domingo, 30 de março de 2014

ARTIGO - EDUCANDOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E MÚLTIPLA DEFICIÊNCIA - PRECONCEITO

ARTIGO
EDUCANDOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E MÚLTIPLA
DEFICIÊNCIA - PRECONCEITO
             
SOUZA, Vera Lúcia Pereira de.

              Certo é que, têm desafios a encarar de forma imediata. Um deles refere-se à adequação da sociedade aos novos momentos que demandam a participação ativa e dinâmica de pessoas com e sem deficiência, num espaço harmônico, flexível e aberto à comunicação e à participação de todos. E outro, voltado à segurança dos direitos fundamentais, tais como à educação, à saúde, ao trabalho, à assistência social e à vida com ética e responsabilidade, na perspectiva de um vindouro integral de conquistas, sem impedimentos e com justiça social.
             A nova cidadania, na sociedade atual, fundamenta-se na ideia de que cada pessoa é um sujeito de direitos. No caso das pessoas com deficiência, isto denota que o indivíduo não precisa ser mais visto como alguém condicionado a cuidados ou que necessita permanentemente de assistência, mas como uma pessoa com voz e vontade próprias.
             A cidadania não é dada, ela é edificada e conquistada por meio da existência, da organização, participação e interferência social.
             As pessoas com deficiência são invisíveis para uma grande parcela população. Elas existem, porém quase não aparecem na cidade, deixando pensar que a causa está nas próprias pessoas, impossibilitadas de se integrarem à sociedade, quando é a própria sociedade que lhes limita o ingresso. Os preconceitos são numerosos. Além de defeituosa, inútil, incapaz e dependente, costuma-se refletir que a pessoa com deficiência intelectual e múltipla deficiência é adoentada e necessita basicamente de cuidados médicos ou de cura. Pensa-se que ela não tem pretensão própria, que não tem sexualidade e às vezes nem sexo, e que não pode ter filhos. Acompanham-se os sinais para cada deficiência: a do surdo, de que não fala; a do cego, de que não enxerga; a da pessoa com implicações de hanseníase, de que é um “leproso” contagiante e assim por diante.
             É essencial “desconstruir” esses preconceitos a respeito das pessoas com deficiência, empregar as designações adequadas para apreender verdadeiramente o que denota ser uma pessoa com deficiência. Antes de tudo, uma pessoa com deficiência é uma pessoa - semelhante a todas as outras e na mesma ocasião diferente -, com características e restrições próprias, como todos nós temos, em níveis e natureza variados.
            Na Escola Novo Amanhecer – APAE de Nova Aurora sempre divulgamos que a obrigação de defender o cumprimento das leis e garantir os direitos coletivos das pessoas com deficiência é do Ministério Público Estadual e do Ministério Público Federal e que é o dever de defender os direitos individuais de todas as pessoas com deficiência que não têm recursos, para a contratação de advogados, é da Defensoria Pública Estadual e da Defensoria Pública Federal.
            Podemos aprender uns com os outros para sermos mais e fazermos mais, mas, para isso necessitamos enxergar os outros, dar importância aos outros, sentir ausência dos outros, dessa ampliação de horizontes que representam. Não satisfaz, assim, falar não à discriminação. É necessário falar sim à heterogeneidade por meio de práticas que supõem inclusão e gestão da heterogeneidade.
             Creio que preconceitos inofensivos não existem, todos os preconceitos fazem sofrer na alma e na carne. Precisamos estar vigilantes constantemente a filmes de cinema, novelas de TV, relatórios em todos os círculos de comunicação. E denunciar o cometimento de atos preconceituosos e discriminatórios. Mas igualmente educar, ensinar o público, divulgando como e aonde os preconceitos e discriminações se apresentam. Acredito que, vale a pena o trabalho de conscientizar a sociedade. Todas as ocasiões que interferimos, fazemos a diferença: a cada interferência, adicionamos um tijolo na edificação de uma sociedade inclusiva e justa.


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