escrita nos autos do Tribunal do Santo Ofício[1] ou nos Boletins de ocorrência feitos pela polícia, temos um volume de informações a respeito das práticas religiosas bem maiores do que sobre outros aspectos da vida das pessoas africanas. Contudo, precisamos sempre levar em conta que são fontes produzidas, exatamente, por quem fazia perseguição.
              Outro fato da dificuldade para compreendermos as religiões Afro-brasileiras é o fato de não estarem fundamentadas em livros sagrados e serem transmitidas oralmente. (MARÇAL, 2013).
              Segundo o professor Vagner Gonçalves Silva[2] do departamento de antropologia da Universidade de São Paulo, as pessoas tem dificuldade em compreender as crenças de ascendência africana, porque elas são diferentes do padrão oficial da religiosidade. A carga de preconceito aumenta porque nelas ocorre o transe, o sacrifício de animais e o culto de espíritos. Essas particularidades acabam sendo agregadas com magia negra, vista como crendice de gente ignorante ou, pior ainda, como métodos demoníacos.
              Não obstante as religiões constituam um sistema de práticas e crenças referentes a um mundo invisível, divulgam as experiências sociais, politicas e econômica de cada espaço e período. Com as religiões afro-brasileiras não são diferente. (MARÇAL, 2013).
              As pessoas africanas eram batizadas[3] já nos navios e ao desembarcarem no Brasil não era permitida nenhuma prática que, a igreja relacionasse com magia. Isso sempre foi entendido como uma revelação diabólica. Muitas pessoas africanas foram condenadas sob a acusação de magia. O transe, por exemplo, era compreendido como possessão e o uso de alimentos, animais e alguidares[4] como bruxaria.
              Os batuques nos terreiros eram tolerados, pois, sempre havia a desculpa de que se tratava de uma homenagem aos santos católicos. (MARÇAL, 2013).
              Quanto às religiões afrodescendentes, fiz a pesquisa no município em que resido e não encontrei nenhuma Casa / Terreiro de Candomblé ou de Umbanda.

SUGESTÃO DE LIVRO


O antropólogo e sua magia. Trabalho de campo e texto etnográfico nas pesquisas antropológicas sobre as religiões afro-brasileiras[5].
São Paulo, EDUSP, 2005 (194 pp.).
 
RESUMO

              O trabalho de campo, processo pelo qual o antropólogo observa de perto a comunidade pesquisada para interpretá-la, desempenha um papel fundamental na definição da antropologia como ciência da alteridade ou da crítica cultural. 
              Neste livro analiso alguns aspectos do trabalho de campo, enfocando principalmente a relação observador-observado tal como esta se apresenta nos depoimentos dos antropólogos e das pessoas por estes entrevistadas. Procuro, ainda, analisar a produção dos textos etnográficos e suas consequências para os grupos pesquisados. 
              O campo empírico de referência para a discussão proposta é o das comunidades religiosas afro-brasileiras cujos estudos, além de marcar uma vertente inaugural da antropologia brasileira, têm colocado certas questões relevantes como os limites entre observação e participação e os múltiplos significados que as etnografias dessa área vêm estabelecendo na legitimação ou transformação das tradições religiosas em consequência do contato e alianças existentes entre o universo da academia e dos terreiros.

SUGESTÃO DE FILME

FILME: CAFUNDÓ[6]

              Cafundó enfoca a religiosidade como expressão do mistério e do inexplicável. É uma mistura dos diferentes universos, linguagens, tradições e fatos históricos que compõem as raízes brasileiras com seu sincretismo religioso e miscigenação de culturas. Rodado em locações de belíssimo patrimônio natural e histórico nas cidades da Lapa, Ponta Grossa, Paranaguá e Antonina no estado do Paraná e em São Paulo, é um filme exuberante em suas imagens, roteiro, cenários e figurinos.
              Sob a direção de Paulo Betti e Clóvis Bueno, reúne em seu elenco talentos novos e consagrados da dramaturgia nacional, como Lázaro Ramos, Leona Cavalli, Leandro Firmino da Hora, Alexandre Rodrigues, Francisco Cuoco, Luís Mello, entre outros.
              Filme disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=5JtCQJ2copw>.


REFERÊNCIA
MARÇAL, J. A. As Produções Acadêmicas Sobre o “Mito Da Democracia Racial” e as Desigualdades Raciais no Plano Estrutural: Conceitos, Histórico e Análise das Ações Afirmativas. 2013. Disponível em: <http://www.cursos.nead.ufpr.br/mod/resource/view.php?id=140434>. Acesso: 23 ag. 2013.


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